Caiu na rede

100 livros para ler pelo menos uma vez na vida

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O portal Universia Brasil preparou uma lista com 100 obras que deveriam ser lidas pelo menos uma vez na  vida, e lá tem desde clássicos como Alice no País das Maravilhas até campeões de vendas, como o adocicado A Culpa é das Estrelas.  1984 e O Diário de um Banana também estão na listagem que conta ainda com Duna e Garota Exemplar, além de outros tantos.

1 -The Power Broker: Robert Moses and the Fall of New York

2 -The Right Stuff

3 – A Estrada

4 -A História Secreta

5 -O Iluminado

6 -O Estrangeiro

7 -O Sol Também Se Levanta

8 -The Things They Carried

9 -Uma Lagarta Muito Comilona

10 -O Vento Nos Salgueiros

11 -The Wind-Up Bird Chronicle

12 -O Mundo Segundo Garp

13 -O Ano do Pensamento Mágico

14 -O Mundo Se Despedaça

15 -O Sol É Para Todos

16 -Invencível

17 -O Vale Das Bonecas

18 -Where the Sidewalk Ends

19 -Onde Vivem os Monstros

20 -1984

21 -Uma Breve História do Tempo

22 -A Heartbreaking Work of Staggering Genius: A Memoir Based on a True Story

23 -Muito Longe de Casa – Memórias de um Menino-Soldado

24 -Mau Começo

25 -Uma Dobra no Tempo

26 -Alice Munro’s Best: Selected Stories

27 -Alice no País das Maravilhas

28 -Todos os Homens do Presidente. O Caso Watergate e a Investigação Jornalística Mais Famosa da História

29 -As Cinzas de Angela

30 -Are You There God? It’s Me, Margaret

31 -Bel Canto

32 -Nascido Para Correr

33 – Breath, Eyes, Memory

34 -Ardil 22

35 -A Fantástica Fábrica de Chocolate

36 -Charlotte’s Web (Trophy Newbery)

37 – O Décimo Primeiro Mandamento

38 -Daring Greatly: How the Courage to Be Vulnerable Transforms the Way We Live, Love, Parent, and Lead

39 -Diário de um Banana

40 -Duna

41 -Fahrenheit 451

42 -Medo e Delírio em Las Vegas

43 -Garota Exemplar

44 -Boa Noite, Lua

45 -Grandes Esperanças

46 -Armas, Germes e Aço

47 -Harry Potter e A Pedra Filosofal

48 -A Sangue Frio

49 -Intérprete de Males

50 -Homem Invisível

51 -Jimmy Corrigan. O Menino Mais Esperto do Mundo

52 -Cozinha Confidencial. Uma Aventura nas Entranhas da Culinária

53 -O Fio da Vida

54 -Little House on the Prairie

55 -Lolita

56 -O Amor Nos Tempos do Cólera

57 -Love Medicine

58 -Em Busca de Sentido

59 -Eu Falar Bonito Um Dia

60 -Middlesex

61 -Os Filhos da Meia-noite

62 -Moneyball: O Homem que Mudou o Jogo

63 -Servidão Humana

64 -On the Road: Pé na Estrada

65 -Out of Africa

66 -Persépolis

67 -O Complexo de Portnoy

68 -Orgulho e Preconceito

69 – Primavera Silenciosa

70 -Matadouro 5

71 -Lincoln

72 -A Época da Inocência

73 -As Incríveis Aventuras de Kavalier e Clay

74 -Autobiografia de Malcolm X

75 -A Menina que Roubava Livros

76 – A Fantástica Vida Breve de Oscar Wao

77 -O Apanhador no Campo de Centeio

78 -A Cor da Água

79 -As Correções

80 – O Demônio na Cidade Branca

81 -O Diário de Anne Frank

82 -A Culpa é das Estrelas

83 -O Doador de Memórias: Quando não há memórias, a liberdade é apenas uma ilusão

