Literatura

Agenda: Lima Barreto, Kéfera e Raphael Montes em Fortaleza

Raphael Montes, revelação da literatura de suspense, estará na Cultura, no sábado

Lançamento de Lima Barreto: triste visionário
Durante esta semana, Lilia Moritz Schwarcz realiza diversos eventos de lançamento da biografia Lima Barreto: Triste visionário pelo Nordeste. Saiba mais:

Fortaleza
Quarta-feira, 11 de outubro, às 9h15
Local: Teatro Celina Queiroz da UNIFOR – Av. Washington Soares, 1321 – Fortaleza, CE

Turnê Querido dane-se no Nordeste
Kéfera Buchmann autografa seu novo livro, Querido dane-se, pelo Nordeste. Confira as datas e locais:

Fortaleza
Terça-feira, 10 de outubro, às 17h
Local: Saraiva do Shopping Iguatemi Fortaleza – Av. Washington Soares, 85 – Fortaleza, CE

Vida e Obra com Raphael Montes
Sábado, 14 de outubro, às 17h
Raphael Montes, autor de Suicidas e Jantar secreto, fala sobre sua obra no projeto Vida e Obra.
Local: Livraria Cultura do Shopping Varanda Mall – Av. Dom Luís, 1010 – Fortaleza, CE

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Lançamentos · Literatura · Programação

Grupo Ceará em Letras promove I Jornada Ceará em Letras

O  Grupo Ceará em Letras promoverá na UFC, no dia 26 de outubro,  a I Jornada Ceará em Letras, organizada por Fernanda Diniz, Fernângela Diniz, Alexandre Vidal Marilde Alves e Weelington Rodrigues. Desde 2013, o grupo de pesquisadores se reúne para publicar anualmente uma obra com ensaios sobre obras de autores cearenses.

Em comemoração dos 5 anos do projeto, promoveremos a Jornada como forma de valorizar ainda mais a produção dos nossos escritores cearenses. Na ocasião serão apresentados, por meio de mesas-redondas, os ensaios que fazem parte do livro Percursos da Literatura do Ceará, que será lançado no dia 27/10, no Teatro José de Alencar às 18h30min.

O livro é organizado por Fernanda Diniz, Fernângela Diniz, Alexandre Vidal e Wellington Rodrigues.

Neste ano, o Grupo apresenta ao leitor o livro Percursos da Literatura no Ceará, uma edição comemorativa dos cinco anos do projeto. Composto por 19 artigos, no livro são estudados Adolfo Caminha, Airton Monte, Airton Monte, Arievaldo Viana, Artur Eduardo Benevides, Caio Porfírio Carneiro, Carlos Câmara, Eduardo Campos, Francisco Melchíades, Jards Nobre, José de Alencar, Juvenal Galeno, Oliveira Paiva, Rachel de Queiroz e Roberto Pontes.

Essa edição especial apresenta duas partes. Na primeira parte, são apresentados os estudos sobre obras de autores cearenses. Na segunda, publicamos alguns textos literários de pesquisadores do grupo, entre eles estão Mary Nascimento da Silva Leitão, Marilde Alves da Silva, Vanessa Paulino Venancio e Francisco Wellington Rodrigues Lima.

Desse modo, ao longo desses anos, o Grupo Ceará em Letras vem se destacando no âmbito da crítica literária com foco na obra de autores que, embora tenham obras de grande valor artístico, ainda não foram abordados suficientemente pela academia.

 

PROGRAMAÇÃO
8h às 8h30min – Credenciamento
8h30 às 9h – Abertura
9h às 10h – Conferência: Literatura no Ceará –
Prof. Dr. Roberto Pontes
10h às 10h30min – Merenda
10h30min às 12h

MESA 1 – CULTURA, POLÍTICA E
EDUCAÇÃO NA LITERATURA DO
CEARÁ
Lendas e Canções Populares, de Juvenal Galeno: a expressão poética do povo brasileiro Alexandre Vidal de Sousa / Fernanda Maria Diniz da Silva
“Tudo é sertão é mito e encantação”: o espaço sertanejo no poema “Cântico dos Cânticos”, de Artur Eduardo Benevides Fernângela Diniz da Silva
Da realidade à ficção: o crime passional de Dona Guidinha do Poço Avanúzia Ferreira Matias / Janicleide Vidal Maia
A História da Educação Brasileira em A Normalista
Gildênia Moura de Araújo Almeida A justiça encarnada em Roberto Pontes Mary Nascimento da Silva Leitão / Cássia Alves da Silva
14h às 17h20mim

