Caiu na rede · Música

“Meu Mundo Caiu”, a trilha sonora de um Brasil ainda em (des)construção

Diante as incertezas sobre os rumos que o País levará nos próximos dias, semanas, meses e anos, resolvi criar uma playlist no Spotify que conte um pouco dessa história de cinco séculos ainda contada de um jeito torto e sem muitas perspectivas no horizonte. Escolhi 50 músicas, de grandes hinos de décadas atrás até canções produzidas ainda ontem. Espero que gostem, que curtam, que compartilham e que comente. Segue:

Literatura

MinC apresenta mudanças na Lei Rouanet

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Os projetos culturais apresentados ao Ministério da Cultura (MinC) para apoio via Lei Rouanet passam por novas regras de aprovação a partir da Instrução Normativa nº 1/2017. No bojo das atualizações para o uso da Lei Rouanet, a contratação de pareceristas técnicos também recebeu novas regras para a gestão de profissionais, a classificação e distribuição dos projetos, bem como para procedimentos de análise e emissão de pareceres técnicos.

Publicadas pela Portaria nº 39 da edição da última quinta-feira (13) do Diário Oficial da União, as novas regras passarão a ser aplicadas a partir do próximo edital de contratação de pareceristas, previsto para este semestre.

A análise técnica pelos pareceristas é uma das fases de análise responsável pelo processo de aprovação dos projetos apresentados ao Ministério da Cultura. A coordenadora do banco de pareceristas, Flávia Rodrigues Dias, explica que o novo fluxo de aprovação de projetos estabelecido pela IN proporciona maior qualidade na produção dos pareceres, que sinalizarão a efetiva viabilidade de execução dos projetos e subsidiarão a análise na próxima etapa, pelos membros da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC).

O novo modelo de contratação de pareceristas trará atualização do valor pago por cada parecer emitido. O objetivo é ter um banco com profissionais mais qualificados, que atuarão em projetos de todos os níveis de complexidade. Dessa forma, não haverá mais a separação do parecerista para atuação em apenas determinados projetos, definidos pelo seu nível de complexidade, como ocorre com os 319 pareceristas registrados pelo MinC atualmente. Ou seja, cada um deles só pode analisar projetos do seu nível específico, o que pode gerar, em determinado momento, acúmulo de análise, e noutro, ociosidade do parecerista.

Pelas definições da Portaria, o trabalho se dará com nova abordagem na emissão do parecer técnico. O parecerista deverá realizar uma análise mais cuidadosa em cada um dos itens técnico-orçamentários, de forma a aprimorar a análise dos projetos antes de chegar à CNIC. Outra alteração foi apresentadas no período de afastamento temporário – no qual o parecerista deixa de receber projetos a pedido-, que passa a ser de 30 dias. As sanções administrativas de advertência e suspensão serão acrescidas à de descredenciamento.

O que faz o parecerista

Depois de passar pela fase de admissibilidade, a proposta cultural segue para a unidade técnica correspondente ao segmento cultural do seu produto principal. Dentro do Sistema MinC (Secretarias e Instituições Vinculadas), há unidades diferentes que lidam com universos artístico-culturais diferentes e que têm a competência de realizar esta tarefa. As secretarias e entidades vinculadas podem convocar pareceristas de seu próprio corpo de servidores ou do banco de peritos do MinC, que são profissionais credenciados por meio de edital público.
A análise técnica se dá conforme requisitos estritamente objetivos como a adequação das fases do projeto; análise de preços de cada item orçamentário, conforme praticado pelo mercado. O parecer pode trazer sugestões de ajustes, com recomendação de aprovação total, parcial ou indeferimento, devidamente fundamentada.

Novo fluxo de aprovação

Agora, antes da análise técnica pelo parecerista e da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), os projetos recebem, já na fase de admissibilidade, aprovação para captar 10% do valor aprovado, comprovando sua viabilidade de execução. Isso reduzirá em torno de 60% o esforço do MinC com redução de custos para o Estado e muito mais agilidade e qualidade para os proponentes. Atualmente, dos quatro projetos aprovados pelo MinC, apenas um consegue captar os 20% necessários ao começo da sua execução.

