Cinema

E o Oscar (do coração) vai para…

Arrival, 20th Century Women, Moonlight e Toni Erdmann foram os filmes mais cativantes da temporada.
Arrival, 20th Century Women, Moonlight e Toni Erdmann foram os filmes mais cativantes da temporada.

Sentimos que La La Land já garantiu boa parte daquilo a que foi nomeado (ainda que os bolsões de aposta nos últimos dias mostrem o contrário, inclusive com Moonlight levando tudo no Spirit Awards). Dito isso, segue minha lista do coração, independente do que a Academia deve escolher e premiar.

Melhor Filme
Moonlight

Melhor Diretor
Denis Villeneuve por Arrival

Melhor Ator
Denzel Washington (Fences)

Melhor Atriz
Isabelle Huppert (Elle)

Ator Coadjuvante
Jeff Bridges (Hell or High Water)

Atriz Coadjuvante
Viola Davis (Fences)

Roteiro Original
20ht Century Women

Roteiro Adaptado
Arrival

Animação
Zootopia

Filme Estrangeiro
Toni Erdmann

Cinema

Só três atrizes ganharam Oscar sem interpretarem personagens que falam inglês

A espanhola Penélope Cruz ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante
A espanhola Penélope Cruz ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante

O que Penélope Cruz, Sophia Loren e Marion Cotillard têm em comum? Elas foram as únicas atrizes que ganharam a estatueta do Oscar sem terem interpretado papéis falados em inglês. No Oscar deste ano, a atriz francesa Isabelle Huppert, com um currículo de mais de cem filmes na carreira, é indicada pela primeira vez ao principal prêmio da indústria cinematográfica.

Até o momento, somente Sophia Loren em Duas Mulheres (1960), Marion Cotillard por Piaf (2007) e Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona (2008) conquistaram a estatueta. A atriz brasileira Fernanda Montenegro, em 1999, também disputou o Oscar de melhor atriz, pelo filme Central do Brasil, mas foi desbancada pela americana Gwyneth Paltrow.

Cinema

O mundo não está preparado para “Mulheres do Século XX”(?)

O filme concorre apenas a um Oscar neste ano, ao de melhor roteiro original
O filme concorre apenas a um Oscar neste ano, ao de melhor roteiro original

Este filme é tão bonito, tão didático, tão bem executado, tão humanista que até agora estou me perguntando qual foi o pecado cometido por seus idealizadores para que esteja concorrendo apenas a um Oscar, o de melhor roteiro original (ainda que eu ache essa a estatueta mais importante da premiação).

Temos uma Annette Bening, como sempre, com uma atuação primorosa digna de indicação; um elenco todo carismático e esforçado; uma direção sem falhas (o longa é inspirado na vida da mãe de Mike Mills) e uma história politizada, atual e bem contada.

Espero que nos comentários alguém possa me explicar o que aconteceu com  20th Century Women no decorrer do ano para que ele fosse tão mal visto pela Academia. Será que a pouca distribuição e baixa bilheteria conta tanto assim? Talvez.  Para quem não viu, e nem ouviu falar a respeito, veja e perceba que o longa chega a ser superior, inclusive, ao enfadonho Lion, que força a barra em muitos momentos.

20th Century Women, me arrisco a dizer,  está ali ao lado de Moonlight e Arrival como os melhores filmes da última temporada. Será que o problema é que ele é feminista demais? Vou para o túmulo com essa dúvida.

Bem, o filme conta a história de uma mulher cresceu durante a Depressão americana e agora, em pleno a crise da guerra fria, já nos anos 1970 (sexos, drogas e rock n’ roll) tenta criar o filha adolescente. Entram em cena para ajudar o garoto, agora com 15 anos, outra adolescente em crise existencial (a namoradinha dos sonhos do rapaz) e uma jovem artista cheia de ideias, talvez, à frente de seu tempo.

Uma história linda, cativante, política e bem contada, sem ficar cansativa ou piegas. Merecia um mínimo de seis indicações (roteiro, atriz, atriz coadjuvante, ator coadjuvante, trilha sonora e direção). Mas o longa está indicado ao Oscar de melhor roteiro original, e dificilmente levará visto as outras pedreiras na disputa.

