Parte do meu eu

(Re)encontro

Sem título

Conheci Jamile nas redes sociais.  Não entendia muito dessas coisas sujas e bobas que aparecem na Internet procurando te entreter,  esconder,  vender,  ver.  Jamile chegou no bip-bip, passando sem diálogo aparente e convidando-me para encontrar  sua boneca de seis anos.  Busquei em tudo o que era página,  estava ansioso para ganhar o prêmio prometido por ela.  E por cinco horas busquei em tudo o que é sala de encontros íntimos (ou não) e não encontrei.  Talvez tenha virado pó,  talvez nem existisse,  talvez fosse o irmão de Jamile me pregando uma peça do outro lado da máquina.  Quando enfim desisti e já ia me eximir da responsabilidade com tudo aquilo,  a campainha toca três vezes. E eu não lembrava de tê-la consertado. Abri a porta e não vi ninguém,  apenas uma pontada na perna.  Era a boneca. Com os cabelos arrepiados,  um braço por faltar e um dos olhos pendurado perto do nariz,  a boneca chorava em meus pés e me molhava o tênis novo.  Parecia saída de algum filme de terror, mas não quis comentar,  não sou muito de fazer esse tipo de observação,  ainda mais sendo as bonecas seres tão sensíveis.  Pediu-me um copo com água, pois há dias me procurava em vão.  Eu também lhe procurei por cinco horas sem intervalo.  Você não sabe o trabalho que deu. Ela riu bem alto e caiu.

Duas horas depois,  a boneca acordou soluçando,  e eu dei a água por ela desejada.  Estava banhada,  penteada e com um braço novo. Tentei colar o olho esquerdo,  mas era complicado,  visto a falta de suporte craniano do globo ocular inexistente. Vi um leve sorriso no rosto da boneca que me contou todas as peripécias que desbravou até chegar ali. Precisava de um nome e dei “Capenga boa de bola”. Depois de dar sopinha,  banho e trocar suas fraldas,  “Capenga boa de bola” me chamou para enfrentar a rua e leva-la a casa de Jamile, que me esperava para uma noite sem igual.  Há 10 anos eu não colocava os pés fora de casa, nem nos momentos mais necessitados.  Prometi  a mim mesmo que minha pesquisa de campo não seria interrompida,  fosse qualquer a motivação para sair.  Mas o dia em que passei com “Capenga boa de bola” foi o mais feliz dos últimos anos. Pela primeira vez esqueci o que era trabalho,  solidão ou medo. A bonequinha me contou as mais hilariantes e perigosas aventuras,  desde sua amizade com um lagarto morto,  que a fez arrasta-lo por onde quer que fosse,  até a batalha com um vira-lata que arrancou-lhe o olho com uma mordida. “Capenga boa de bola”, no entanto,  deixou a história mais sensível e emocionante para o fim da tarde. Falou de Lucas,  o menino negro e afeminado que gamou na boneca, e a escondeu debaixo do seu colchão,  no barraco onde morava,  em uma favela distante do centro da cidade.  Pobre criatura.  Foi espancado pelos irmãos mais velhos,  que depois de arrancarem o braço de “Capenga boa de bola” jogaram-na em um esgoto a céu aberto no que se convencionou por lá chamar de quintal.

Ainda presenciou os meninos urinando no irmão mais novo,  que gritou tão alto que o barraco veio abaixo matando os três.  O jeito foi nadar entre os dejetos e lama, atravessar meio mundo e chegar até minha residência.  Não podia eu deixar todo o sacrifício de “Capenga boa de bola” ser em vão.  E ainda assim, queria eu conhecer Jamile, já na mente como minha futura esposa,  que do outro lado da tela do computador me fez juras e mais juras. Pensava em fazer a maior das surpresas à ela, e por isso,  com uma única marretada destruí o notebook. Joguei a TV pela janela,  afoguei o celular no vaso sanitário e sai quebrando pratos,  DVDs, CDs, mesa,  queimei o colchão,  destruí o guarda-roupa e, depois de quebrar a pia e o fogão, cortei a mangueira que fazia a ligação do gás de cozinha deixando vazar por toda a casa.  “Capenga boa de bola” parecia se divertir com tudo aquilo e beijou minhas botas antes de eu pegá-la nos braços. Olhei para todas as anotações que fiz ao longo de uma década e chorei como uma hiena, como se fingisse o riso. Já não estava mais lá.  Peguei meu arco e flecha,  abri todos os botões da camisa e por trás das minhas costas ressurgiram as asas, as quais não via há muito tempo.  “Capenga boa de bola” subiu em meus ombros, então saltei para fora da casa. Olhei para trás e apreciei pela última vez o lugar que me serviu de morada.  Peguei uma flecha,  acendi com um isqueiro a ponta, mirei na sala e disparei.  Logo que a flecha atingiu o solo da casa, o fogo se alastrou e alguns segundos depois as chamas deram início a três explosões,  uma atrás da outra.  Voamos em direção ao encontro de Jamile. Caia uma lágrima do olho de “Capenga boa de bola”. Ficamos horas voando e sem falar uma palavra até que “Capenga boa de bola” quis ir ao banheiro.  Descemos em uma padaria,  e o gerente,  um porco de 200 quilos, que sequer se aguentava em pé, tamanha era sua pança e pequenas suas patas,  pediu os documentos da boneca e minha habilitação para fazer uso de minhas asas.

Expliquei a situação,  mas o porco,  que parecia mais um agente  federal não quis conversa e disse que eu e “Capenga boa de bola” estávamos infringindo várias leis. Tive que suborná-lo e ele aceitou se corromper. Para isso,  teria eu que comprar alguns quilos de banha para o lanche e levar dois pratos cheios de lavagem,  que juntos custavam mais de cem contos,  e isso tudo apenas para que a pobre bonequinha tivesse o direito de utilizar o banheiro da padaria. É pegar ou pegar, disse o infame  vendedor porco. “Capenga boa de bola”, zangada com a situação,  arriou as fraldas e fez ali mesmo na mesa do porco. Foi um deus nos acuda. De repente, como num piscar de olhos,  dezenas de porcos surgiram por todos os cantos,  ocupando todos os espaços e sujando de urina e bosta toda a padaria.  Eles partiram para nos atacar a mando do gerente,  que não conseguia sair do canto devido a todo aquele peso. Oinc oinc oinc. Peguei “Capenga bom de bola” que colocava a fralda de volta e sai rodopiando por cima dos porcos que jogavam estercos e gordura em minhas asas. Pensava que estava tudo acabado,  e eis que surge o homem de chapéu azul, capa azul, tênis azul e calça branca. Ele tira o óculo azul e parte para cima dos porcos com dois enormes facões. A cena a seguir são orelhas,  focinhos e pedaços de patas voando junto com jatos e mais jatos de sangue e gritos de dor dos porcos,  que agonizavam após as investidas do homem de chapéu azul, capa azul,  tênis azul e calça branca.  Ele retira o óculo azul do bolso na capa e coloca de volta sob os olhos.  Olha para nós e manda que andemos, pois sua rixa era com o porco padeiro que se urinava todo no balcão.  Saímos pela janela e só ouvíamos os berros do porcão. Já estamos perto, explicou “Capenga boa de bola”. A casa estava há alguns metros da padaria onde ocorrera a carnificina dos porcos.

Nem tivemos tempo de agradecer ao nosso salvador.  Estava ansioso para, enfim conhecer Jamile. Ao chegarmos na casa, percebi que ela estava sem porta.  “Capenga boa de bola soltou uma gargalhada e disse que eu poderia entrar sem cerimônia.  Um gato, de nome “Rufos olhos” veio nos atender e disse que Jamile estava indisposta. “Capenga boa de bola”, mais uma vez, riu como uma desvairada e partiu para os braços de “Rufos olhos” que lhe lambeu os olhos enquanto chorava.  Eu meio sem jeito,  sujava todo o corredor com minhas asas sujas de banha e bosta. O senhor bem que poderia tomar um banho. Deve estar cansado da viagem, disfarçou o gato me apontando o toalete. Claro que estava cansado,  fedido e necessitando de um banho.  Não resisti ao convite e fui em direção ao banheiro,  sem antes me certificar que Jamile iria me atender.  Claro,  senhor.  No jantar todos nos reuniremos para tomarmos uma sopa bem quentinha, garantiu o gato que sumiu na escuridão da cozinha junto com “Capenga boa de bola”. Entrei no banheiro e dois macacos pularam sobre minha cabeça e por pouco não me derrubaram do precipício próximo ao aparelho sanitário.