A economia gerada pelo novo fluxo permitirá a atualização do valor dos pareceres, criando um novo modelo de contratação de pareceristas. O objetivo é que o profissional dedique mais atenção aos projetos com efetiva viabilidade, podendo atuar em projetos de todos os níveis de complexidade. Dessa forma, haverá o aprimoramento na análise dos itens orçamentários do projeto antes de chegar à CNIC.

da assessoria

Lançamentos

Livro do escritor Lira Neto vai virar série da Netflix

Lira Neto informou que os detalhes sobre produção, roteiro e direção ainda estão em negociação com a Netflix

A mais recente publicação do escritor e jornalista Lira Neto, Uma História do Samba, vai virar série produzida pela Netflix. De acordo com o cearense, os direitos autorias da publicação já foram negociados com a provedora de filmes e séries e, muito em breve, o seriado deve ser lançado.

Ele informou ao blog que os detalhes sobre roteiro, direção e produção ainda estão sendo acertados. Também não está fechado o formato do seriado, se através de ficção biográfica ou documentário. Lira destacou ainda que não se sabe se a produção vai aguardar o lançamento dos três volumes para poder produzir a série ou se o fará em consonância com os lançamentos literários.

O próximo volume da trilogia sobre o Samba, que trata da era de ouro do estilo, será lançado no próximo ano, provavelmente, no período que antecede o Carnaval. Já o terceiro volume, ainda sem título, fica para 2019.

No livro, o escritor cearense busca traçar o percurso completo do ritmo, um dos sinônimos da cultura brasileira. Em virtude da riqueza e da amplitude do material compilado, recheado de documentos inéditos e registros fotográficos, o projeto será desdobrado em três volumes. Neste primeiro, Lira leva o leitor das origens do samba até o desfile inicial das escolas de samba no Rio.

O samba carioca nasceu no início do século XX a partir da gradativa adaptação do samba rural do Recôncavo baiano ao ambiente urbano da então capital federal. Descendente das batidas afro-brasileiras, mas igualmente devedor da polca dançante, o gênero encontrou terreno fértil nos festejos do Carnaval de rua.

Nas décadas de 1920 e 1930, com o aprimoramento do mercado fonográfico e da radiodifusão, consolidou seu duradouro sucesso popular, simbolizado pelo surgimento das primeiras estrelas do gênero e pela fundação das escolas de samba.

Nota

Li o primeiro volume de um sopro só, em uma viagem recente que fiz à Argentina. Como o voo tinha escalas tanto na ida quanto na volta, aproveitei todo o tempo para me deliciar com essa narrativa impecável sobre a história do samba. Ao ler o livro ficava imaginando a possibilidade daquela história ser cinematografada, o que deve acontecer muito em breve, graças ao olhar atento da Netflix para ótimas produções. Estamos na torcida!

Programação

Broadway Brasil realiza terceira edição na Caixa Cultural, em Fortaleza

A CAIXA Cultural Fortaleza apresenta, de 17 a 23 de abril de 2017, a terceira edição do projeto Broadway Brasil – O show não pode parar. Cerca de 60 pessoas foram selecionadas para participarem de oficinas e masterclasses coordenadas por alguns dos melhores profissionais de teatro musical da atualidade, além de terem a oportunidade de se apresentarem no Cabaret Show.

Com as primeiras edições realizadas em 2013 e 2016, o projeto é dedicado aos atores e cantores de todo o Brasil que queiram aprimorar seus conhecimentos, neste momento em que o País se consolida como o terceiro maior produtor de teatro musical no mundo. O grande desafio é que os participantes selecionados consigam montar, em apenas cinco dias, os números musicais que irão compor o espetáculo musical Cabaret Show, a ser realizado nos últimos dias da programação.

“Buscamos incentivar o crescimento profissional de diversos artistas e, assim, estarem aptos para adentrar no gênero de musicais”, afirma Allan Deberton, produtor executivo. “Queremos continuar o desenvolvimento de talentos locais e nacionais proporcionando de forma gratuita capacitação com profissionais de ponta do entretenimento nacional e internacional”, completa André Gress, diretor artístico do projeto.

