Cinema

Pantera Negra revela um reino rico, desenvolvido e esnobe no meio da África

Pantera Negra não é esse balaio todo que comentam por aí. Ok para a pegada contra o racismo, mas o roteiro é bem sofrido, o que já é de se esperar para um filme sobre super heróis. O elenco é super dedicado e de alto nível, mas o que mais me incomodou foi o Reino hipócrita de Wakanda e o “muro” que se construiu para evitar que cidadãos wakandenses(?) saíssem ou que outros entrassem.

Reino de tradição arcaica, baseada nos orixás africanos, mas com um desenvolvimento tecnológico de fazer inveja s qualquer Vale do Silício. Isso tudo graças a um metal único (defensores do Niobio vão gostar dessa).

A tal de Wakanda que tanto se falou, mais me pareceu uma versão da maquiada Coreia do Norte. Aliás, que povo é esse que deixa o governo impor regras do tipo “ninguém entra, ninguém sai”? E esse ‘muro’ todo em Wakanda? Um apartheid de negros com negros? Sinceramente… Ok para a bandeira contra o racismo, mas e o resto?

Ainda sobre Wakanda, senti que o reino é rico, desenvolvido e esnobe. Aliás, criou um ‘muro’ para não ser “contaminado” pelas outras nações africanas ao seu redor. Um apartheid de negros contra negros? Senti isso. E ainda fiquei na dúvida se os civis de Wakanda poderiam ou não deixar o reino, caso quisessem. Só vi militares e membros da família real entrando e saindo do reino. Enfim, ainda estou na dúvida sobre que tipo de governo atua por lá, mas me pareceu bem uma ditadura.

Tem uma cena em particular que me impressionou. Pode ser sopiler, mas é coisa pouca. Após salvar jovens, aparentemente, sequestradas, o Pantera simplesmente as deixa ao deus dará. Soltas no meio da selva ao lado dos corpos dos suspeitos de sequestro mortos. E aí, cara? Como essas garotas retornaram para suas casas? Será que retornaram em segurança?

No mais, um bom entretenimento para o fim de semana, mas não a última coca-cola do Saara. Fui com muita sede e voltei com muito sono.

Em tempo: primeiro filme de herói feito majoritariamente com elenco negro. Essa foi uma sacada histórica, e que daqui pra frente seja cada vez mais assim. Agora no cinema, a fila quilométrica era em sua maioria, tipo 99,99% de… brancos. Ou seja, a realidade ainda é dura e cruel para negros no Brasil e em qualquer lugar do Globo.

Sinopse:

Após a morte do rei T’Chaka (John Kani), o príncipe T’Challa (Chadwick Boseman) retorna a Wakanda para a cerimônia de coroação. Nela são reunidas as cinco tribos que compõem o reino, sendo que uma delas, os Jabari, não apoia o atual governo.

T’Challa logo recebe o apoio de Okoye (Danai Gurira), a chefe da guarda de Wakanda, da irmã Shuri (Laetitia Wright), que coordena a área tecnológica do reino, e também de Nakia (Lupita Nyong’o), a grande paixão do atual Pantera Negra, que não quer se tornar rainha.

Juntos, eles estão à procura de Ulysses Klaue (Andy Serkis), que roubou de Wakanda um punhado de vibranium, alguns anos atrás.

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Cinema

Michael Stuhlbarg está com tudo no Oscar 2018

Esse carinha simpático aí não tem do que reclamar em 2018. Fazendo aqui maratona dos filmes do Oscar, no fim de semana, eu me assustava sempre que, de repente, o rapaz aparecia na tela. Foram três vezes. Michael Stuhlbarg, apesar de não estar concorrendo ao Oscar 2018, aparece em pelo menos três longas que estão concorrendo ao Oscar: A Forma da Água, Me Chame pelo seu Nome e The Post: A Guerra Secreta. Deve ser muito gratificante para um artista ter seu trabalho reconhecido e figurar em três dos nove concorrentes à estatueta mais cobiçada do cinema internacional.

Ele é o sexto ator a conseguir tal feito. Os outros foram: John C. Reilly, Claudette Colbert, Charles Laughton, Adolphe Menjou e Thomas Mitchell.

Mas tem um pessoal, neste ano, que confundiu a mente do cabra aqui, ao aparecer em dois filmes. Eu olhava pro Timothee Chalamet e pro Lucas Hedges, em Lady Bird, e ficava me perguntando: onde foi que eu já vi esses caras?

Timothee Chalamet protagoniza Me Chame pelo Seu Nome e Lucas aparece em uma das cenas mais pancadas de Três Anúncios para um Crime. Tracy Letts é a menina de cabelos vermelhos em Lady Bird, e aparece em The Post também. Kathryn Newton está em Lady Bird e Três Anúncios… Nick Searcy em A Forma da Água e Três Anúncios… e Bradley Whitford, em Corra! e The Post.