Eles disseram que queriam dinheiro,  mas saíram correndo para dentro de casa quando viram minhas asas.  Ou será que foi o meu fedor?  Avistei uma fonte de água morna e passei umas duas horas me lavando,  na esperança de ficar o mais cheiroso possível.  Vesti a calça e  fiz com que minhas asas entrassem novamente nas minhas costas.  Era hora do jantar.  Enfim veria Jamile.  Os dois macacos reapareceram e ficaram rindo de mim. Correram em direção à cozinha agora iluminada.  Na mesa o gato, “Capenga” e os macacos ladrões,  todos me esperavam.  Uma voz suave começou a cantar uma música que lembrava minha adolescência,  era Jamile com umas duas notas acima do usual,  mas em princípio não conheci que canção era aquela. Oh, I been flying… mama, there ain’t no denyin’ I’ve been flying, ain’t no denyin’, no denyin’ E todos à mesa choravam, até mesmo os macaquinhos que não seguraram as lágrimas.  Jamile apareceu com um vestido de noiva todo ensanguentado.  Sentou na cadeira vazia ao meu lado e tocou na minha mão.  Deu um beijo apertado em meus lábios e mandou trazerem a comida. Um homem de chapéu preto, capa preta, tênis preto e calça branca trouxe uma enorme panela e a colocou sobre a mesa.  No bolso da camisa,  também preta,  um óculo preto.  Tirou a tampa e nos revelou o prato do dia: leitão assado  Comemos como se não tivesse amanhã,  e repetimos e repetimos.  Descansamos e jogamos conversa fora durante toda a tarde. À noitinha  eu, “Capenga boa de bola”, os macaquinhos ladrões, Jamile e o homem agora com chapéu branco,  capa branca,  camisa branca, tênis branco e calça rosa tentávamos cantar e tocar nossas músicas favoritas. Ele usava um óculos de grau enquanto tentava pegar as notas no violão.  Ríamos e cantávamos até a chuva iniciar. Foi um belo dia chuvoso. Todos corremos entre a escuridão da tempestade que limpava todo o vestido de Jamile e deixava à mostra seus seios desnudos. Deitamos, nos beijamos e nos amamos abaixo de trovões e gargalhadas dos nossos amigos curiosos. Desde então, eu e Jamile construímos  nosso espaço, nossa vida e memória. Voamos todos os dias e nunca mais paramos.

Parte do meu eu

Sincronicidade

Chegando em casa. Conecta. Ele sobe as escadas. Vibracall. Ela desaba na cama. Desejos suicidas. Pega. Busca, encontra. Vibracall. Ele, cansado de mais um dia de trabalho tira a camisa, a calça, os sapatos, joga os livros no tapete, desaba no sofá. Só de cueca, a mão por dentro da cueca. Acaricia o pênis. Ela permanece deitada, olha para o teto o ventilador a girar. “Ele viu. Cachorro nem responde”.

Milena

Tu não vai me adicionar?

 

Ramom

Me obrigue!

 

Milena

Você é sempre assim? Gosta que as pessoas se afastem de ti?

 

Ramom

Eu não sei por que eu iria querer pessoas ao meu redor. Sou autossuficiente.

 

Milena

Já adicionou?

 

Ramón

Já que insiste. Adicionada.

 

Milena

Já não era sem tempo.

 

Ramón

Já está me perturbando?

 

Milena

Já estou.

 

Ramon

Já deu, vou te bloquear.

 

Milena

Já?

 

Ramon

Já!

 

Milena

Não faz isso.

 

Ramon

Está bem. Mas sobre o que falaremos?

 

Milena

 

Ramon

Já se foi? Vaca!

 

Milena

 

Na sala de aula, ele. Alunos ainda não chegaram. Olha para a tela. A foto mostra ela com uma parte do rosto e a outra coberta por um volumoso cabelo negro. Estranho. Sedutor. Atraente. Medonho. Volta para os cadernos. Ela fuça recados dele. Ri. Brinca. Se toca. Sorri outra vez. Enviar? Enviar.

Milena

Que filme é esse?

 

Ramon

Porra, eu já disse! Whiplash,  você tem que ver.

 

Milena

Sim, ouvi falar. Vou baixar agora.

 

Ramon

Pois baixe, rapaz. E delicie-se.

 

Milena

Eu vi um que talvez tu goste: Timbuktu.

 

Ramon

É?  Está em cartaz, né? Você sabia que o Antônio Torres pediu para ser meu amigo?

 

Milena

Tá.

 

Ramon

Tá o quê?

 

Milena

Tá em cartaz.

 

Ramon

Ah.

 

Milena

Antônio Torres?  Reconheço que não conheço muito. Opa! É um escritor, não é?

 

Ramon

Sim, da Academia Brasileira de Letras.

 

Milena

Legal! Estou sofrendo procurado o filme. Baixou por onde?

 

Ramon

Não digo.

 

Milena

Está bem. Vou procurar aqui. Vê o filme que te falei.  Faria uma aposta que você irá gostar.

 

Ramon

Vou ler a respeito.

 

Milena

 

Ramon

 

Adiciona o endereço eletrônico de um blog com textos sobre prostitutas amarguradas. Pede para que ele leia. Se gostar, talvez escreva mais sobre aquelas putas que no fundo falam um pouco sobre todas as outras. Enviar? Enviar.

Ramon

Lerei.

 

Milena

Hm…

 

Ramon

Sinto falta de alguma coisa. Não sei o quê. Acho que de alguma continuidade.  Não fechou. Mas é como eu disse: escreva esquetes.

 

Milena

É… Não fechou. Escrevi faz tempo.  Reli hoje. Também percebi isso. Ainda não me debrucei para entender o que vem a ser essas esquetes que tu falas.

Ramon

É isso que fazes. São pequenos textos para teatro. Textos para encenação em um palco.

 

Milena

E é? Só escrevo isso então.

 

Ramon

Dá para pegar muitos dos teus textos e transformá-los em esquetes. Você poderia vender para grupos de teatro. Ficar rica, sei lá.

 

Milena

É algo que nunca tinha pensado sobre. Realmente preciso de dinheiro.  Estou pobre. Talvez não ganhe bolsa. Corte na educação… Tu agora divulga teus textos? Isso é algo novo.

 

Ramon

Estou meio que dando uma dinamicidade a eles. Pensando em, futuramente, escrever profissionalmente. Isso mais lá para frente.

 

Milena

Legal. Tá corajoso. Isso é bacana. Gosto dos teus textos.

 

Ramon

Cara, quando uma grande escritora amiga tua te pede isso tem um peso.

 

Milena

É.  Tem peso. Eu perdi minha coragem em algum lugar. Não escrevo tem um tempo.

 

Ramon

Ah, a coragem…

 

Milena

 

Ramon

É tão relativo. A maior coragem da vida eu não tenho, porque  tenho medo de sofrer e fazer sofrer. E a vida vai seguindo. Um dia explode tudo. Olha a coragem de ser franco contigo.

 

Milena

Engraçado que o tempo passa e estamos aqui falando coisas parecidas.

 

Ramon

Como assim parecidas?

 

Milena

Passou-se um ano e eu continuo sem muita coragem e tu com essas questões.

 

Ramon

É.  Algumas atitudes pesam mais que outra. Depois falamos mais sobre isso. Ocupado aqui. Cheiros.

 

Milena

Até.

 

Ele na sala de aula e ela no consultório médico. Envia outra vez um texto do blog, dessa vez sobre putas em bordéis. É algo sobre uma, duas, três transas na noite sem que o gozo tenha sido suficiente para saciar o desejo de ser querida. É como se não fosse. Como se nunca mais o fosse. Desejos suicidas lhe vêm à cabeça.

Milena

Vou tentar ajeitar para ser esquete.

 

Ramon

Um desafio: escrever sobre nós dando ênfase à sua impressão sobre a pessoa que aqui escreve.

 

Milena

História complicada. Já escrevi sobre você, no passado.

 

Ele, enquanto os alunos escrevem a redação solicitada, envia um vídeo da cantora ucraniana Ani Lorak em parceria com o georgiano Valery Meladze: Верни мою любовь , algo como dai-me amor.

Ramon

Para ajudar… ou não.

 

Milena

Já escrevi esse texto algumas vezes na minha mente. Acho que seria digno um dia parar para isso. Mas, me permita. Por quê?

 

Ramon

Por que estou pedindo?  Porque é importante saber.

 

Milena

É que fiquei curiosa sobre a sua curiosidade repentina.

