Cinema · Programação

Assembleia institui Dia do Cinema Cearense

Os deputados da Assembleia Legislativa do Ceará instituíram, em sessão deliberativa, na manhã desta quinta-feira (5), o Dia do Cinema Cearense, a ser comemorado no dia 5 de agosto.  De acordo com o autor da matéria, o deputado Heitor Férrer (PSB), a data tem por objetivo “resgatar a memória da Sétima Arte no Estado do Ceará, reverenciar as personalidades pioneiras e estimular estudiosos, pesquisadores e produtores contemporâneos da cinematografia cearense”.

Com a aprovação e publicação da proposta no Diário Oficial do Estado (DOE), a data alusiva ao Dia do Cinema Cearense passa a integrar o Calendário Oficial de Eventos do Estado do Ceará.  Na justificativa do projeto, o autor diz que o Cinema no Ceará tem longa e rica história que se inicia por volta de 1910, quando foi exibido o documentário “A Procissão dos Passos”, sendo este considerado o primeiro filme rodado no Estado.

“Daquela primeira apresentação cinematográfica aos dias atuais o cinema cearense tem observado um progresso digno de registro e louvor. Muitos foram premiados em mostras nacionais e internacionais. Produtores, diretores, atores, estudiosos e pesquisadores da Sétima Arte em nosso Estado têm merecido reconhecimento além fronteiras. A mostra cinematográfica CINE CEARÁ completa neste ano de 2017 sua 27ª edição plena de êxito, sendo louvada pelo público e crítica aqui e alhures”.

A data escolhida para homenagear o Cinema cearense se dá em face da instalação nesse dia da ACADEMIA CEARENSE DE CINEMA, idealizado pelo professor-doutor Francisco Régis Frota Araújo,e formada por um grupo de estudiosos, pesquisadores e realizadores da Arte Cinematográfica no Ceará.

 

A diretoria da ACC está assim formada:

PRESIDENTE – Francisco RÉGIS FROTA Araújo

VICE-PRESIDENTE – EDUARDO RENNÓ

1º SECRETÁRIO – MARCUS FERNANDES Oliveira

2º SECRETÁRIO – MESSIAS Rodrigues ADRIANO

1º TESOUREIRO- FERNANDO PESSOA de Andrade

2º TESOUREIRO – José Gilson Bezerra de Menezes (PLUTO)

DIRETOR DE RELAÇÕES PÚBLICAS – José WILSON BALTHAZAR

DIRETORA CULTURAL – FERNANDA Maria Romero QUINDERÉ

DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E PUBLICAÇÕES – Francisco BARROS ALVES

 

 

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Cinema · Lançamentos

It: A Coisa é sobre superar medos e vencer desafios

Existe um mal muito cruel, uma coisa, que se alimenta do medo das pessoas. Ela prefere as crianças, pois essas são as mais vulneráveis. Mas como não ter medo diante o mundo trágico que nos cerca? It: A Coisa é um filme de terror/aventura, mas nos permite alguns reflexões para além do entretenimento.

O que faremos com os graves problemas que a vida nos apresenta? O pai abusador, a mãe super protetora, o outro frustrado que quer que o filho seja o exemplo que ele nunca foi ou aquele que acha que ensina mais com maus-tratos do que com diálogo.

Esses são apenas alguns dos personagens responsáveis pelos mais variados sentimentos r ações das crianças apresentadas no filme, baseado na obra de Stephen King (1986). Enquanto alguns jovens partem para a delinquência juvenil e são julgados pelo o que se tornaram, outros preferem superar seus medos e enfrentar esse mal que se alimenta de cada um.

O filme conta a história de sete pré-adolescentes membros do “Clube dos Perdedores”, que além de enfrentarem um cotidiano de perseguições na escola, têm que enfrentar pais totalmente desestruturados. Para completar o mal está solto e crianças começam a desaparecer.