84 -A Bússola de Ouro

85 -O Grande Gatsby

86 -O Conto da Aia

87 -The House at Pooh Corner

88 -Jogos Vorazes – Volume 1

89 – A Vida Imortal de Henrietta Lacks

90 -Meu Último Porre: o Relato Corajoso de Uma Escritora Que Venceu O Alcolismo

91 -Percy Jackson e O Ladrão de Raios

92 -O Pequeno Príncipe

93 -O Longo Adeus

94 -O Vulto das Torres – A Al-Qaeda e o Caminho até o 11/9

95 -“O Senhor dos Anéis. A Sociedade do Anel – Volume 1”

96 -O Homem que Confundiu Sua Mulher com Um Chapéu

97 -Em Defesa da Comida. Um Manifesto

98 -Tudo Depende de Como Você Vê As Coisas

99 -A Revolução dos Bichos

100 -Amada

Programação · Teatro

Nove companhias de sete estados são selecionadas para o Festival de Teatro de Guaramiranga

 

19021_865845336823503_6069542151269776005_nNove companhias de teatro de sete estados do Nordeste foram selecionadas para participarem do XXII Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga, que acontecerá entre os dias 5 e 12 de setembro. O Ceará participará com três espetáculos: Frei Tito, do grupo Formosura de Teatro; Projeto Achados e Perdidos, do Projeto Achados e Perdidos; e Diga que Você Está de Acordo, do Teatro Máquina.

Bahia, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Paraíba, Maranhão e Sergipe são os outros estados com espetáculos selecionados para a Mostra Nordeste. Na Mostra Nordeste Universitária foram selecionados grupos do IFCE, URCA e UFC. Tanto a Mostra Nordeste quanto a Universitária também seleciona os grupos suplentes, que são aqueles que podem assumir no caso de desistência dos titulares selecionados.

O Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga é um dos eventos mais importantes sobre as artes cênicas no Estado, e este ano está na sua 22ª edição. Abaixo segue todos os grupos selecionados.

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Caiu na rede

Kanye West e a pior versão de Bohemian Rhapsody

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Kanye Omari West, segundo a Wikipedia é cantor, rapper, estilista e produtor musical. É casado com Kimberly Kardashian West, uma socialite, empresária, modelo, produtora, estilista, apresentadora e atriz americana, também segundo a Wikipedia. Pois bem, o rapaz esteve no Glastonbury Festival neste fim de semana, e na sua apresentação decidiu (tentar) cantar um clássico do Queen, Bohemian Rhapsody. Mas, ao que tudo indica, o negócio não ficou tão bom assim.
Com ajuda do público e de um playback, onde a voz de Freddie Mercury cantava a música por ele ao fundo, Kanye West pareceu não segurar a música, ou por desconhecimento da letra ou por falta de alcance vocal. Ele até tentou, foi bonito o casal se beijando durante a música, mas não colou. Possívelmente a pior versão de Bohemian Rhapsody que já vi. E olha que vi muita desde que conheci a banda.

Lançamentos

Editora lança livro inédito de Sartre

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O que é a subjetividade? traz importante discussão para a filosofia protagonizada por um dos maiores intelectuais do século XX

Inédito no Brasil, o livro O que é a subjetividade?, de Jean-Paul Sartre, chega ao país pela editora Nova Fronteira. O lançamento da obra reaquece debates entre interessados em filosofia, fãs do escritor francês, estudantes e profissionais da área de ciências humanas a respeito da subjetividade relativa ao indivíduo na sociedade capitalista. A discussão, apesar de antiga, não deixa de ser atual ao questionar como o homem vê a si mesmo e aos outros dentro do sistema econômico vigente.

A obra é fruto de uma conferência de três dias entre o autor e pensadores e dirigentes da esquerda italiana. “O problema que nos interessa é o da subjetividade no âmbito da filosofia marxista”, afirmou Sartre na abertura da assembleia, em 1961. Em uma época de grande debate sobre a luta de classes, o filósofo acreditava que os intelectuais tinham de desempenhar um papel ativo na sociedade e, por isso, apoiou causas políticas de esquerda ao longo de sua vida e em sua obra.