 

Ramon

Não se preocupe, não precisa dar nome às personagens. Só quero saber a impressão que teve e tem.

 

Milena

Uma ventania que bagunçou um bocado.

 

Ramon

Verdade?

 

Milena

Que passou e deixou as coisas mais limpas.

 

Ramon

De qualquer forma quero saber.

 

Milena

Eu posso te dizer agora. Pode ser?

 

Ramon

Um momento.

 

Pede licença aos alunos, segue para o corredor. Mãos em água, tem uma leve ereção. Sorri e sua cada vez mais. Vibracall.

Ramon

Pode.

 

Milena

Gostaria de uma devolutiva  sobre sua impressões a meu respeito. É possível?

 

Ramon

Sim, claro. Mas já escrevi sobre você.

 

Milena

Sim. Mas gostaria de algo mais atual.

 

Ramon

É verdade. Estamos em outro momento.

 

Milena

Sim. Enfim, tu me surgiste num momento confuso, turbulento de extrema carência. E veio tamponar um vazio profundo que estava em mim. Foi algo forte e confuso. E na mesma velocidade que começou, terminou e de forma forte e intensa. Quando me lembro de você, no passado, penso em intensidade e sexo (que nunca se consumou, fora das imaginações). Hoje sinto muito respeito. O que tu me falaste e até hoje fala, tem peso. E de todas as palavras que tu me soltaste, nada me foi tão forte quanto os silêncios. E sou um bocado grata por esse nosso encontro desencontrado. Fez-me crescer.

 

Ramon

Não esperaria menos de você. Podes acreditar. Eu ia falar de sexo também. Sexo que nunca tivemos. Mas que um dia teremos. Discordo totalmente do “terminou”. Porque nunca termina.

 

Milena

É… Ficou em aberto.

 

Ramon

Eu tenho umas três vidas do passado que  nunca terminaram. Tipo acabou, mas não terminou. Não se bateu o martelo. Você me compreende?

 

Milena

Compreendo, sim. Sou mestre em vidas em aberto. Talvez, ainda tenhamos nosso momento. Mas, sinceramente, não vejo muita possibilidade disso.

 

Ramon

Acredite, vai acontecer.

 

Milena

Sua vez.

 

Ramon

Independente dos nossos relacionamentos, eu sei que alguma coisa aconteceu. Uma química talvez, mesmo que explosiva.  Um dia estaremos autografando o livro do outro e marcando uma noite de sexo, aquele que não tivemos.

 

Milena

É um bom devaneio. Quando penso nisso com você, penso em sexo no chão.

 

Ramon

Eu  em sexo brutal. Acredite, queria enfiar meu pau em ti naquela noite, ali mesmo na rua. A civilidade e o pudor sempre falam mais alto.

 

Milena

Eu lembro bem da sua mão passeando no meu corpo. A sensação é que se conheciam.

 

Ramon

Você é poesia pura. Tens uma sensualidade muito forte, algo de desejo, de entrega… Não sei se todos os homens gostam disso, mas me excita.

 

Milena

Quando estou envolvida, costumo me entregar. E foi muito fácil me sentir envolvida com você A sensação de entrega sexual foi simples. Talvez os astros expliquem.

 

Ramon

É… Talvez. Mas teremos nosso momento. Pode ser amanhã, depois de amanhã ou só daqui a 15 anos, você com três meninos e eu… Sei lá como. Acho que tenho problemas. Consigo imaginar e vislumbrar o futuro dos outros, mas o meu é só escuridão e vazio, como se não tivesse perspectiva, ainda que construa dia e noite o meu amanhã. Isso é estranho.

 

Milena

 

Ramon

Existe explicação nos astros?

 

Milena

Acho normal. Não tem nada mais simples do que a vida dos outros.

 

Ramon

Tem um filme alemão, que ganhou o Oscar, e acho que fala sobre isso.

 

Toca o sino. Os meninos saem correndo. Livre dela. Preso a ela. De frente ao espelho ela sorri.

Ramon

Preciso ir.

 

Milena

Já?

 

Ramon

É quase noite. Uma praça, um jornal à mão. Lê notícias sobre os recentes assassinatos e chacinas Brasil afora. Não tem jeito. Sentada em frente à TV, ela até tenta não se emocionar, mas Jane Austin sempre foi seu fraco na tela. Chora copiosamente. Vibra. É ele. 

Ramon

Ainda viva?

 

Milena

Eu?

 

Ramon

Sim.

 

Milena

Estou, acho.

 

Ramon

Voltou com aquele cara estranho? Está em outra, como estão as coisas? Vocês de 20 e pouquíssimos anos são muito imprevisíveis quando o assunto é coração.

 

Milena

Estou sozinha. Tentando.

 

Ramon

Não tente. Fique tranquila que é melhor.

 

Milena

Faz tempo que não faço sexo. Das últimas vezes que fiz, não estava entregue e percebi que isso me deixa mal.

 

Ramon

Sério? Culpa por fazer sexo?

 

Milena

Não, culpa não. Falta de entrega. Da minha parte.

 

Ramon

Entendo. Você conseguiu dormir com aquela menina?

 

Milena

Não. Claro que não. Ela é louca. Queria largar o namorado para ficar comigo.

 

Ramon

Interessante.

 

Milena

Desisti.

 

Ramon

De meninas?

 

Milena

Sim, de meninas. Prefiro homens. Faria um ménage. Paus são importantes.

 

Ramon

Certeza que eu também faria.

 

Milena

Já fizeste?

 

Ramon

Eu e meu irmão transávamos com as mesmas garotas no bairro. Isso conta?

 

Milena

Acho que não. Como você está. E as aventuras?

 

Ramon

Nenhuma. Continuo lendo muito e tentando deixar o corpo em forma. Também trabalhando feito um escravo.

 

Milena

Parece minha vida.

 

Ramon

Foi um ano tenso para a saúde, e acabei engordando, caindo os cabelos e ficando mais doente. Este novo tempo é de busca para a saúde perfeita.

 

Milena

Sensação boa é a de autocuidado.

 

Ramon

Tenho desejos no momento. De chutar o pau da barraca. Não sei se terei tanta sorte até o fim desse ano.

 

Milena

Sorte ou coragem?

 

Ramon

A coragem… Ei-la novamente.

 

Milena

São muitas instituições para se desfazer, né?

 

Ramon

De fato.

 

Milena

Você é um potencial subversivo. Mas lhe falta algo.

 

Ramon

Sinto que agora me conheces bem. Eu nunca disse isso a você, muito pelo contrário. Vou dormir. Está tarde. Estarei livre no domingo.

 

Milena

 

Ramon

Quem sabe na tarde de sábado?

 

Milena

Quem sabe… Boa noite!

 

Acorda. Olha para o lado. Encontra o objeto. Um vídeo… Nouvelle Vague.

Ramon

Acho que parece com você.

 

Milena

Gostei. Depois de um dia na emergência em um hospital.  Ótimo pra relaxar.

 

Ramon

Acertei dessa vez.

 

Milena

Já tinha ouvido.

 

Ramon

Francesas cantando bossa nova em inglês. Coisas desse mundo.

 

Milena

Mas não sabia quem cantava. Tomei um negócio legal na veia.

 

Ramon

O quê? Heroína?

 

Milena

Tramal.

 

Ramon

Dá na mesma.

 

Milena

E é? Heroína deixa alerta, né não?

 

Ramon

Heroína iria deixar você leve. Também tiraria sua dor.

 

Milena

A dor que não cessa…

 

Ramon

Tudo é droga.

 

Milena

Sei.

 

Ramon

Uma enriquece a indústria farmacêutica, a outra o tráfico. O que você tinha ou tem?

 

Milena

Mais uma doença de estresse.

 

Ramon

Como?

 

Milena

O médico disse que eram duas coisas. Torcicolo e cefaleia tensional. Eu já tenho a gastrite.

 

Ramon

Que tipo de gastrite?

 

Milena

Nervosa.

 

Ramon

Que pena.

 

Milena

Também tenho refluxo E renite.

 

Ramon

Tão novinha…

 

Milena

Eu sou um problema.

 

Ramon

Aquiete o coração.

 

Milena

Aproveite-se de mim, enquanto é tempo. Morro antes dos 35.

 

Ramon

Um desperdício. Para o mundo.

 

Bateria baixa. Descarrega. Olha para o lado e pela janela o céu azul. Vê um sol brilhante. Pega o primeiro ônibus rumo ao cinema mais próximo. Ela levanta, corre de um lado para outro. Um CD, La vie en rose. Nem se importa  e se põe a rodar. A rodar. A rodar. Tonta cai. Chora. Ri. Chora. Ri. E gira novamente. Deitado na cama. Ela Online.