Durante uma semana, os participantes terão acesso a seis masterclasses, um bate-papo, oficinas de montagem e três apresentações do espetáculo Cabaret Show. As masterclassses e o bate-papo são abertos ao público para participação como ouvintes, com lotação a depender da capacidade do espaço.

Uma das grandes e importantes marcas da realização do evento é a parceria junto à organização americana Broadway Dreams Foundation (BDF), que traz toda sua expertise em treinamento de jovens artistas e repetindo o trabalho realizado na edição de 2016. “Nosso Estado tem um catálogo substancial de literatura ou produção acadêmica. A crise tem afetado o mercado editorial brasileiro, e no Ceará não tem sido diferente”, ressaltou o secretário.Bro

Literatura

Maior evento cultural do Estado, Bienal do Livro do Ceará acontece de 14 a 23 de abril

Maior evento cultural do Estado, a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará acontece de 14 a 23 de abril, e tem como tema “Cada Pessoa, um Livro;  o Mundo, a Biblioteca”. O evento deve reunir os principais nomes da produção literária do País, além de nomes de outros países, durante todos os dias no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

“A ideia é trabalhar com o conceito de acervo humano e planetário, mostrando a pessoa como livro, como uma história”, segundo informou o secretário de Cultura,  Fabiano dos Santos Piúba. O evento tem como curador geral o escritor cearense Lira Neto, que a partir do tema principal desenvolveu toda uma programação adulta, juvenil e infantil.

“Esse é o maior evento cultural voltado para a democratização do acesso ao livro, mas também para fomentar a cadeia do livro”, afirmou o gestor da pasta. Ele destacou que no Brasil como um todo o índice de leitura ainda é muito baixo, estando o País distante de países da Europa, mas próximo de outras nações da América Latina, como Colômbia, Venezuela e Bolívia. Argentina e Chile seguem com os melhores indicadores.

No entanto, o gestor da Cultura ressaltou que com as políticas públicas adotadas ao longo dos últimos anos pelos governos de Cid Gomes e agora de Camilo Santana, o nível de leitura do estudante cearense tem melhorado como mostram os resultados do Ideb. “O Ceará tem sido referência na Educação Básica em função da continuidade do PAIC (Programa de Alfabetização na Idade Certa), que não teve ruptura”, ressaltou.

Os números recentes mostram que das 100 escolas melhores avaliadas no Ideb, 77 são do Ceará, inclusive, as 15 primeiras. “A Bienal do Livro é uma vitrine para isso, para compartilhar e difundir para a sociedade cearense a importância da leitura, de chamar atenção da cidade, do Estado para algo que está se passando no Centro de Eventos”, destacou.

A produção cearense, segundo ele, tem evoluído desde o início da década de 2000, mas também sofreu com a crise econômica pela qual o País passa. No Ceará, sobretudo, a partir de 2002/2003 começaram a surgir diversas pequenas editoras, que hoje, inclusive, compõem a Câmara Cearense do Livro.

Eles iniciaram a publicar o escritor cearense, e a partir daí, um leque de editores e escritores foram se destacando no cenário local. O secretário destacou que o surgimento das editoras é importante para a cadeia produtiva e criativa da literatura no Ceará.  “Nosso Estado tem um catálogo substancial de literatura ou produção acadêmica. A crise tem afetado o mercado editorial brasileiro, e no Ceará não tem sido diferente”, ressaltou o secretário.

Acompanhe AQUI a programação completa da Bienal.

 

Cinema

Só três atrizes ganharam Oscar sem interpretarem personagens que falam inglês

A espanhola Penélope Cruz ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante
A espanhola Penélope Cruz ganhou o Oscar de melhor atriz coadjuvante

O que Penélope Cruz, Sophia Loren e Marion Cotillard têm em comum? Elas foram as únicas atrizes que ganharam a estatueta do Oscar sem terem interpretado papéis falados em inglês. No Oscar deste ano, a atriz francesa Isabelle Huppert, com um currículo de mais de cem filmes na carreira, é indicada pela primeira vez ao principal prêmio da indústria cinematográfica.