No posfácio do livro O que é a subjetividade?, Fredric Jameson – conceituado crítico literário e político marxista –, faz uma análise sobre a atualidade das ideias de Sartre. “Hoje, não se trata de reativar a noção de luta de classes: ela encontra-se em toda parte, insuperável. Temos necessidade é de uma apreensão renovada da natureza da consciência de classe e de seu funcionamento. O Sartre da conferência de Roma tem coisas importantes a dizer a esse respeito”, declara. Além da participação de Jameson, a edição inédita conta, ainda, com a tradução de Estela dos Santos Abreu, professora de Ciências Sociais com mais de oitenta livros traduzidos.

Sartre, considerado um dos maiores pensadores do século XX, não apenas publicou ensaios críticos e filosóficos, mas também produziu peças, contos e romances como forma de disseminar seus preceitos existencialistas. Uma de suas mais famosas obras literárias é a novela “A náusea”, que terá nova edição lançada pela Nova Fronteira em julho deste ano. O romance fará parte da Coleção 50 anos em comemoração do aniversário da editora.

Nova Fronteira completa 50 anos em 2015

A Editora Nova Fronteira comemora este ano um casamento de sucesso com um dos maiores catálogos de autores clássicos do mercado. A lista é grande e vai desde Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Rubem Fonseca, Carlos Heitor Cony, Nelson Rodrigues, Caio Fernando Abreu e Ariano Suassuna a Sartre, Simone de Beauvoir, Virginia Woolf, Jung, Bertrand Russell, Robert Musil, Albert Camus, Ezra Pound e T.S. Eliot. Isso para não falar das traduções, que juntas com esse time de primeira simplesmente registram, no tempo e nas estantes dos leitores tal como relíquias, a tradição e excelência de muitas edições.

Para comemorar as bodas de ouro, a editora lança a Coleção 50 Anos. Ao todo, serão 20 livros divididos em quatro lotes. Na primeira leva, já disponível nas livrarias, estão Sagarana, de Guimarães Rosa; Mrs. Dalloway, de Virginia Woolf; O albatroz azul, de João Ubaldo Ribeiro; Contos novos, de Mário de Andrade; e Poemas escolhidos, de Ferreira Gullar.

FICHA TÉCNICA
ISBN: 9788520923177
Formato: 13,5 x 20,8 cm
Páginas: 160
Preço sugerido para o livro físico: R$ 39,90
Preço sugerido para o livro digital: R$27,40

Lançamentos

Daniel Groove lança a dolorosa “Morrer de Novo”

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O cantor cearense, Daniel Groove, disponibilizou, na tarde desta quinta-feira, em seu perfil no Youtube, a música “Morrer de Novo”, de seu próximo disco. Difícil é não ouvir umas cinco ou mais vezes a canção que tem um refrão cheio de dor e intenso. É clicar e se deixar levar.

“Tá fazendo falta, só você conhece o meu caminho,

sabe que o meu destino passa por você.

Tá fazendo falta, só você manda no meu domínio,

mas se quiser,  aprendo logo a te esquecer.”

Daniel Groove é uma das grandes promessas da música brasileira atual, e seu primeiro disco “Giramundo” foi sucesso de crítica, inclusive, ganhando um dos principais prêmios da música independente, o Prêmio Dynamite, em 2014.

Lançamentos · Literatura

Laurentino Gomes vai falar sobre o período mais triste da história do País: a escravidão

O escritor recebeu notoriedade depois do sucesso da trilogia sobre o período monárquico no Brasil. FOTO: DIVULGAÇÃO
O escritor recebeu notoriedade depois do sucesso da trilogia sobre o período monárquico no Brasil. FOTO: DIVULGAÇÃO

Depois de viajar por um período efervescente do País, com a chegada da família real, em 1808, passando pelo Grito de Independência, em 1822, até chegar na Proclamação da República, em 1889, o jornalista e escritor Laurentino Gomes vai escancarar um dos períodos mais tristes vergonhosos da história do País, que durou, pelo menos, 300 anos: a escravidão. O processo de criação da nova trilogia ainda está em seu início, e o autor deve realizar diversas incursões por países da África, Europa e até América do Norte, visando vivenciar e se aprofundar cada vez mais na história do Brasil, que apesar de parecer distante, é mais recente do que se pode imaginar.