Ramon

Ainda viva?

 

Milena

Mais ou menos.

 

Ramon

Estava assistindo House of Cards. É muito bom. Já viu?

 

Milena

Não tenho tempo para essas coisas.

 

Ramon

Passageiras? Não gosta?

 

Milena

Não.

 

Ramon

Querem me forçar a gostar de Breaking Bad.

 

Milena

 

Ramon

Sou chato, te contei?

 

Milena

Não precisa. Como tu és com modas? Não tenho nem televisão.

 

Ramon

Preciso ir. Aula. Abraços.

 

Busca um vídeo para surpreendê-lo. “Gostas de folk, certeza”, pensa. Ane Brum. All My Tears.

Milena

Curte? Você está aí?

 

Ramon

Me ama, aposto.

 

Milena

Amo? Acho pouco provável.

 

Ramon

Então deve ser desejo.

 

Milena

Mais fácil.

 

Ramon

Você é divertida.

 

Milena

Que aleatório.

 

Ramon

Toquei uma punheta dia desses pensando em ti.

 

Milena

Que romântico. O que pensou?

 

Ramon

Te pegando no chuveiro,  de costas,  com um vestido branco com detalhes em flor ou coisa do tipo. Foi depois da nossa última conversa.

 

Milena

Me toquei pensando em você depois da nossa última conversa.

 

Ramon

Não tenho que ser romântico com você. Aliás,  não consigo ser.

 

Milena

A vida e suas sincronicidades … Mas por que não consegue?

 

Ramon

Porque não é preciso. A gente se entende sem precisar de romantismo.

 

Milena

É… Até agora percebo isso como algo bom. Mas estamos bem no plano da fantasia, né?

 

Ramon

Tu sabes fazer massagem?

 

Milena

Nunca fiz.

 

Ramon

Ia pedir uma.

 

Milena

Tu podes me ensinar.

 

Ramon

Mas é massagem normal, para relaxar.

 

Milena

Devo saber. Não deve ser difícil.

 

Ramon

Gostas de motel?

 

Milena

Não.

 

Ramon

Meninas…

 

Milena

Tu gostas?

 

Ramon

Essa não é a questão. Mas por que você não gosta?

 

Milena

Não sei. Não me sinto confortável. Mas depende. Tem uns que são ótimos. Não curto camas redondas.

 

Ramon

No motel, transo no chão.

 

Milena

Por quê?

 

Ramon

Ainda não parei para pensar sobre o porquê.

 

Milena

Já transei no chão. Mas faz muito tempo. Hoje fez quatro meses que não transo.  Não é uma data a se comemorar.

Ramon

Acho que faz muito tempo que você não transa,

 

Milena

Jung  nos explica. Sincronicidade.

 

Ramon

Prefiro os astros. É mais romântico, mesmo que não sejamos.

 

Milena

Vamos acabar sendo, de tanto não ser.

 

Ramon

Podemos não ser, mas somos.

 

Milena

Na verdade, não somos muita coisa agora. Somos algo que poderia ser e que talvez seja um dia. Talvez…

 

Ramon

Prefiro não ser. Mesmo sendo.

 

Milena

Prefere? Prefiro ser algo. Mesmo que depois vire nada. Fez sentido pra ti?

 

Ramon

Entendi errado. Já que nada serei, por que não preferir n ser? Eu prefiro ser muitas coisas como prefiro não ser outras tantas.

 

Milena

Acho que as vezes vale o risco de tentar.

 

Ramon

Não tenho problemas em tentar.  Meu problema não é receio ou medo.  Sou homem de princípios (ainda que muitos deles tortos) e que tem conceito sólido sobre muitas coisas. Ainda que seja um rapaz flexível.

 

Milena

Que confuso. Fale a verdade, tu és bem pouco flexível.

 

Ramon

Nada.  Sou muito.

 

Milena

Não conheço muito dessa sua face então.

 

Ramon

Você tem uma bela vagina?

 

Milena

O quê?

 

Ramon

Se a acha bonita.

 

Milena

Não sei. Nunca pensei sobre isso.

 

Ramon

Vaginas podem ser bonitas para você?

 

Milena

Acho que não.

 

Ramon

Como não?

 

Milena

Só não acho vaginas bonitas.

 

Ramon

Eu tenho um pênis bonito.

 

Milena

Bom para você.

 

Ramon

Eu falei muito sobre mim nessa frase. Entendeste?

 

Milena

Acho que não completamente.

 

Ramon

Eu digo A e falo de B a Z. Você deveria ficar esperta.

 

Milena

Disso eu sei.

 

Ramon

Pula.

 

Milena

Tu me exiges demais. Nem sempre estou com a esperteza ligada.

 

Ramon

Tudo bem. Preciso ir.

 

Milena

 

Na lanchonete próxima à faculdade. Vibra.

Milena

Acho que sonhei contigo. Pela décima vez.

 

Ramon

Desejo, motel, vagina, punheta, pênis. Sonho.

 

Milena

Já é um título de texto.

 

Ramon

Não!  O título virá depois da trepada.

 

Milena

A real ou a da fantasia?

 

Ramon

Já transei com você na fantasia.

 

Milena

E eu algumas vezes em sonho.

 

Ramon

Transo bem?

 

Milena

Deveras bem.

 

Ramon

Um dia quero saber como transo. Você não pode fazer isso comigo. Me deixar sem saber.

 

Milena

Te digo um dia. E eu? Transo bem?

 

Ramon

Você é bem submissa. Do jeito que gosto. Gostas de ser mordida.  E apanhar na bunda até ficar vermelha. Gostas de ser penetrada virada para a parede.

 

Milena

Gosto de ficar de quatro?

 

Ramon

E sentir meu pau entrando forte. Nunca transamos nessa posição. Só te pego no chuveiro.

 

Milena

Transamos sim. No chuveiro é bom. Essa madrugada, transamos no banheiro.

 

Ramon

Já comi você no banheiro masculino do Cinema do Dragão. Podemos foder daqui a pouco de novo.

 

Milena

Acho que vamos. No banheiro masculino do Dragão? Parece interessante. Semana passada, transamos em seu apartamento. No seu sofá.

 

Ramon

Podemos repetir.

 

Milena

Com certeza. Foi tão bom. Eu gozei com você dentro de mim, puxando meu cabelo.

 

Ramon

Você prefere quando saímos para um motel ou na minha cama?

 

Milena

Num motel.

 

Ramon

Mesmo você odiando camas redondas?

 

Milena

Ainda assim prefiro.

 

Ramon

Repitamos qualquer dia desses.

 

Milena

Talvez.

 

Ramon

Nunca usei a palavra repitamos antes.

 

Milena

É pouco usual.

 

Ramon

Pois é.  Caiu bem aqui.

 

Milena

Uma primeira vez comigo. Que bonito.

 

Ramon

Nem vem.

 

Milena

Vou não.

 

Ramon

É possível que eu vá ao Dragão amanhã. No fim da tarde. Tenho que sair. Aniversário de parentes. Abraços.

 

Milena

Tchau. Se cuida. É possível que eu vá no sábado…

 

Ramon

Vai…

 

Milena

Tchau.

 

Ramon

Beijos!

 

Noite escura. Cama. Vira para um lado e para outro. Ela, na tela ela. Ele se toca, pensa nela. Deitada de bruços, costas nuas. Gozo. Nervosa tecla.

Milena

Angústia.

 

Ramon

Como?

 

Milena

Muito angustiada aqui.

 

Ramon

Por quê?

 

Milena

Não sei. Isso é o que me mata.

 

Ramon

Ansiedade?

 

Milena

Deve ser.

 

Ramon

Consegue se masturbar?

 

Milena

Sim, por quê?

 

Ramon

Porque relaxa. E a ansiedade se vai.

 

Milena

Nem funciona mais.

 

Ramon

Então é sério.

 

Milena

É… Sinto que estou entrando em um quadro grave de depressão.

 

Ramon

Vá à praia. Pegue o sol. Saia com pessoas felizes. Se abra. Chore Coloque tudo para fora. Não guarde pra si. Depressão é para ser compartilhada.

 

Milena

Estou tentando. Estou falando com você.

 

Ramon

Procure pessoas felizes.

 

Milena

Verdade. Mas acho que não conheço pessoas felizes. Onde encontro elas?

 

Ramon

Conheço várias. Daquelas que irritam. Sempre achei que pessoas felizes demais são as mais tristes.  Querem esconder a tristeza grande que mora ao lado.