5/5

Sinopse

Na Califórnia dos anos 70, uma mãe (Annette Bening) tenta cuidar de sua família da melhor forma possível enquanto também procura respostas para as vidas de suas duas jovens amigas – uma fotógrafa aficcionada pela cultura punk (Greta Gerwig), e uma amiga de seu filho (Elle Fanning).

 

Lançamentos · Literatura

Obra de jusfilósofo italiano Norberto Bobbio une política e direito

A Edipro, editora especializada em publicações jurídicas, lança A teoria das formas de governo – na história do pensamento político, do especialista em teorias sociopolíticas, o italiano Norberto Bobbio.

Considerado um dos maiores pensadores do direito contemporâneo, Bobbio tem uma prosa de fascínio próprio, pelo fato da vasta erudição e a clareza positiva buscada com consciência em seus discursos, e estas características transformaram o autor uma referência nos estudos na área.

Esta obra é originada de um curso universitário que o escritor ministrava em uma universidade de Turim. Leva a discussão acerca das teorias do governo a um nível mais complexo, pois traz textos clássicos, que se fundem e contrapõem, abrangendo a teoria política e a teoria jurídica.

Com uma visão sistemática, o autor demonstra os conceitos, apresentados ao longo dos séculos, das formas de governo e o impacto que cada modelo surtiu na definição da esfera relativamente autônoma da ação humana, a saber e a ação política.

A passagem de uma forma para outra parece de modo predeterminado, necessária e inderrogável. A obra discorre sobre a teoria geral sob o prisma das formas de governo. Deste modo, a política aparece em seu caráter específico, que é preciso tratar com cuidado para não se tornar expressão mecânica de relações que se dão fora de seu âmbito.

A teoria das formas de governo – na história do pensamento político é uma das obras mais importante de Norberto Bobbio, didática e discute o tema de forma enriquecedora abordando diversos pensadores clássicos, como Platão, Aristóteles, Políbio, Maquiavel, Bodin, Hobbes, Vico, Montesquieu, Hegel e Marx. Neste sentido é imprescindível que seja fonte de pesquisa para os estudiosos e interessados pelo assunto.

 

Sobre o autor: Mâitre-à-penser (mestre do pensamento) do século XX. Foi assim que o jornal francês Le Monde se referiu ao jusfilósofo Norberto Bobbio. Nasceu em Turim, em 18 de outubro de 1909. Formou-se em Filosofia e Direito, e foi jornalista e professor emérito das universidades de Turim, Paris, Buenos Aires, Madri e Bolonha. “Cada vez sabemos menos”, essa é uma das impactantes frases deste grande pensador que publicou mais de 20 obras e foi um apaixonado por teoria política e direitos individuais. Na Segunda Guerra Mundial, Bobbio fez parte do movimento de Resistência, ligando-se a grupos liberais e socialistas que combatiam a ditadura do fascismo. Foi um ponto de referência no debate intelectual e político de seu tempo, e continua a ser para aqueles que defendem a democracia. Em 1984 foi nomeado senador vitalício pelo presidente italiano Sandro Pertini, e faleceu em 2004, aos 95 anos.

Tradução: Luiz Sérgio Henriques – é tradutor e um dos editores das Obras de Antonio Gramsci, em português. Com Giuseppe Vacca e Alberto Aggio, organizou o volume Gramsci no seu tempo (Contraponto & Fundação Astrojildo Pereira, 2010). Na Fundação Astrojildo Pereira, dirige a coleção Brasil & Itália. Traduz autores de orientação marxista ou do campo humanista, como o próprio Norberto Bobbio, Primo Levi, Silvio Pons e Giuseppe Vacca. Colabora, entre outros veículos, na revista Política democrática e no Estado de S. Paulo. Desde 1998, edita o site Gramsci e o Brasil (www.gramsci.org).  