Em entrevista ao blog, Laurentino disse que o primeiro volume vai tratar do surgimento do tráfico de escravos da África para as Américas no Século XVI, logo após a chegada dos espanhóis e portugueses ao Novo Mundo. O segundo será dedicado ao auge do tráfico negreiro, resultado da cultura da cana-de-açucar e da exploração de ouro e pedras preciosas. O terceiro terá como tema o movimento abolicionista.

O primeiro livro deve sair em 2019, pois como ele explicou, o tipo de pesquisa não pode ser feita na “correria”. Para o escritor, a escravidão foi um período triste da história do Pais que o Brasil ainda não conseguiu corrigir, visto o preconceito e racismo que são mascarados, segundo ele, de “democracia racial”. “Na aparência, somos tolerantes com as nossas diferenças de cor, mas o preconceito irrompe a todo momento, até mesmo nos estádios de futebol, em que jogadores negros são xingados e hostilizados pela torcida. O preconceito está também nas escolas, nos locais de trabalho, nas repartições públicas e na forma violenta com a política trata as pessoas negras ou mulatas. É um passivo que o Brasil não conseguiu até hoje corrigir”.

Laurentino, ao ler a  trilogia sobre o período monárquico no Brasil, desde a chegada de D. João VI até a queda de Pedro II, percebemos que a leitura transcorre cheia de momentos cômicos, apesar de sérios, da sociedade brasileira. Agora, você vai dar início a um período muito triste e vergonhoso de nosso País. Está sendo mais difícil o estudo sobre essa fase trágica da nação brasileira?

Esse é um longo  trabalho de pesquisa que ainda está no começo. É uma ideia que foi crescendo ao longo da trilogia 1808, 1822 e 1889. Nos três livros eu tratei bastante da escravidão. Quando a corte de Dom João chegou ao Rio de Janeiro, em 1808, de cada três brasileiros um era escravo. O tráfico negreiro era na época o maior negócio do Brasil e, talvez, até de Portugal, mobilizando milhares de pessoas e centenas de navios nas costas nos dois lados do Oceano Atlântico. Os homens mais ricos do Rio de Janeiro eram todos traficantes de escravos e foram os que mais deram contribuições a corte portuguesa, tanto com dinheiro quanto com apoio politico. Na Independência, o Brasil rompeu os vínculos com Portugal mas manteve inalterada a situação social até então vigente. Uma tentativa de José Bonifácio de Andrada e Silva de acabar com o tráfico negreiro foi um dos motivos para o fechamento da Constituinte em 1823. Há uma sensação de orfandade da Independência brasileira porque os escravos viram que as ideias libertárias defendidas pelos brancos na época não os incluiam. O Brasil foi o último pais do hemisfério ocidental a acabar com o tráfico, em 1850, e o também o último a abolir a escravidão, em 1888. A principal consequência foi a queda da monarquia e a Proclamação da República no ano seguinte. Tudo isso foi me convencendo de que era preciso escrever mais sobre o assunto.

 

O que você tira como ensinamento dessa época do País? Dá para ser imparcial nos textos?

 Como jornalista, tentarei ser o mais isento possível tanto nas pesquisas quanto na escrita dos livros, mas evidentemente será muito difícil manter um olhar neutro ou imparcial sobre um tema tão mal tratado na historiografia brasileira, repleto de preconceitos e distorções. Eu acredito que esse seja o tema mais importante de toda a História do Brasil. Tudo o que nós já fomos, somos hoje e seremos no futuro gira em torno das nossas raízes africanas e do uso da mão de obra cativa. Sem a escravidão o Brasil de hoje simplesmente não existiria. Foi a maneira encontrada por Portugal para ocupar e explorar uma colônia 91 vezes maior, em extensão geográfica, do que a pequenina metrópole. As consequências são profundas. O abolicionista pernambucano Joaquim Nabuco dizia que não bastava abolir a escravidão, era preciso também educar, dar terras e oportunidades para os ex-escravos, de modo a incorporá-los na sociedade brasileira como cidadãos de plenos direitos. Isso jamais aconteceu. Basta ver as estatísticas atuais sobre as diferenças tratamento e oportunidade entre negros e brancos em todos os níveis e aspectos da sociedade brasileira, e também a polêmica que envolve políticas públicas como as cotas para estudantes negros nas escolas e universidades. A escravidão é, portanto, um fantasma que nos assombra até hoje porque nos recusamos a estudá-lo e encará-lo mais a fundo.

