O universo de Pedro Almodóvar sempre me encantou com suas histórias aparentemente simples, do cotidiano de seu povo, com suas fortes cores sempre presentes, seja na roupa, na maquiagem ou nas paisagens de seus filmes.
O último filme de Almodóvar que vi é um filme bem a seu estilo com a simplicidade de uma Espanha, aparentemente, desconhecida do resto do mundo. Em meio a supestições, segredos e traições, três gerações de mulheres tentam seguir suas vidas tranquilamente, porém, no mundo de Almodóvar, nada pode ser tão calmo e belo como se pensa.

Raimunda, delicadamente interpretada por Penélope Cruz (indicada ao Oscar) é uma dona de casa com uma filha, um marido e um segredo trágico. Irene, mãe de Raimunda, teria morrido anos antes aos braços de seu marido, no entanto, além do romantismo da cena uma tragédia bem maior está por trás de tudo. E Augustina que até hoje sofre o sumiço de sua mãe inesperadamente no mesmo dia de morte de Irene.
O casamento de Raimunda com Paco não ia tão bem assim, ele sempre exigia mais do que ela poderia oferecer e até na cama seus desejos não eram realizados por sua esposa. Cansado de tentar algo com a esposa, em um momento de loucura, Paco decide tentar fazer sexo com a filha do casal.
A menina, aproveitando de um descuido do mesmo, desfere um golpe de faca em sua barriga, matando o desastrado estuprador. Quando Raimunda chega em casa percebe o que aconteceu e decide guardar o segredo da filha. E o segredo é bem guardado no congelador do restaurante do vizinho.
Depois da morte de sua tia, Sole, irmã de Raimunda, começa a ter visões de sua falecida mãe. A moça não se intimida com a presença de sua mãe e passas a aceitar o suposto espírito da falecida.
Augustina pede a Raimunda que entre em contato com o “espírito” de sua mãe, porque só ela saberia para onde sua mãe foi. Raimunda sem entender o que a amiga queria achou que ela estaria ficando louca lhe pedindo para entrar em contato com um ser já falecido.

DESFECHO
O que acontece na verdade é que segredos do passado vem de encontro ao presente transformando totalmente a realidade de seus principais personagens.
Aqui eu contarei o que acontece no final do filme, por tanto, se não quizer saber antes de assistir, pare a leitura já.
Bem, o que ocorre na verdade é que o pai de Raimunda e Sole, não era o marido maravilhoso que todos pensavam que era. O homem tinha um caso em todas as esquinas do povoado e Irene sempre aceitou isso calada, mesmo quando soube que ele se deitava com sua melhor amiga, que era a mãe de Augustina.
Até aí tudo bem, mas ele não deveria ter feito o que fez com Raimunda. Ele a estuprou quando ela ainda era uma mocinha, nascendo desse incesto a filha de Raimunda, que por sinal não era filha de Paco. Ou seja, Raimunda era mãe e irmã de sua filha.
Irene com ódio pelo que seu marido fez a sua filha o procuro e o encontrou nos braços da mãe de Augustina. Não pensou duas vezes e incendiou o local onde os dois descansavam depois de uma exaustiva noite de sexo.
Depois do crime, Irene se refugiou na mata até perder o sentido de tudo. Voltando para a vila onde vivia, percebeu que todos achavam que ela estava morta e resolveu tirar proveito disso.
Se fez passar por morta e todos passarama a acreditar que ela era um espírito que vivia perambulando pelas redondezas. Fez isso até decidir contar a verdade para suas filhas e todos os motivos que a levaram a fazer aquilo por anos.
O filme termina num tom melancólico em que seus personagens sentem a falta de um tempo que já passou, porém, agora estão novamente unidos e decididos a viverem intensamente cada momento como se fosse o último.
Irene aparece para Augusina como um fantasma e decide ficar com ela até sua últimas horas, já que a mesma sofre de câncer e está próxima do fim.
Um filme bem premiado
Oscar 2007 (EUA)
Indicado na categoria de melhor atriz (Penélope Cruz).
Globo de Ouro 2007 (EUA)
Indicado nas categorias de melhor atriz – drama (Penélope Cruz) e melhor filme estrangeiro.
BAFTA 2007 (Reino Unido)
Indicado nas categorias de melhor atriz (Penélope Cruz) e melhor filme estrangeiro.
European Film Awards 2006
Venceu nas categorias de melhor diretor, melhor atriz (Penélope Cruz), melhor roteiro, melhor fotografia e melhor trilha sonora.
Indicado na categoria de melhor filme.
Prêmio Goya 2007 (Espanha)
Venceu nas categorias de melhor filme, melhor diretor, melhor atriz (Penélope Cruz), melhor atriz coadjuvante (Carmen Maura) e melhor trilha sonora.
Indicado nas categorias de melhor atriz coadjuvante (Lola Dueñas e Blanca Portillo), melhor fotografia, melhor figurino, melhor maquiagem, melhor direção de produção, melhor direção de arte, melhor roteiro original e melhor som.
Festival de Cannes 2006 (França)
Venceu nas categorias de melhor atriz (Penélope Cruz, Carmen Maura, Lola Dueñas, Blanca Portillo, Yohana Cobo e Chus Lampreave) e de melhor roteiro.