Tem gente que descobriu a política depois de 2014, assim como pessoas que vão achar tudo muito Stranger Things. Mas o ovo veio primeiro que a galinha, pelo menos três décadas antes.

Cinema · Lançamentos

Divinas Divas é um documento necessário ao Brasil

Que belezura de filme! Quanta vida, quanta histórias! Fico me perguntando o que seria de nós não fosse o empenho de Leandra Leal de levar a vida dessas divas às telonas. Talvez nunca soubéssemos da existência delas, e quem perderia com isso? Nós, claro.

Em Divinas Divas, a atriz e agora diretora Leandra Leal faz um resgate histórico da vida de sete travestis essenciais para tudo o que veio depois. A maioria delas iniciou carreira no teatro de revista e cabarés no fim dos anos 1960 e início de 1970, em plena ditadura militar.

São tantas histórias de luta, descobrimento, repulsa pela sociedade, encontros e desencontros… Todos esses ingredientes são apresentados de forma profissional, sem parecer piegas ou sensacionalista por uma diretora estreante que passou a vida toda nos palcos e em frente às câmeras. Aliás, foi em shows dessas travestis que Leal se apresentou pela primeira vez

Mais que um simples documentário, Divinas Divas é uma homenagem, um documento histórico que faz justiça à trajetórias dessas personagens do teatro, da música e do cinema brasileiros.

Cinema · Lançamentos

O Lagosta não é tão original assim; já vi esse filme antes

Só quem não assistiu a Dogma do Amor (2003) se surpreende ou acha a coisa mais estranha do mundo O Lagosta. Como na vida nada se cria, vi muito do roteiro de um no outro. No primeiro a trama se passa num futuro não tão distante em que pessoas solitárias têm o coração congelado e, simplesmente, morrem aos milhares pelas ruas das grandes cidades americanas.

O mais interessante (?) é que as pessoas vão caindo pelos cantos, agonizando, e os demais acompanham a cena com naturalidade. Neste contexto, John (Joaquim Phoenix) vai em busca de sua esposa Elena (Claire Danes) e descobre que ela foi clonada. É tudo muito estranho e surreal em Dogma do Amor em que você termina de ver o longa com muito mais questionamentos do que quando começou.

O Lagosta não foge muito deste conceito e é aqui que acho ele bem menos original do que muitos gritaram por aí. Num futuro distópico não tão distante (hmm) pessoas solteiras são transformadas em animais. Para evitarem ficar sozinhas, elas são enviadas a um hotel para experimentar as mais variadas relações a dois de forma bem artificial. É nesse contexto que o homem que quer virar lagosta (Colin Farrell) foge para s floresta r lá vai viver uma nova aventura com sua amada (Rachel Weis).

Você vê um filme e imediatamente lembra do outro. E, sim, os dois têm o mérito de nos fazer debater relações, da necessidade da livre escolha, do amor incondicional, cego e para além das aparências. Da busca pela felicidade mesmo em meio a um futuro cada vez. mais incerto.

Não consegui ver O Lagosta sem lembrar de todas as cenas de Dogma do Amor, que para mim foram mágicas, até porque lá em 2003, eu também tinha acabado de ver o espetacular Cidade dos Sonhos.

Então, apesar do nó que dá na gente logo de cara, com o passar dos primeiros 30 minutos você vê que O Lagosta não é tão surpreendente assim, ainda que seja um bom filme no melhor estilo Dogma do Amor (que particularmente amo de montão).

Cinema

E o Oscar (do coração) vai para…

Arrival, 20th Century Women, Moonlight e Toni Erdmann foram os filmes mais cativantes da temporada.
Arrival, 20th Century Women, Moonlight e Toni Erdmann foram os filmes mais cativantes da temporada.

Sentimos que La La Land já garantiu boa parte daquilo a que foi nomeado (ainda que os bolsões de aposta nos últimos dias mostrem o contrário, inclusive com Moonlight levando tudo no Spirit Awards). Dito isso, segue minha lista do coração, independente do que a Academia deve escolher e premiar.