O fim do preconceito e  racismo contra os negros  ainda está longe de ser alcançado?

O preconceito é o legado mais cruel da escravidão. Nós temos um racismo mascarado de democracia racial. Na aparência, somos tolerantes com as nossas diferenças de cor, mas o preconceito irrompe a todo momento, até mesmo nos estádios de futebol, em que jogadores negros são xingados e hostilizados pela torcida. O preconceito está também nas escolas, nos locais de trabalho, nas repartições públicas e na forma violenta com a política trata as pessoas negras ou mulatas. É um passivo que o Brasil não conseguiu até hoje corrigir. A escravidão foi oficialmente abolida em pela Lei Áurea de 13 de maio de 1888, mas os ex-cativos acabaram abandonados a própria sorte. O Brasil nada fez para promovê-los ´a condição de cidadãos. O resultado é uma tragédia humana e social de dimensões gigantescas. O cinturão de pobreza e de violência que hoje se observa na periferia das metrópoles brasileiras, como São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador, é ainda herança do nosso passado escravocrata. Uma sociedade nacional é um pacto que se projeta no futuro. Se uma geração não faz o que deve ser feito, as gerações seguintes terão de assumir a tarefa de corrigir os problemas. Portanto, mesmo hoje, mais de um século após a Lei Áurea, está em nossas mãos enfrentar a tarefa de corrigir esse passivo.

Como está sendo o processo de construção desse novo livro? Que lugares teve que visitar? Que culturas, pessoas e crenças?

 O método de trabalho será muito semelhante ao dos três livros anteriores. Começarei pela vasta bibliografia sobre o assunto. São centenas de livros já publicados, no Brasil e no exterior, o que me obriga a ser muito seletivo para não correr o risco de passar o resto da vida só na pesquisa sem nunca escrever nada. Depois vem a fase da reportagem, com visitas aos locais relacionados á história da escravidão, o que inclui os portos negreiros na África e os pontos de desembarque, comercialização e trabalho dos escravos no Brasil. Pretendo entrevistar historiadores e outros estudiosos em museus e centros de pesquisas sobre o tema. Tenho planos  também de morar algum tempo fora do Brasil por algum tempo, provavelmente em Portugal e nos Estados Unidos, onde hå uma produção acadêmica importante sobre o tema.

 

O Ceará terá algum capítulo especial, visto que é um Estado que se orgulha de ter abolido a escravidão quatro anos antes do resto da nação?

Sim, o Ceará é parte de um capítulo importante sobre o movimento abolicionista brasileiro. Como já citei no livro 1889, Ceará e Amazonas se tornaram as primeiras províncias a abolir a escravidão no Brasil, isso em 1884, ou seja, quatro anos antes da Lei Áurea. Um motivo é que, nessas regiões, o trabalho cativo deixara de ser importante para a economia. No censo de 1872, os escravos representavam apenas 4,5% do total da população cearense. No Amazonas, a proporção era ainda menor, de 1,7%. Acabar com a escravidão nessas províncias teria, portanto, pouco impacto na economia local, ao contrário do que acontecia no sul do Brasil, especialmente no Vale do Paraíba, cujas fazendas de café dependiam totalmente dos cativos. Ainda assim, as decisões tomadas por cearenses e amazonenses tiveram grande repercussão nacional pelo seu óbvio significado político. Era uma vitória do movimento abolicionista e foi usada como ferramenta de propaganda até mesmo na Europa.

 

Teremos mais uma trilogia?