Mas ninguém se compara ao feito de Michael Stuhlbarg. O cabra tá com tudo!

Cinema

Shape of Water não chega a ser original, mas é um belo conto de nosso tempo

A história de  The Shape of Water tem o foco em Elisa (Sally Hawkins), uma zeladora muda que trabalha em um laboratório onde um homem meio anfíbio (Doug Jones) é mantido em cativeiro. Quando ela acaba se apaixonando pela criatura, começa a fazer um plano para ajudá-lo a escapar com a ajuda de seu vizinho (Richard Jenkins). O mundo fora do laboratório, no entanto, pode se provar mais perigoso para o homem anfíbio do que Elisa poderia imaginar.

De início, não vi nada de tão extraordinário, de tão espetacular ou original em The Shape of Water que já não tenha visto em O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Okja ou A Dama da Água. Fiquei a primeira uma hora me perguntando por que ele tem levado todos os prêmios a que concorreu e os citados acima não? Não sou dos fandom do Guillermo del Toro, mas tem muita gente por aí se derretendo com esta produção, somente pela assinatura do mexicano mais querido da galerinha geek.

Apesar do protesto, venho através deste dizer que esta é uma bela fábula de nosso tempo, com todos os ingredientes para virar um verdadeiro clássico do cinema contemporâneo. Del Toro, enfim, se redime. Graças à história, à direção, mas, principalmente, ao elenco de peso que conduz a trama de forma excepcional. Como disse, na primeira uma hora nada de novo. Nada que já não tenha visto em Okja/Amelie Poulain/ A Dama da Água (até na trilha sonora).

Como Del Toro gosta de misturar a ideia da fábula com violência, é aí que o longa vai se diferenciando e passa a ter um tom mais original. Não me surpreenderia se levasse a estatueta do Oscar nas categorias roteiro original, direção, atriz, atriz coadjuvante e ator coadjuvante. Se levar de filme, vai ser porque o negócio não foi tão produtivo em Hollywood no último ano, como se fato não tem sido há um bom tempo.

Cinema

Three Billboards Outside Ebbing Missouri é entretenimento de qualidade

Melhor filme visto no fim de semana.  Three Billboards Outside Ebbing Missouri é um filme policial de humor negro britânico-americano de 2017, escrito, produzido e dirigido por Martin McDonagh.

A história gira em torno de Mildred Hayes (Frances McDormand), que teve a filha brutalmente assassinada e o criminoso nunca foi encontrado pela polícia. Após perceber que o caso foi deixado de lado pela autoridade local, ela aluga três outdoors em uma estrada abandonada onde exige justiça ao xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson).

Ponto alto é o ótimo elenco e o roteiro intrigante. Em determinado momento você acha tudo muito estranho e improvável, mas isso está longe de ser um ponto negativo. Filmão!

Cinema

João, o Maestro soa cafona na telinha do cinema

A história de dedicação, superação e, acima de tudo, obsessão de do maestro João Carlos Martins parecia mais extraordinária quando ele falava dela nos programas globais de auditório. Quando tudo isso foi colocado em filme com interpretações de atores globais, o resultado é um amontoado de situações, até que comoventes, mas que no todo chega a ser sem graça, sem emoção, careta.

Todo mérito ao maestro. Sua vida merecia as telonas. Merecia um livro. Merecia tudo o que ele foi conquistando ao longo de quase toda a vida em dedicação à música.

João Carlos Martins foi considerado um prodígio do piano e conquistou fama internacional. Ele tenta a carreira política, mas tem problemas ao ser acusado de fraude.

Retorna à vida de pianista, mesmo quando um problema médico retira parte de seus movimentos. Usando apenas uma das mãos, o músico realiza concertos e depois torna-se maestro.

Ou seja, é.muita história a ser.contada.
O filme, com.pouco mais de 1h40min parece interminável, chato mesmo. As atuações globais não convencem, o tom de novela aparece de vez em quando. Mauro Lima até convence em Meu Nome Não é Johnny e Tim Maia.

Não foi dessa vez. Uma pena.

Cinema

A Bela e a Fera deixa a desejar, mas arrecadou horrores em bilheteria

A Bela e a Fera, lançado no início do ano passado, despontou como a maior bilheteria de 2017 até Star Wars – Os Últimos Jedi desbancar o longa da… Disney. No entanto, apesar do número impressionante do que foi arrecadado nas salas de cinema no mundo todo, o filme é um live action que consegue ser mais chato e sem graça do que a animação.

Aliás, isso tem sido uma regra desde sempre, as animações, geralmente, têm nos tocado bem mais além do que suas versões de carne e osso. Ainda assim, a ótima campanha publicitária da Disney rendeu mais de 1,2 bilhão de dólares em bilheteria no mundo todo, em 2017.

Sinopse:
Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela tem o pai capturado pela Fera e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade do progenitor. No castelo ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é na verdade um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.