Até o momento, somente Sophia Loren em Duas Mulheres (1960), Marion Cotillard por Piaf (2007) e Penélope Cruz – Vicky Cristina Barcelona (2008) conquistaram a estatueta. A atriz brasileira Fernanda Montenegro, em 1999, também disputou o Oscar de melhor atriz, pelo filme Central do Brasil, mas foi desbancada pela americana Gwyneth Paltrow.

Lançamentos · Literatura

Alessandra Roscoe explica a situação atual vivida pela literatura infantil brasileira

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A produção literária infantil, assim como o seu consumo, tem crescido no Brasil, na mesma proporção em que o mercado editorial brasileiro como um todo, e novos escritores voltados para esse público estão surgindo e fazendo uma verdadeira revolução no modo de contar histórias para as crianças. Alessandra Roscoe é uma dessas escritoras da nova geração, que tem buscado fazer a diferença, se distanciando do que ela denomina de “onda do politicamente correto”, e encontrando novas formas de inserir este público no interesse pela leitura.

Jornalista por formação, ela trabalhou até 2007 conciliando a escrita com o dia a dia no jornalismo, mas desde então, tem se dedicado exclusivamente à literatura. Ela explica que o caminho é árduo, e que para manter-se na profissão é preciso participar de editais que permitam ao artista realizar seus projetos. “É trabalhoso, burocrático, mas há possibilidades. Eu não sobrevivo de Direitos Autorais, recebo também pelas palestras, oficinas, participações em eventos literários e pelos projetos que administro e com os quais concorro em editais públicos”, disse.

A escritora destaca ainda que não dá para asasumir uma postura acomodada. “Eu não quis mais deixar a escrita como uma atividade complementar, decidi me dedicar integralmente, trabalho um bocado, mas não me arrependo nem um pouco do caminho que escolhi”.

“Mineira de Brasília”, Alessandra Roscoe nasceu em Uberaba – MG e foi para o Cerrado com três anos de idade. Em Brasília, estudou, se formou, conheceu o marido (o namorado da adolescência que está a seu lado até hoje) e teve seus três filhos. Trabalhou por mais de 20 anos como repórter, passando por emissoras de rádio, jornais, revistas e TV. Ela trocou as histórias de verdade de gente de verdade, pelos mundos inventados por conta dos filhos. Foi a maternidade e um pedido da filha mais velha, numa noite insone que a puxou de vez para a escrita literária profissional.

“Devo isso à ela!Hoje são 25 livros e uma paixão que não cabe só em mim! Depois de ler muito e escrever, veio também a vontade de dividir as maravilhas todas que a literatura já tinha me dado”. Desta feita criou oficinas para grávidas: Aletramento Fraterno; para bebês: Experimente a palavra e Caixinha de guardar o tempo: para idosos e pacientes de Alzheimer.

Em 2009 criou o UNI DUNI LER, um clube de bebês leitores e em 2012, o UNI DUNI LER todas as letras (http://unidunilertodasasletras.wordpress.com), um Festival Itinerante de Leitura que percorre creches e asilos públicos no Distrito Federal. Ela ainda tem um blog pessoal para ficar mais perto dos leitores – http://contoscantoseencantos.blogspot.com Além dos livros,  Roscoe tem alguns livros com cds de músicas autorais e realiza shows de histórias e cantigas, tendo, inclusive, o primeiro livro adaptado para um curta de animação no cinema. A menina que pescava estrelas.

Eu tive a honra de bater um papo contagiante com a escritora, e você pode conferir na íntegra a seguir:

– O mercado de literatura infantil no Brasil cresceu muito ao longo dos anos, assim como a literatura em geral. Como os escritores podem contribuir para que a literatura infantil siga crescendo e com qualidade?

Primeiramente, acho que não se rendendo à esta onda do politicamente correto e pedagógico na literatura! Eu acredito na leitura por prazer, como escolha e é este o foco de todo o meu trabalho. Não vejo nenhum problema quando a pedagogia se apropria da literatura, mas o inverso é muito prejudicial e principalmente na literatura infantil e para os jovens.