 

Ficha técnica:

Autor: Norberto Bobbio

Tradução: Luiz Sérgio Henriques

Páginas: 208

Tamanho: 14x21cm

ISBN: 978-85-7283-992-1

Preço: R$ 49,00

Lançamentos · Literatura

A distopia de uma guerra de 100 anos

imagem_release_869560
James L. Gelvin, em Israel x Palestina – 100 anos de guerra, relata a tensão constante, os argumentos ilógicos e o massivo desperdício de vidas que acontece na Terra Santa

Complexos, históricos e violentos, os conflitos que permeiam a chamada “Terra Santa” já atravessam mais de um século. E para trazer luz a essa história, a Edipro, editora dos clássicos, lança neste mês a premiada obra Israel x Palestina – 100 anos de guerra, de James L. Gelvin, professor especializado em história do Oriente Médio.

Neste livro, o autor narra a disputa que produz uma constante tensão entre israelenses e palestinos, divididos por diferentes visões políticas e religiosas, e que movimentam grandes lideranças e organizações mundiais.

O relato de Gelvin aborda a criação, a evolução, a interação e a definição mútua dessas duas comunidades-nação. Ele trata da lógica interna que levou a esse conflito e das condições históricas que delimitaram o seu curso. E explica porque a questão Israel x Palestina ganhou características únicas, e pode ser compreendida como uma das mais relevantes questões da era moderna.

Esta premiada narrativa entrelaça de maneira habilidosa rascunhos biográficos, relatos de testemunhos, poesia, ficção e documentos oficiais para posicionar os eventos da Palestina dentro do contexto da história global.

Um livro indicado para estudiosos e todos aqueles interessados na ampla relevância do conflito israelense-palestino, na sua condição no contexto global e nos rumos da sociedade mundial.

Esta obra possibilitará aos sistemas escolares o acesso a um estudo de caráter histórico, que poderá contribuir com uma visão isenta de preconceitos e de informações imprecisas.

A arte da capa foi elaborada pelo diretor de arte Paulo Damasceno, que fundiu o mapa da região do conflito, com um muro baleado e o título em tipografia de malha de aço, chegando a um dramático e realista resultado.

 

Sobre o autor: James L. Gelvin é um professor de história do Oriente Médio. Ele tem lecionado na prestigiada Universidade da Califórnia desde 1995 e tem escrito sobre a história moderna da região com ênfase em temas como o nacionalismo e cultura e sociedade. Formado pela Universidade Columbia em 1983, é Mestre pela Escola de Relações Internacionais da Universidade de Columbia e PhD pela Universidade de Harvard. Foi professor visitante na Universidade de Beirute.

 

Ficha técnica:

Editora: Edipro

Gênero: Política

Preço: R$ 69,00

ISBN: 978-85-67097-36-7

Edição: 1ª edição, 2016

Tamanho: 16x23cm

Número de páginas: 352

Lançamentos · Literatura

Ostentação, suicídio e ambição: a história de um adolescente no maior distrito financeiro do mundo

Best-seller da Amazon, a obra Wall Street - A saga de um brasileiro em Nova York, de Raiam Santos, ganha versão reeditada, pela Astral Cultural, e faz sucesso entre os jovens que sonham em ser bem sucedidos
Best-seller da Amazon, a obra Wall Street – A saga de um brasileiro em Nova York, de Raiam Santos, ganha versão reeditada, pela Astral Cultural, e faz sucesso entre os jovens que sonham em ser bem sucedidos

 

A editora Astral Cultural lança o best-seller Wall Street – A saga de um brasileiro em Nova York, do jovem carioca Raiam Santos, graduado em Economia, Relações Internacionais e Letras, pela Universidade da Pensilvânia. O livro foi o vencedor do prêmio Amazon 2016.

Raiam, também autor da obra Hakeando tudo: 90 hábitos para mudar uma geração, que permaneceu por 42 vezes consecutivas na lista dos best-sellers da Amazon, passou a adolescência fazendo faculdade na Pensilvânia, Estados Unidos, por meio de bolsa integral.

Raiam Santos trabalhou duro para conseguir realizar os sonhos antes dos 21 anos. Naquela época, tinha certeza que para ser feliz o que importava era ser ambicioso, ter dinheiro e fazer networking. #sóquenão

A intensa dedicação aos estudos e a vontade de sempre ser o primeiro acabavam em exaustão para todos os alunos. Viu colegas cometerem suicídio, como o capitão do time de futebol que jogava, e até mesmo pensou na mesma hipótese, mas graças aos pais que se fizeram presentes, mesmo de longe, não cometeu o ato.