Melhor Filme
Moonlight

Melhor Diretor
Denis Villeneuve por Arrival

Melhor Ator
Denzel Washington (Fences)

Melhor Atriz
Isabelle Huppert (Elle)

Ator Coadjuvante
Jeff Bridges (Hell or High Water)

Atriz Coadjuvante
Viola Davis (Fences)

Roteiro Original
20ht Century Women

Roteiro Adaptado
Arrival

Animação
Zootopia

Filme Estrangeiro
Toni Erdmann

Cinema

Só três atrizes ganharam Oscar sem interpretarem personagens que falam inglês

A espanhola Penélope Cruz ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante
A espanhola Penélope Cruz ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante

O que Penélope Cruz, Sophia Loren e Marion Cotillard têm em comum? Elas foram as únicas atrizes que ganharam a estatueta do Oscar sem terem interpretado papéis falados em inglês. No Oscar deste ano, a atriz francesa Isabelle Huppert, com um currículo de mais de cem filmes na carreira, é indicada pela primeira vez ao principal prêmio da indústria cinematográfica.

Até o momento, somente Sophia Loren em Duas Mulheres (1960), Marion Cotillard por Piaf (2007) e Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona (2008) conquistaram a estatueta. A atriz brasileira Fernanda Montenegro, em 1999, também disputou o Oscar de melhor atriz, pelo filme Central do Brasil, mas foi desbancada pela americana Gwyneth Paltrow.

Cinema

O mundo não está preparado para “Mulheres do Século XX”(?)

O filme concorre apenas a um Oscar neste ano, ao de melhor roteiro original
O filme concorre apenas a um Oscar neste ano, ao de melhor roteiro original

Este filme é tão bonito, tão didático, tão bem executado, tão humanista que até agora estou me perguntando qual foi o pecado cometido por seus idealizadores para que esteja concorrendo apenas a um Oscar, o de melhor roteiro original (ainda que eu ache essa a estatueta mais importante da premiação).

Temos uma Annette Bening, como sempre, com uma atuação primorosa digna de indicação; um elenco todo carismático e esforçado; uma direção sem falhas (o longa é inspirado na vida da mãe de Mike Mills) e uma história politizada, atual e bem contada.

Espero que nos comentários alguém possa me explicar o que aconteceu com  20th Century Women no decorrer do ano para que ele fosse tão mal visto pela Academia. Será que a pouca distribuição e baixa bilheteria conta tanto assim? Talvez.  Para quem não viu, e nem ouviu falar a respeito, veja e perceba que o longa chega a ser superior, inclusive, ao enfadonho Lion, que força a barra em muitos momentos.

20th Century Women, me arrisco a dizer,  está ali ao lado de Moonlight e Arrival como os melhores filmes da última temporada. Será que o problema é que ele é feminista demais? Vou para o túmulo com essa dúvida.

Bem, o filme conta a história de uma mulher cresceu durante a Depressão americana e agora, em pleno a crise da guerra fria, já nos anos 1970 (sexos, drogas e rock n’ roll) tenta criar o filha adolescente. Entram em cena para ajudar o garoto, agora com 15 anos, outra adolescente em crise existencial (a namoradinha dos sonhos do rapaz) e uma jovem artista cheia de ideias, talvez, à frente de seu tempo.

Uma história linda, cativante, política e bem contada, sem ficar cansativa ou piegas. Merecia um mínimo de seis indicações (roteiro, atriz, atriz coadjuvante, ator coadjuvante, trilha sonora e direção). Mas o longa está indicado ao Oscar de melhor roteiro original, e dificilmente levará visto as outras pedreiras na disputa.

5/5

Sinopse

Na Califórnia dos anos 70, uma mãe (Annette Bening) tenta cuidar de sua família da melhor forma possível enquanto também procura respostas para as vidas de suas duas jovens amigas – uma fotógrafa aficcionada pela cultura punk (Greta Gerwig), e uma amiga de seu filho (Elle Fanning).