 

Milena

Eu geralmente não me vinculo com pessoas muito felizes.

 

Ramon

Por isso estás tão triste.

 

Milena

Elas são chatas. Não compreendo tanta felicidade.

 

Ramon

 

Milena

Ainda aí?

 

Ramon

 

Milena

 

Ramon

Oi?

 

Milena

 

No ônibus lotado. Uma criança vomitou nas primeiras cadeiras próximas ao motorista. O cheiro insuportável. Espera descer na próxima parada. Senta. Aguarda o próximo. Ela.

Milena

Oi, simpatia.

 

Ramon

Olá.

 

Milena

Nossa! Tu respondes.

 

Ramon

Quando vejo… Escuta e chora. (Uma versão de Creep, do Radiohead)

 

Milena

Boa versão. Mas vejo essa música como algo doído, dá vontade de morrer. E não de foder.

 

Ramon

Foder? Quem falou em foder?

 

Milena

 

Ramon

Oi?

 

Milena

 

Outro dia de aula. Na mesa vibra call. Pede um segundo aos alunos. Que todos façam as lições das páginas 75 e 76 do caderno de atividades. Corredor.

Milena

Oi, criatura. Como estás?

 

Ramon

Com sono.

 

Milena

Trabalhando? Lembrei-me de ti dia desses.

 

Ramon

Você sempre se lembra de mim. Faz parte.

 

Milena

Não sempre, mas com mais frequência do que seria normal. Estou tentando lembrar uma música que me mandaste há uns três dias e não lembro. Ajuda. Foi a primeira música que mandou. Lembro que em algumas partes tem “your eyes”. O disco tem alguma coisa de hurt ou heart. Acho que o cantor começa com J…

 

Ramon

Não falei com você há três dias.

 

Milena

Falou não. Mas o que tem a ver? Estava a fim de ouvir a música.

 

Ramon

“Estou tentando lembrar uma música que tu me mandou há uns três dias e não lembro”.  Não falei com você nos últimos três dias.

 

Milena

Há três dias é o tempo que tento lembrar.

 

Ramon

A frase não foi construída direito.

 

Milena

Foi não.

 

Ramon

“Há três dias estou tentando lembrar…” Foi Heart do Jimmy Gnecco?

 

Milena

Isso! Obrigada

 

Ramon

Precisando…

 

Milena

A gente sempre precisa né?

 

Ramon

Tenho que ir.

 

Milena

Beijos.

 

Ramon

Abraços.

 

Em casa. Os livros didáticos na cama denunciam o dia seguinte de prova. Chama.

Milena

As vezes parece que a gente tem é que gritar.

 

Ramon

Como assim?

 

Milena

Nem sempre pedir com palavras é passível de compreensão.

 

Ramon

Não entendo. O que queres dizer?

 

Milena

Deixa pra lá.  Escapou. Adoro essa música.

 

Ramon

Vá à merda! Odeio essa enrolação. Gosto das coisas diretas, sem rodeios.

 

Milena

Certo.  Do que você tá precisando?

 

Ramon

Nada. Mas você, às vezes, não é direta. Não tenha medo comigo. Eu sou um homem sem pudores.

 

Milena

Não tenho. Já tive. Tenho mais não.

 

Ramon

Pois quando quiser me dizer algo, diga. Não me enrole e não se enrole.

 

Milena

Certo. Tu queres me dizer algo?

 

Ramon

Estou falando para o teu bem. Para o nosso bem. Estou falando de você e não de mim. Estou tranquilo.

 

Milena

A gente mal existe, rapaz. Mal lembro a cor dos seus olhos. Escrevi um texto pensando em você. Olha. (um ano antes)

 

Ramon

Em junho do ano passado?

 

Milena

Sim. Quero feedback.

 

Ramon

 

Milena

Ainda aí?

 

Ramon

 

Ela olha para o espelho. Pensamentos suicidas. Toca. É ele.

Ramon

Leria esse texto que fiz? É sobre sonhos que se sonha acordado.

 

Milena

Claro.

 

Ramon

Nossa! Angustiante e atormentador. Eu diria que daria um bom mote para um livro,  mas eu teria medo sobre o que sairia. Não conhecia esse teu lado tão sombrio.

 

Ramon

Isso surgiu quando fui  dar um sermão a um aluno, coitado. Estava zonzo de sono. Tentei falar com ele por três vezes, e na terceira surgiu a ideia. Aconteceu hoje na aula. Vou dormir, estou com muito sono.

 

Milena

Horário que dá sono.

 

Ramon

Vou indo.

 

Milena

Bons sonhos.

 

Ramon

Sonhe comigo.

 

Milena

Está bem.

 

Ramon

Agora me abrace.

 

Milena

Tá.

 

Ramon

Me beije.

 

Milena

Certo.

 

Ramon

Durma comigo esta noite.

 

Milena

Todas.

Ele desliga. Ela desconecta. Deita na cama só de cueca e o ventilador ao lado. Fecha os olhos e reza o pai nosso. Ela vai para a frente do espelho. Pensamentos suicidas. Seios à mostra, calcinha branca com corações vermelhos. Tira uma foto, aquela que ele pediu, só com partes do corpo. O seio, tão lindo, pequeno e juvenil. Enviar? Reconecta.

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Lançamentos · Literatura

Claudia Giudice lança A Vida Sem Crachá

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Jornalista escancara a dor da demissão e o processo de dar a volta por cima com um Plano B

Claudia Giudice trabalhou por 23 anos na maior editora de revistas do país. Por quase uma década, a jornalista foi executiva e responsável por quatro dezenas de títulos. Era uma máquina de fabricar projetos inovadores e cumprir metas – com distinção e louvor – de uma frequência espartana.

Em agosto de 2014, seu castelo ruiu quando seu nome entrou no maior corte de chefia jamais feito pela empresa. Para lidar com a dor da perda, a jornalista criou um blog e começou a fazer “terapia em praça pública”. Com coragem e despudor, publicou diuturnamente sobre suas tristezas, descobertas, trapalhadas e, principalmente, sobre sua determinação em dar a volta por cima.

A expiação da dor, felizmente, teve fim. Os textos passaram a tratar de superação, projetos, planejamento e aprendizados ricos em dicas para pessoas criarem – abraçarem e fazerem dar frutos – planos B. Claudia tinha uma vantagem: já estava com seu plano B funcionando. Ela é sócia fundadora de uma linda e iluminada pousada em Arembepe, litoral Norte da Bahia.

No início deste verão, a ideia do livro cristalizou. Em menos de um ano, Claudia trabalhou incansavelmente seu texto original e bem estruturado na elaboração da obra. Aceitou conselhos, mudou enfoques e fez uma obra única e consistente. “O livro foi escrito com o fígado, editado com o coração e revisado com o olhar de quem espera compartilhar experiência com centenas de milhares de pessoas que estão passando pelo processo de perder o crachá e partir para um plano B”, diz a autora.

Escrito com linguagem jornalística, como se fosse uma conversa de café ou botequim, A Vida Sem Crachá traz histórias de gente empreendedora, conselhos de especialistas, ideias para quem quer empreender e a experiência pessoal e intransferível da jornalista que descobriu o que é um “viral orgânico” ao publicar um texto no qual descrevia a perda do crachá: “senti como se tivessem arrancando a minha pele”. “Percebi que tinha tocado em uma profunda ferida ao receber mais mais mil mensagens de pessoas que também tinha sido demitidas e que compartilhavam comigo os mesmos sentimentos”, conta Claudia.

 

Sobre a autora:

Claudia Giudice, 49 anos, paulistana, sempre soube que queria ser jornalista e dona de pousada. Formou-se na década de 1980 na PUC-SP. É mestre em jornalismo comparado pela USP. Em 30 anos de carreira, fez de tudo um muito. Foi repórter sindical, editora da revista de consórcio, redatora de títulos segmentados, editora de semanal de informação, de semanal de celebridades e de semanal popular. Lançou revistas que já fizeram muito sucesso e deixaram de fazer. Viajou meio mundo a trabalho e conheceu Londres porque foi escalada para cobrir a morte da princesa Diana. Virou publisher e depois diretora superintendente, porque também gosta de números. Desde setembro de 2014, trabalha, de quinta a segunda, na Pousada A Capela, em Arembepe, na Bahia. De segunda a quinta, mora em São Paulo, onde foi contratada por ela mesma para escrever.