Será uma trilogia. O primeiro volume vai tratar do surgimento do tráfico de escravos da África para as Américas no Século 16, logo após a chegada dos espanhóis e portugueses ao Novo Mundo. O segundo será dedicado ao auge do tráfico negreiro, resultado da cultura da cana-de-açucar e da exploração de ouro e pedras preciosas. O terceiro terá como tema o movimento abolicionista. Esse é o plano inicial, que obviamente poderá ser alterado enquanto eu fizer as pesquisas. O primeiro livro deve sair em 2019. Ou seja, daqui a quatro anos. Infelizmente, não dá para publicar antes. Essa é uma pesquisa que não pode ser feita na correria.

Como você avalia a aceitação do público para o trabalho das biografias? Os biografados já acatam o trabalho de vocês? 

Eu fiquei muito feliz com a recente decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a publicação de biografias não autorizadas sem a anuência do biografado. É um grande avanço para o mercado editorial brasileiro. Entrei nessa discussão em defesa dos direitos à liberdade de expressão e de imprensa, príncipios que considero fundamentais em uma democracia. Sou contra qualquer tipo de censura, ainda que mascarada sob a aparência de uma discussão intelectual. Estou defendendo os direitos e os interesses de inúmeros colegas escritores, jornalistas e biógrafos que já foram censurados ou correm o risco de serem processados na Justiça pelos adeptos do modelo biografia chapa-branca.

Como você avalia, atualmente, a produção literária brasileira?

Infelizmente, o Brasil é um país em que se lê muito pouco. Acredito que uma parte do problema seja de renda e de escolaridade. O livro ainda é um produto mais caro no Brasil do que nos países mais desenvolvidos por uma dificuldade de escala. Como as tiragens são muito pequenas, o custo unitário dos editores tende a ser maior. Além disso, uma grande parcela da população brasileira é composta por analfabetos funcionais, que jamais pegaram um livro nas mãos. Mas acredito que isso tende a mudar. O país vem melhorando nesses últimos trinta anos, com mais estudantes nas escolas e mais oportunidades para todos. Isso acaba se refletindo também no mercado editorial, que vem crescendo. O nosso desafio está em em investir cada vez mais em educação e também em ampliar e diversidade a produção editorial brasileira. Infelizmente, a linguagem literária no Brasil, de uma forma geral, ainda é muito densa e até pedante. Precisamos ser generosos com os leitores, escrevendo de forma simples, fácil de entender. Isso vale especialmente para os leitores jovens e estudantes, que precisam ser atraídos para o mundo dos livros de maneira lúdica e agradável.

Lançamentos · Música

O sertão é do tamanho do mundo: a história do Forro in the Dark

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O que acontece quando quatro estudantes de música resolvem comemorar a festa de aniversário de um dos membros do grupo tocando forró?  Talvez nada, não é mesmo?  Mas se a performance não for no Brasil, e sim nos Estados Unidos,  e mais precisamente no East Village, em Nova Iorque, em uma casa de shows Nublu?  E se David Byrne (ex-Talking Head) passasse pelo local, e de cara se apaixonasse pelo som genuinamente nordestino feito por aqueles jovens? Pois bem, as chances de isso acontecer podem ser mínimas, mas isso foi possível,  e lá por meados de 2002, sem qualquer pretensão nascia o Forro in the Dark, grupo brasileiro de world muic radicado nos Estados Unidos,  que já tem na bagagem algumas turnês pela Europa e América do Norte,  quatro álbuns lançados (mais dois em fase final de produção) e algumas parcerias com artistas internacionais. Mas um sonho em mente ainda não foi realizado: tocar no nordeste brasileiro durante as festas juninas.

O Diário do Nordeste conversou com um dos líderes do Forro in the Dark, o catarinense Mauro Refosco, que dentre outras coisas feitas na vida vida, vem atuando como músico de apoio do Red Hot Chilli Peppers e é membro do super grupo liderado por Thom Yorke, do Radiohead, o Atoms for Peace, formada também por Flea (Red Hot Chili Peppers), Joey Waronker (Beck) e Nigel Godrich.