Aquela história de que livro infanto-juvenil precisa ter moral, ensinamento, não pode tratar deste ou daquele assunto é balela. Acho que os escritores e os editores precisam acreditar no poder do literário de verdade. Nas possibilidades todas que um bom livro abre para que o leitor possa se descobrir também no olhar do outro, nas vivências reais e ficcionais que uma história bem escrita permite.

A escola tem sim um papel muito importante na formação dos leitores, mas precisa entender que um leitor bem formado é o que procura o livro para nada e que neste nada encontra o seu tudo. Sou avessa às tais fichas literárias e atividades complementares que se apoderam de livros para ensinar conceitos e atitudes, ou pior, que encomendam “livros” ( que podem até ser livros, mas deixam de ser literários) para “trabalhar” temas e ensinamentos.

– Dá para se falar em literatura de qualidade e literatura sem qualidade?

Claro que dá! O mercado de literatura, principalmente o infantil, cresceu e cresce muito no Brasil. Acho que temos hoje muitos livros de qualidade indiscutível, com bons textos, ilustrações bem cuidadas e projetos gráficos caprichados. Mas há também muito lixo disfarçado de literatura e isso é preciso que se diga. Tem muita gente que acha que escrever para criança é encher páginas de diminutivos, ilustrar como se estivesse desenhando para cartilhas dos anos 70 e imprimir no papel mais barato para ganhar dinheiro.

– Como o mundo tem visto a literatura infantil brasileira lá fora?

Acho que de uns tempos para cá, a literatura infantil brasileira vem sendo vista de outra forma lá fora. Muitas editoras fazem questão de participar de eventos como a Feira de Bolonha na Itália, a de Frankfurt, na Alemanha e dada a qualidade do que vem sendo produzido aqui, algumas editoras deixaram de ir a estes eventos apenas para comprar direitos autorais de livros de fora para vender dos Brasileiros.

Ano passado o ilustrador Roger Mello foi agraciado com o Hans Christian de Ilustração, um prêmio considerado da maior importância. Este ano temos outras duas brasileiras indicadas ao Prêmio, a escritora Marina Colassanti e a ilustradora Ciça Fitipaldi. Acho que ainda temos um longo caminho, para conseguirmos fazer livros bonitos com um custo que os coloque lá fora, mas que também consiga fazer com que tenham mercado aqui dentro, mas estamos caminhando neste sentido.

-Nossa produção se iguala ao que é feito em outros países?

Acho que precisamos melhorar, na maioria dos casos, a qualidade gráfica mesmo, livros com papel melhor, capa dura, projetos bem cuidados. Eles existem, mas ainda são minoria no catálogo das editoras.

– Há incentivo neste campo da literatura?

Os editores e as gráficas alegam que é muito caro produzir livros com alto padrão, recortes, capa dura, pop-up. As editoras que fazem, mandam fazer fora do país para garantir redução dos custos e muitas vezes por conta disso, não podem entrar na concorrência para vender para o governo. Aliás, o Brasil é um dos países em que o governo mais compra livros e, de certa forma, as editoras começaram a ficar dependentes demais deste grande cliente. Isso acabou criando uma distorção grave, pois os preços precisam ser competitivos e em alguns casos a qualidade é deixada em segundo plano.

– Os eventos dedicados especificamente à literatura  infantil são suficientes para uma boa difusão deste tipo de texto?

Hoje há um “boom”de festas e eventos literários. Alguns realmente levam os livros, os autores e leitores a um encontro bacana. Há hoje em grandes e pequenas cidades, em escolas e bibliotecas uma profusão de Feiras. Muitas são apenas comerciais, mas são inúmeras as que realmente provocam a coceira sem volta da paixão literária. Acho que são sempre positivos os eventos que não visam apenas vender livros a qualquer custo.

– O que seus leitores podem esperar para os próximos meses?

Comecei a colocar no papel um romance adulto que mora em mim há mais de dez anos e que fala de amizade.É um romance epistolar que celebra também o velho hábito das cartas. Além do trabalho direto nos livros, há os que surgem a partir deles, como a participação em Feiras e Festas Literárias pelo Brasil. Realizo também as oficinas permanentes com foco em leitura para grávidas e bebês e o trabalho de leitura e memória com os idosos.