 

Ficha Técnica:

Título: A vida sem crachá

Autor: Cláudia Giudice

Formato: 15,5 x 23 cm

ISBN: 9788522031740

Páginas: 208

Preço: R$ 24,90

Editora: Agir

Lançamentos · Literatura

Alessandra Roscoe explica a situação atual vivida pela literatura infantil brasileira

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A produção literária infantil, assim como o seu consumo, tem crescido no Brasil, na mesma proporção em que o mercado editorial brasileiro como um todo, e novos escritores voltados para esse público estão surgindo e fazendo uma verdadeira revolução no modo de contar histórias para as crianças. Alessandra Roscoe é uma dessas escritoras da nova geração, que tem buscado fazer a diferença, se distanciando do que ela denomina de “onda do politicamente correto”, e encontrando novas formas de inserir este público no interesse pela leitura.

Jornalista por formação, ela trabalhou até 2007 conciliando a escrita com o dia a dia no jornalismo, mas desde então, tem se dedicado exclusivamente à literatura. Ela explica que o caminho é árduo, e que para manter-se na profissão é preciso participar de editais que permitam ao artista realizar seus projetos. “É trabalhoso, burocrático, mas há possibilidades. Eu não sobrevivo de Direitos Autorais, recebo também pelas palestras, oficinas, participações em eventos literários e pelos projetos que administro e com os quais concorro em editais públicos”, disse.

A escritora destaca ainda que não dá para asasumir uma postura acomodada. “Eu não quis mais deixar a escrita como uma atividade complementar, decidi me dedicar integralmente, trabalho um bocado, mas não me arrependo nem um pouco do caminho que escolhi”.

“Mineira de Brasília”, Alessandra Roscoe nasceu em Uberaba – MG e foi para o Cerrado com três anos de idade. Em Brasília, estudou, se formou, conheceu o marido (o namorado da adolescência que está a seu lado até hoje) e teve seus três filhos. Trabalhou por mais de 20 anos como repórter, passando por emissoras de rádio, jornais, revistas e TV. Ela trocou as histórias de verdade de gente de verdade, pelos mundos inventados por conta dos filhos. Foi a maternidade e um pedido da filha mais velha, numa noite insone que a puxou de vez para a escrita literária profissional.

“Devo isso à ela!Hoje são 25 livros e uma paixão que não cabe só em mim! Depois de ler muito e escrever, veio também a vontade de dividir as maravilhas todas que a literatura já tinha me dado”. Desta feita criou oficinas para grávidas: Aletramento Fraterno; para bebês: Experimente a palavra e Caixinha de guardar o tempo: para idosos e pacientes de Alzheimer.

Em 2009 criou o UNI DUNI LER, um clube de bebês leitores e em 2012, o UNI DUNI LER todas as letras (http://unidunilertodasasletras.wordpress.com), um Festival Itinerante de Leitura que percorre creches e asilos públicos no Distrito Federal. Ela ainda tem um blog pessoal para ficar mais perto dos leitores – http://contoscantoseencantos.blogspot.com Além dos livros,  Roscoe tem alguns livros com cds de músicas autorais e realiza shows de histórias e cantigas, tendo, inclusive, o primeiro livro adaptado para um curta de animação no cinema. A menina que pescava estrelas.

Eu tive a honra de bater um papo contagiante com a escritora, e você pode conferir na íntegra a seguir:

– O mercado de literatura infantil no Brasil cresceu muito ao longo dos anos, assim como a literatura em geral. Como os escritores podem contribuir para que a literatura infantil siga crescendo e com qualidade?

Primeiramente, acho que não se rendendo à esta onda do politicamente correto e pedagógico na literatura! Eu acredito na leitura por prazer, como escolha e é este o foco de todo o meu trabalho. Não vejo nenhum problema quando a pedagogia se apropria da literatura, mas o inverso é muito prejudicial e principalmente na literatura infantil e para os jovens.

Aquela história de que livro infanto-juvenil precisa ter moral, ensinamento, não pode tratar deste ou daquele assunto é balela. Acho que os escritores e os editores precisam acreditar no poder do literário de verdade. Nas possibilidades todas que um bom livro abre para que o leitor possa se descobrir também no olhar do outro, nas vivências reais e ficcionais que uma história bem escrita permite.

A escola tem sim um papel muito importante na formação dos leitores, mas precisa entender que um leitor bem formado é o que procura o livro para nada e que neste nada encontra o seu tudo. Sou avessa às tais fichas literárias e atividades complementares que se apoderam de livros para ensinar conceitos e atitudes, ou pior, que encomendam “livros” ( que podem até ser livros, mas deixam de ser literários) para “trabalhar” temas e ensinamentos.

– Dá para se falar em literatura de qualidade e literatura sem qualidade?

Claro que dá! O mercado de literatura, principalmente o infantil, cresceu e cresce muito no Brasil. Acho que temos hoje muitos livros de qualidade indiscutível, com bons textos, ilustrações bem cuidadas e projetos gráficos caprichados. Mas há também muito lixo disfarçado de literatura e isso é preciso que se diga. Tem muita gente que acha que escrever para criança é encher páginas de diminutivos, ilustrar como se estivesse desenhando para cartilhas dos anos 70 e imprimir no papel mais barato para ganhar dinheiro.

– Como o mundo tem visto a literatura infantil brasileira lá fora?

Acho que de uns tempos para cá, a literatura infantil brasileira vem sendo vista de outra forma lá fora. Muitas editoras fazem questão de participar de eventos como a Feira de Bolonha na Itália, a de Frankfurt, na Alemanha e dada a qualidade do que vem sendo produzido aqui, algumas editoras deixaram de ir a estes eventos apenas para comprar direitos autorais de livros de fora para vender dos Brasileiros.

Ano passado o ilustrador Roger Mello foi agraciado com o Hans Christian de Ilustração, um prêmio considerado da maior importância. Este ano temos outras duas brasileiras indicadas ao Prêmio, a escritora Marina Colassanti e a ilustradora Ciça Fitipaldi. Acho que ainda temos um longo caminho, para conseguirmos fazer livros bonitos com um custo que os coloque lá fora, mas que também consiga fazer com que tenham mercado aqui dentro, mas estamos caminhando neste sentido.

-Nossa produção se iguala ao que é feito em outros países?

Acho que precisamos melhorar, na maioria dos casos, a qualidade gráfica mesmo, livros com papel melhor, capa dura, projetos bem cuidados. Eles existem, mas ainda são minoria no catálogo das editoras.

– Há incentivo neste campo da literatura?

Os editores e as gráficas alegam que é muito caro produzir livros com alto padrão, recortes, capa dura, pop-up. As editoras que fazem, mandam fazer fora do país para garantir redução dos custos e muitas vezes por conta disso, não podem entrar na concorrência para vender para o governo. Aliás, o Brasil é um dos países em que o governo mais compra livros e, de certa forma, as editoras começaram a ficar dependentes demais deste grande cliente. Isso acabou criando uma distorção grave, pois os preços precisam ser competitivos e em alguns casos a qualidade é deixada em segundo plano.

– Os eventos dedicados especificamente à literatura  infantil são suficientes para uma boa difusão deste tipo de texto?

Hoje há um “boom”de festas e eventos literários. Alguns realmente levam os livros, os autores e leitores a um encontro bacana. Há hoje em grandes e pequenas cidades, em escolas e bibliotecas uma profusão de Feiras. Muitas são apenas comerciais, mas são inúmeras as que realmente provocam a coceira sem volta da paixão literária. Acho que são sempre positivos os eventos que não visam apenas vender livros a qualquer custo.

– O que seus leitores podem esperar para os próximos meses?

Comecei a colocar no papel um romance adulto que mora em mim há mais de dez anos e que fala de amizade.É um romance epistolar que celebra também o velho hábito das cartas. Além do trabalho direto nos livros, há os que surgem a partir deles, como a participação em Feiras e Festas Literárias pelo Brasil. Realizo também as oficinas permanentes com foco em leitura para grávidas e bebês e o trabalho de leitura e memória com os idosos.

Literatura

Câmara Cearense do Livro quer melhores condições para produção literária no Estado

Câmara Cearense do Livro pediu apoio de parlamentares na sede da Fiec

A Câmara Cearense do Livro (CCE) reuniu na manhã de segunda-feira (10), durante café da manhã na cobertura da Federação das Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), parlamentares, representantes do setor gráfico, produtores e autores do Estado, para discutir a possibilidade de se criarem melhores condições para a produção literária no Ceará. De acordo com Lucinda Marquês, presidente da CCE, a ideia do encontro foi abrir um diálogo com o parlamento para que as demandas do segmento sejam conhecidas e possam vir a ser atendidas.