MESA REDONDA 2 – HISTÓRIA, FICÇÃO
E CRIAÇÃO LITERÁRIA
Airton Monte: o homem e a obra sob o prisma da criação literária
Cintya Kelly Barroso Oliveira/ Francisca Solange Mendes da Rocha
As modulações tensivas do desejo em Curral de Pedras e Pássaros sem Canção, de Jards Nobre Marilde Alves da Silva
José de Alencar: ficcionista antes de tudo
Aline Leitão Moreira / Maria Bernardete Alves Feitosa
As menininhas de Rachel de Queiroz: representações do comportamento feminino em meio a modernização conservadora durante a ditadura militar (1964-1975) Lia Mirelly Távora Moita

MESA 3: CONTO, CRÔNICA E TEATRO
NA LITERATURA DO CEARÁ
Carlos Câmara e a alvorada do teatro nacional: tradição, modernidade, cultura, história e memória; o Ceará contado, recontado e cantado em A Bailarina e o Casamento da Peraldiana Francisco Wellington Rodrigues Lima
Sertão, um “meio” denso e quente para as
crianças: o sentimento infantil no conto O Pato de Lilico, de Caio Porfírio Carneiro Elayne Castro Correia
O anti-herói na literatura de cordel: uma análise do comportamento do protagonista nos cordéis artimanhas de João Grilo, de Arievaldo Viana, e as astúcias do filho de João Grilo, de Francisco Melchíades Stefanie Cavalcanti de Lima Silva
Crônica: do gênero literário tupiniquim à terra da luz Maria Lílian Martins de Abreu

Agradecimentos finais e sorteio de livros

Lançamentos · Música

Amelinha expõe sentimentos do CD em que canta músicas de Belchior

por Mauro Ferreira do G1

Lançado nesta primeira semana de outubro de 2017, o 17º álbum de Amelinha, De primeira grandeza – As canções de Belchior (Deck), alinha no repertório dez músicas do cancioneiro do compositor cearense Antonio Carlos Belchior (26 de outubro de 1946 – 30 de abril de 2017), artista singular que saiu de cena há pouco mais de cinco meses.

Conterrâneo de Amelinha, cantora cearense que debutou há 40 anos no mercado fonográfico com o álbum Flor da paisagem (1977), Belchior tinha pedido a cantora que regravasse a composição De primeira grandeza, lançada na voz do autor e cantor há 30 anos, no álbum Melodrama (1987). Feito em meados dos anos 1990, o pedido foi atendido postumamente por Amelinha no disco idealizado pelo produtor Thiago Marques Luiz e gravado em agosto desde ano de 2017 no estúdio Canto da Coruja, situado em Piracaia (SP), cidade do interior do estado de São Paulo.

Sob a direção musical de Estevan Sincovitz (guitarra, violões e baixo), integrante da banda que também inclui Caio Lopes (bateria), Fabá Jimenez (guitarra e violão), Ricardo Prado (teclado, baixo e sanfona), Amelinha deu voz às canções A palo seco (1973), Alucinação (1976), Comentário a respeito de John (1979), Incêndio (Belchior e Petrúcio Maia, 1980), Mucuripe (1972), Na hora do almoço (1971), Paralelas (1975), Passeio (1974), Princesa do meu lugar (1980) – música que batizou álbum da cantora Guadalupe e que nunca foi gravada por Belchior – e, claro, De primeira grandeza (1987).

“Na década de 1990, por volta de 1996, encontrei com Bel nos bastidores de uma emissora de TV em São Paulo e ele me disse que tinha feito uma música chamada De primeira grandeza e que gostaria muito de ouvi-la na minha voz. Foi uma surpresa deliciosa, mas como estava num momento um tanto tumultuado na minha vida pessoal e profissional, guardei a música para fazer parte de um disco de carreira que tivesse uma representatividade mais ampla.

Depois, em 2000, gravei com ele e Ednardo o CD Pessoal do Ceará, produzido pelo Robertinho do Recife e lá também não coube De primeira grandeza, pois era um disco autoral com músicas já conhecidas.