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Formada em 2002, o Forro in the Dark faz uma combinação do forró, que é o estilo predominante, com algumas pegadas de rock, folk, jazz, country, dentre outros. A música que o grupo faz, genuinamente brasileira, tem tido uma certa aceitação por algumas pessoas lá fora, pois eles  sabem utilizar o tom ideal para agradar aos ouvidos mais apurados. Enquanto que no Brasil, o forró vem passando ao longo dos anos por um processo de mutação em seu formato original, e talvez nem seja mais visto como forró genuíno por muitos estudiosos no assunto, lá nos Estados Unidos, os rapazes do Forró in the Dark buscam nas origens do forró a batida perfeita para encantar o público internacional.

A história da banda teve inicio quando Mauro convidou alguns amigos para tocarem um jam no estilo forró no Nublu, uma casa noturna em East Village, lá em  Nova York.  Com o sucesso das festas feitas por eles no local, o grupo começou a tocar semanalmente, e as apresentações chamaram a atenção de David Byrne,  que, inclusive,  contribuiu com eles no álbum de estreia,  o Bonfires of São João. Ele chegou a interpretar uma versão em inglês do clássico de Luiz Gonzaga, Asa Branca . No fim de março passado, o Forro, tocou em um festival em homenagem a  Byrne e os Talking Heads, no Carnegie Hall, a convite do próprio artista escocês.

No ano de 2007, eles fizeram turnê pelos Estados Unidos, Canadá e Europa para promover o primeiro álbum, e gravaram a canção City Of Immigrants, do disco do Steve Earle, Washington Square,  foi vencedor do Grammy no ano seguinte.

O segundo álbum deles é intitulado Light a Candle, e dentre os convidados para tocar no disco estão Sabina Sciubba, do Brazilian Girls, e Jesse Harris. O álbum traz também cover de canções brasileiras de forró como Saudades de Manezinho Araujo, de Téo Azevedo, e Forró de Dois Amigos, de Edmilson do Pífano. Em 2009, o Mauro foi anunciado como parte da banda Atoms for Peace, fundada por Thom Yorke e formada também por Flea (Red Hot Chili Peppers), Joey Waronker (Beck) e Nigel Godrich. Ele também é músico de apoio do Red Hot.

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Os quatro discos da banda foram todos lançados nos EUA e Europa,  e o grupo agora está em processo de conclusão de mais dois álbuns, um com músicas de um compositor de Nova York chamado John Zorn.  O trabalho vai contar também com a participação do cantor e compositor Marcos  Valle, tocando um Fender Rhodes e cantando também.

O Forro também está trabalhando em um disco produzido por Alexandre Kassin, que já produziu discos para Los Hermanos, Adriana Calcanhoto, Vanessa da Mata e até Erasmo Carlos. O álbum foi gravado no Rio de Janeiro e Nova York, de dezembro de 2013 a dezembro de 2014, mas ainda está sem previsão para lançamento.

Atualmente os integrantes são o Jorge Continentino que canta, toca pífano e percussão; Guilherme Monteiro, toca guitarra e canta;  e Mauro Refosco, tocando zabumba e cantando.  Em entrevista ao  Diário do Nordeste, Refosco afirmou que fora do Brasil não se pode viver só de tocar forró, assim como acontece em alguns lugares do Brasil, principalmente, no Nordeste. No entanto, ele reconhece que cada vez mais o público vem demonstrando interesse pelo gênero. “É uma plateia crescente”, afirmou.

Sobre a “sacanagem” e, muitas vezes, músicas que são vistas como desrespeitosas para com as mulheres, Mauro tem uma resposta um tanto diferente para o tema. Segundo ele, sacanagem faz parte da tradição do forró. “As letras de duplo sentido podem ser vistas em músicas de Gonzagão, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda. É uma coisa do estilo. Acho que existe uma linha na qual às vezes o pessoal passa do limite do jocoso e cai no apelativo”, defendeu.

Ao público, o difusor do forró em terras de Tio Sam manda um recado. Na verdade, é mais um sonho da banda, o de tocar no Nordeste durante uma festa de São João. “Um dos nossos sonhos como banda é poder fazer uma tour pelo nordeste nos festivais de São João, que pela magnitude das festas deve ser considerado um dos maiores festivais de música do nosso planeta”.

texto escrito originalmente para o jornal Diário do Nordeste