Ela destacou dentre os vários pontos que o setor reclama, a maior produção no Ceará de obras didáticas e paradidáticas. Hoje, destacou, grande parte do material utilizado, por exemplo, no nível didático, é produzido por editoras de fora do Ceará, com maior volume oriundo do Rio de Janeiro e de São Paulo, além do Paraná.

Segundo Lucinda, essa cartelização poderia ser combatida caso houvesse uma política voltada ao aproveitamento do material aqui produzido, pois, de acordo com ela, nosso parque gráfico não deixa nada a desejar aos dos demais estados da federação. Ela cita ainda a qualidade das obras cearenses como outro componente a ser levado em conta.

Lucinda ressalta como proposta principal para que essa questão venha a ser resolvida, a criação de cotas regionais de produção de livros. Outros pontos, destacou, seriam a ampliação de feiras culturais pelo interior e um maior volume de publicações a ser contemplado em editais públicos.

Para o deputado federal José Airton Cirilo (PT), líder da bancada federal cearense, o pleito da CCE precisa ser entendido como uma questão de Estado, e não apenas de governo. Ele ressaltou que objetivamente muitas das propostas da CCE já constam do Plano Nacional de Educação (PNE) e que agora seria necessário reforçar essas ações.

O parlamentar afirmou que a proposta de regionalização da produção é uma pauta antiga e vem sendo adotada pelos governos Lula e Dilma, e que a questão cultural também requer essa atenção. Participaram do encontro, além de José Airton, os parlamentares federais Raimundo Gomes de Matos (PSDB) e Odorico Monteiro (PT), e os estaduais Carlos Matos (PSDB) e Roberto Mesquita (PV).

do portal do Senai-CE

Lançamentos · Programação

Mostra New Queer Cinema chega a Fortaleza

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A CAIXA Cultural Fortaleza apresenta, de 11 a 23 de agosto, a mostra de cinema New Queer Cinema (NQC) – Cinema, Sexualidade e Política. Os 27 filmes exibidos de língua inglesa abordam formas alternativas de sexualidade, além de quatro títulos nacionais lançados entre 2013 e 2014. Ao todo, 14 longas, quatro médias e nove curtas.

Filmes cearenses também integram a programação, como os longas Doce Amianto e O Animal Sonhado – esse último será exibido na pré-estreia do evento, no dia 11 de agosto (terça-feira), às 20h, com a presença dos diretores. Além de Fortaleza, a mostra já passou pelo Rio de Janeiro (junho), e também deve circular por Salvador, São Paulo e Curitiba.

A mostra pretende apresentar ao público a produção do New Queer Cinema, um movimento de cineastas norte-americanos e britânicos que, na virada dos anos 1980 para os anos 1990, realizaram filmes de uma maneira política e ousada, que desafiavam normas politicamente corretas com as quais Hollywood e a televisão norte-americana passavam a tratar a homossexualidade.

Os artistas respondiam a falta de ações do governo e da sociedade durante a crise da AIDS criando filmes desafiadores que até hoje mantêm uma influência decisiva no cinema contemporâneo, incluindo nesse contexto o brasileiro.

Debates: Com curadoria de Denilson Lopes e Mateus Nagime, a mostra NQC também promove dois debates: dia 13 (quinta-feira), Um novo cinema queer brasileiro? e, dia 20, Performance e História. Além dos curadores, compõem as mesas o pesquisador André Antônio e o realizador Uirá dos Reis; e o pesquisador Chico Lacerda e o artista/pesquisador Pablo Assumpção, respectivamente.

“O objetivo da mostra é reavaliar esse intervalo de 25 anos, a relevância e o impacto do New Queer Cinema e o que ele representa na sociedade contemporânea, com novos debates e questões. Alguns filmes raros – especialmente curtas seminais da época – não tiveram sessões públicas no país. Também propomos pensar o que significa os poucos representados filmes queer brasileiros contemporâneos”, explica Nagime.

Durante a mostra, será lançado um livro-catálogo sobre o tema e seus antecedentes cinematográficos, políticos e acadêmicos. O material impresso contemplará traduções de textos relevantes sobre o NQC, fotos, sinopses e fichas técnicas dos filmes selecionados pela mostra, além de artigos inéditos de pesquisadores, críticos e artistas que trabalham com questões relacionadas a cinema e sexualidade.

“Rever os filmes é pensar como a questão das dissidências sexuais pode se colocar além das hetero e homonormatividades, ou seja, para além de padrões aceitáveis de sexualidades e afetos, tanto entre heterossexuais quanto homossexuais. Este é um momento particularmente especial em que a produção cinematográfica brasileira – especialmente por meio de uma nova geração – parece estar mais sensível a essa discussão, bem como a necessidade de criar pontes de diálogo ou acentuar os confrontos de forma criativa”, complementa Denilson Lopes.

O cearense O Animal Sonhado está entre os filmes que serão exibidos na Mostra.
O cearense O Animal Sonhado está entre os filmes que serão exibidos na Mostra.

 

Programação Fortaleza

 

Terça, 11/08

20h – Abertura

O Animal Sonhado (2015, 79min) de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes

Classificação indicativa: 18 anos

*Com a presença dos diretores

 

Quarta, 12/08

16h

Urinal / Pissoir (1989, 100m) de John Greyson

Classificação indicativa: 18 anos

 

18h

Doctors, Liars & Woman / Doctors, Liars & Woman: Aids Activists Say No To Cosmo (1988, 23min) de Jean Carlomusto, Maria Maggenti

The Making of Monsters (1991, 35min) de John Greyson

Classificação indicativa: 12 anos

 

20h

Tatuagem (2013, 110min) de Hilton Lacerda

Classificação indicativa: 16 anos

 

Quinta, 13/08

16h

It’s a Sin (1987, 5min) de Derek Jarman

Eduardo II / Edward II (1991, 87 min) de Derek Jarman

Classificação indicativa: 16 anos

 

18h

The Dead Boys’ Club (1992, 26min) de Mark Christopher

Doce Amianto (2013, 70min) de Guto Parente, Uirá dos Reis

Classificação indicativa: 16 anos

 

20h

Debate 1

Um Novo Cinema Queer Brasileiro?

Mediação: Mateus Nagime

André Antonio (pesquisador)

Uirá dos Reis (realizador)

 

Sexta, 14/08

16h

Tongues Untied (1989, 55min) de Marlon Riggs

Seams (1993, 29min) de Karim Ainouz

Classificação indicativa: 14 anos

 

18h

The Queen is Dead (1986, 13min) de Derek Jarman

Batguano (2014, 74min) de Tavinho Teixeira

Classificação indicativa: 18 anos

 

20h

The Living End / The Living End (1992, 92min) de Gregg Araki

Classificação indicativa: 18 anos

 

Sábado, 15/08

16h

Fast Trip, Long Drop (1994, 54min) de Gregg Bordowitz

Looking for Langston (1989, 45min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 14 anos

 

18h

Estudo em Vermelho (2013, 16min) de Chico Lacerda

Veneno / Poison (1991, 85min) de Todd Haynes

Classificação indicativa: 16 anos

 

20h

Nation (1992, 1min) de Tom Kalin

Swoon – Colapso do Desejo / Swoon (1992, 93min) de Tom Kalin

Classificação indicativa: 18 anos

 

Domingo, 16/08

15h

The Watermelon Woman (1991, 90min) de Cheryl Dunye

Classificação indicativa: 12 anos

 

17h

Paciência Zero / Zero Patience (1993, 97min) de John Greyson

Classificação indicativa: 14 anos

 

19h

Young Soul Rebels (1991, 105min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 16 anos

 

Terça, 18/08

16h

Garotos de Programa / My Own Private Idaho (1991, 104 min) de Gus Van Sant

Classificação indicativa: 18 anos

 

18h

Urinal / Pissoir (1989, 100m) de John Greyson

Classificação indicativa: 18 anos

 

20h

Tatuagem (2013, 110min) de Hilton Lacerda

Classificação indicativa: 16 anos

 

Quarta, 19/08

16h

Doctors, Liars & Woman / Doctors, Liars & Woman: Aids Activists Say No To Cosmo (1988, 23min) de Jean Carlomusto, Maria Maggenti

The Making of Monsters (1991, 35min) de John Greyson

Classificação indicativa: 12 anos

 

18h

The Dead Boys’ Club (1992, 26min) de Mark Christopher

Doce Amianto (2013, 70min) de Guto Parente, Uirá dos Reis

Classificação indicativa: 16 anos

 