Conseguiu manter este sonho tornando-se um aluno exemplar e um dos principais atletas do time de futebol americano da faculdade. Conheceu o mundo, realizou viagens incríveis, e, ao terminar a faculdade, foi contratado por um dos gigantes do mercado financeiro, o Wall Street. Como se isso não bastasse, ele ganhava bem e morava em Manhattan.

No livro, o autor conta de forma despojada – sem meias palavras – como qualquer jovem pode atingir estes mesmos objetivos, porém demonstra um lado que poucos conhecem: a vida ficou cada vez mais triste, vazia e sem sentido. A relação com o trabalho e com a vida pessoal começou a se transformar em desilusões, principalmente quando percebeu que tanta dedicação não tinha mais relevância.

 

“Depois de todo meu dilema de autoestima, eu estava ganhando muito dinheiro para me sentir mais insignificante ainda (…) Queria mudar de vida… Mas estava muito acostumado ganhando em dólares, morando na Times Square e saindo com modeletes gringas (…)”

 

Sem se tornar vítima da própria situação e com a cabeça sempre erguida, Raiam reflete sobre tudo o que aprendeu nessa jornada e divide com o leitor os maiores aprendizados.

Sobre o autor: Raiam Santos é escritor de obras de não-ficção voltadas ao público jovem. Seu primeiro livro Hackeando Tudo: 90 Hábitos Para Mudar o Rumo de uma Geração foi um dos livros digitais mais vendidos do Brasil no ano de 2015, figurando na lista dos best-sellers do Amazon por 42 semanas consecutivas. Brasileiro de nascença, Raiam passou a adolescência nos Estados Unidos e formou-se em Economia, Relações Internacionais e Letras na University of Pennsylvania, onde também se destacou como jogador de futebol americano. Além de escrever livros, Raiam também toca a empresa de tecnologia Mestrix Quiz e ministra palestras Brasil afora. Entre outros livros de Raiam, estão Hackeando TudoOusadiaMissão Paulo Coelho e Classe Econômica. Quer saber mais? Visite o blog MundoRaiam.com

 

Ficha Técnica:

Categoria: Biografia/Negócios

ISBN: 978-85-8246-468-7

Preço sugerido: 29,90

Formato: 16X23 cm

Páginas: 192

Edição: 1°

Literatura

O Abraço da Serpente é uma viagem cheia de descobertas no meio da selva amazônica

113626

Um filme arrebatador! Tenho lá meus problemas em ver filmes gravados na floresta amazônica ou que falem sobre os povos indígenas. Sempre tive a impressão que são sempre mais do mesmo e nunca nos revelam algo para além daquilo que já aprendemos desde os primórdios das salas de aula.

Mas em El Abrazo de la Serpiente a coisa vai um tanto além. Aqui os índios são protagonistas, ditam o caminho a seguir e a história vai nos revelando um mundo de possibilidades que outros diretores se negaram a contar.

A Amazônia, cheia de vida e cores é mostrada ao espectador em tons de cinza dando, o que para mim é um dos pontos altos da produção dirigida pelo colombiano Ciro Guerra O filme é baseado em diários de dois exploradores europeus e tem na figura do xamã Karamakate o elo e fio condutor da história, muitas vezes psicodélica.

Sempre me perguntei o que aconteceria se os ensinamentos bíblicos fossem deturpados ou ensinados de forma contrária ao que Cristo ensinou, e isso é revelado em uma das cenas mais memoráveis do filme. Uma crítica breve sobre todo o fundamentalismo religioso que tomou conta do mundo contemporâneo.

Uma cena em especial me chamou atenção logo nos primeiros minutos. Em que Evan tenta comprar os serviços de Karamakate “com muito dinheiro” ao que o índio responde: “Formigas gostam de dinheiro. Ele tem gosto ruim”. Sacou? Ótima pedida para o fim de semana.

4/5