20h

It’s a Sin (1987, 5min) de Derek Jarman

Eduardo II / Edward II (1991, 87 min) de Derek Jarman

Classificação indicativa: 16 anos

 

Quinta, 20/08

16h

Estudo em Vermelho (2013, 16min) de Chico Lacerda

Veneno / Poison (1991, 85min) de Todd Haynes

Classificação indicativa: 16 anos

 

18h

Nation (1992, 1min) de Tom Kalin

Swoon – Colapso do Desejo / Swoon (1992, 93min) de Tom Kalin

Classificação indicativa: 18 anos

 

20h

Debate 2

Performance e História

Mediação: Denilson Lopes

Chico Lacerda (pesquisador)

Pablo Assumpção (artista e pesquisador)

 

 

Sexta, 21/08

16h

The Living End / The Living End (1992, 92min) de Gregg Araki

Classificação indicativa: 18 anos

 

18h

The Watermelon Woman (1991, 90min) de Cheryl Dunye

Classificação indicativa: 12 anos

 

20h

The Queen is Dead (1986, 13min) de Derek Jarman

Batguano (2014, 74min) de Tavinho Teixeira

Classificação indicativa: 18 anos

 

Sábado, 22/08

16h

Tongues Untied (1989, 55min) de Marlon Riggs

Seams (1993, 29min) de Karim Ainouz

Classificação indicativa: 14 anos

 

18h

Fast Trip, Long Drop (1994, 54min) de Gregg Bordowitz

Looking for Langston (1989, 45min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 14 anos

 

20h

Na Sua Companhia (2012, 22min) de Marcelo Caetano

No Skin Off My Ass (1991, 73 min) de Bruce LaBruce

Classificação indicativa: 18 anos

 

Domingo, 23/08

15h

Paciência Zero / Zero Patience (1993, 97min) de John Greyson

Classificação indicativa: 14 anos

 

17h

Young Soul Rebels (1991, 105min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 16 anos

 

19h

This is Not an AIDS Advertisement (1987, 14min) de Isaac Julien

O Animal Sonhado (2015, 79min) de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima, Victor Costa Lopes

Classificação indicativa: 18 anos

 

Serviço

Cinema New Queer Cinema – Cinema, Sexualidade e Política

Local: CAIXA Cultural Fortaleza Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema Data: 11 a 23 de agosto de 2015

Abertura: 11 de agosto de 2015, às 19h (coquetel com presença dos diretores ao final do filme)

Entrada: R$ 4,00 (inteira) e R$2,00 (meia) Vendas uma hora antes de cada sessão

Música · Programação

Mile Davis e Dave Brubeck são homenageados no Dragão

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Um novo projeto musical, reunindo virtuosos instrumentistas cearenses recriando no palco obras-primas da história do jazz. É o “Ceará Jazz Series”, projeto que leva ao Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura shows com a íntegra do repertório de álbuns clássicos do jazz, reinterpretados por alguns dos mais consagrados e aplaudidos nomes da cena musical cearense. Com apoio da produtora Quitanda das Artes, do Centro Dragão do Mar e da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult), o Ceará Jazz Series estreia com dois shows neste mês de agosto, em duas sextas-feiras, sempre às 20h: dia 14 o público vai conferir a recriação do disco “Kind of Blue”, de Miles Davis, trompetista responsável por várias revoluções na história do jazz; dia 21 será a vez de apreciar a íntegra do repertório de “Time Out”, de Dave Brubeck, álbum referencial pelas experimentações rítmicas em compassos compostos.

Em cada show será apresentado o repertório completo de cada disco, recriando os álbuns originalmente lançados em 1959. As apresentações contam com uma escalação de craques do primeiríssimo time da cena instrumental cearense, referência nacional pela excelência em vários naipes, das cordas aos metais, do piano à bateria, dos compositores aos arranjadores. Os shows, que acontecem nos dias 14 e 21, no Teatro do Centro Dragão do Mar, serão precedidos de um bate-papo, às 18h, no próprio teatro, com entrada franca, em que os músicos falarão sobre como foi o trabalho de preparação da apresentação, sobre as características do disco homenageado, o desenvolvimento dos arranjos para o show, além de responder a perguntas do público. Uma atividade que reforça a característica de formação, mais um diferencial do projeto “Ceará Jazz Series”, e reforça o convite para o espetáculo que começa às 20h.

Na sexta-feira, 14/8, o show “Kind of Blue” contará com o trompetista Hugo D´Leon, os saxofonistas Márcio Resende e Ferreira Júnior, o pianista Thiago Almeida, o contrabaixista Luciano Franco e o baterista Denilson Lopes, reproduzindo a mesma formação de sexteto presente no disco, que ficou marcado pelos temas modais e que destacou “So what” e “Blue in green” como algumas das composições mais revisitadas no repertório jazzístico em todos os tempos.

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Arregimentados especialmente para o show, Hugo D´Leon, Márcio Resende, Ferreira Júnior, Thiago Almeida, Luciano Franco e Denilson Lopes, sempre entre os nomes mais requisitados para estúdios e palcos de Fortaleza e todos autores de trabalhos próprios de composição, arranjo e performance, aceitaram o desafio de revisitar a sonoridade de “Kind of Blue”, reinterpretando-a e transpondo-a para o show. Conforme define o contrabaixista Luciano Franco, trata-se de uma releitura, partindo do repertório, dos conceitos, timbres e sutilezas presentes no disco original para propor uma nova interpretação.

Na sexta-feira seguinte, 21/8, também às 20h, será apresentado o show “Time Out – Tributo a Dave Brubeck”, com a íntegra do repertório do clássico disco em que o quarteto liderado pelo legendário pianista norte-americano fez história ao explorar de modo ousado e inovador ritmos diferenciados e compassos “quebrados”, naquele que viria a ser um dos trabalhos referenciais para toda a trajetória do jazz. Também haverá o bate-papo às 18h, com entrada franca.

No show, o pianista será homenageado pelos experientes e virtuosos Márcio Resende (saxofone), Tito Freitas (piano) e David Krebs (bateria), além dos jovens – e extremamente talentosos – Hermano Faltz (guitarra) e Iury Batista (contrabaixo). O show percorrerá temas do clássico disco lançado pelo quarteto de Dave Brubeck em 1959, que se tornou um álbum referencial para a história do jazz, tanto por seu caráter progressivo e de vanguarda – explorando tempos quebrados, compassos compostos, uma variedade de ritmos desafiadores, levando ao extremo a habilidade dos músicos – quanto pela sua ampla aceitação pela crítica e pelo público, que consagrou a faixa “Take five”, do saxofonista Paul Desmond, como um enorme êxito comercial. Um “hit” radiofônico nascido do jazz.

Aclamado saxofonista e flautista, Márcio Resende, de formação jazzística no New England Conservatory e no Berklee College of Music, nos EUA, convida o público para vivenciar a energia, a inteligência e a sensibilidade da música de Brubeck. “O show é uma homenagem à musicalidade do quarteto do Dave Brubeck nesse disco. É um grande desafio reproduzir no palco a música do ‘Time Out’. Será um show muito especial para nós e também para o público”, afirma o saxofonista, celebrando a oportunidade de reapresentar o show, desta vez para o público de Fortaleza.

O público poderá conferir toda a beleza e a emblemática combinação de melodia e ritmo, simplicidade e complexidade de temas como “Blue rondo a la turk”, “Kathy´s waltz” e “Strange meadow lark”, além do clássico “Take five”. Uma oportunidade ímpar de apreciar ao vivo a genialidade que Brubeck e quarteto concretizaram no álbum “Time Out”, através de alguns dos melhores instrumentistas atuantes no Ceará.

SERVIÇO:

Projeto “Ceará Jazz Series”. Apoio: Quitanda das Artes, Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.

– Show “Kind of Blue – Tributo a Miles Davis”. Sexta-feira, 14/8. Bate-papo às 18h. Show às 20h, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Com Hugo D´Leon (trompete), Márcio Resende (saxofone tenor), Ferreira Júnior (saxofone alto), Thiago Almeida (teclado), Luciano Franco (contrabaixo) e Denilson Lopes (bateria). Ingressos: R$ 15,00 (meia R$ 7,50).

– Show “Time Out – Tributo a Dave Brubeck”.  Sexta-feira, 21/8. Bate-papo às 18h. Show às 20h, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Com Márcio Resende (saxofone), Tito Freitas (teclado), Iury Batista (baixo), Hermano Faltz (guitarra) e David Krebs (bateria). Ingressos: R$ 15,00 (meia R$ 7,50).