Em 2012 fui convidada por Thiago Marques Luiz para gravar o CD Janelas do Brasil. Incluímos Galos, noites e quintais, canção emblemática do Bel (ele me chamava de Mel), que fizemos questão de inserir também no meu primeiro DVD, gravado em seguida com os meus sucessos e com convidados especiais que fizeram parte determinante e fundamental da minha trajetória: Fagner, Toquinho e um novo parceiro, Zeca Baleiro.

De primeira grandeza permaneceu na lista do que eu chamo de “meu balde de canções” para a continuação de Janelas do Brasil, assunto que eu já vinha falando com Thiago há um ano.

Em janeiro de 2017, no aniversário de São Paulo, cantei Passeio, música do primeiro disco do Bel, de período em que nossa convivência era bem intensa e no qual eu pude assistir de perto ao nascimento de canções como Mucuripe, A palo seco, Na hora do almoço, Paralelas e tantas outras.

Continuei dizendo nos shows: ‘Volta, Bel!’, mas nunca imaginei que fosse acontecer desta forma. No primeiro momento, fiquei sete dias muda, quieta, chocada e com um vazio enorme no meu peito. Mesmo assim, recebi o convite de Thiago com um sentimento não identificável, mas simplesmente disse ‘sim!’. E pensei: ‘Como vou conseguir?’, e isso ficou em mim até chegar o momento da gravação.

Fui conduzida por Deus, eu creio, através do produtor a um lugar belíssimo para gravarmos esse álbum, no interior de São Paulo com um clima puro e frio que transmitiu paz e esperança. Água de mina, cachoeira, comida orgânica. Tudo de uma pureza vital e restauradora. Acordávamos cedo, café às dez, gravação a partir das 14h até as 19h. Em quatro dias gravamos este disco, neste ritmo, basicamente ao vivo.

Foi um intensivão, penso que necessário para que eu, rodeada de tantas pessoas de almas bonitas, de crianças e de animais como ganso, galinha d’angola, cavalos, cachorros lindos, vacas, gatinhos, além de uma tremenda cachoeira sonora e transbordante ao largo, enfim. Aquilo tudo me ajudou poderosamente a realizar minha tarefa.

Respirei fundo e me entreguei de voz e alma. Eis-me aqui novamente com mais um álbum no qual, além da composição De primeira grandeza, veio uma cascata de outras músicas do saudoso amigo, a compor esta nova e delicada sinfonia.

Sinto-me agradecida, revigorada, muito mais forte. E tudo isso tem uma intrínseca relação com as conversas que desde os anos 1970, e ao longo do tempo, vinha desenvolvendo com o Bel, nesta nossa relação tão próxima que sempre foi, mesmo estando longe. Agradeço a todos que participaram deste momento de carinho, a toda equipe do disco De primeira grandeza, que foi maravilhosa e dedicada. E a Deck por abraçar o nosso projeto.

Espero que gostem de voar conosco nesse ‘Disco Voador, meu amor! Meu Amor! Meu Amor! É pra você’.

‘Quando estou sob as luzes, não tenho medo de nada e a face oculta da lua que era minha aparece iluminada’ “. Amelinha

(Créditos das imagens: Amelinha em foto de Murilo Alvesso. Capa do álbum De primeira grandeza – As canções de Belchior)

Lançamentos · Programação

Galeria do Palácio da Abolição, em Fortaleza, recebe exposição de Antônio Bandeira

 

O dia que marca o cinquentenário da morte de Antônio Bandeira, um dos principais nomes das artes plásticas do Ceará e do Brasil, será de celebração na terra natal do pintor. De 6 de outubro a 6 de novembro deste ano, a Galeria do Palácio da Abolição, em Fortaleza, recebe a Exposição “Do Crepúsculo ao Noturno”, com cerca de 100 obras que perpassam várias fases da trajetória do autor, falecido em 6 de outubro de 1967, em Paris.

A abertura ocorre a partir das 19 horas desta sexta-feira (6), com presença do governador Camilo Santana. A visitação é gratuita, de segunda a sexta, das 8h às 17h, e a promoção da exibição é do Instituto Antônio Bandeira, gerido por parentes do pintor, e do Governo do Ceará.

A mostra “Do Crepúsculo ao Noturno” reúne obras de Antônio Bandeira que vieram dos Estados Unidos, da França, e do Rio de Janeiro e São Paulo. Contudo, são as peças pertencentes a colecionadores cearenses que despontam como diferencial da exposição. “Nossa ênfase é valorizar o acervo dos colecionadores particulares de Fortaleza. Aquelas obras que estão mais restritas, que não tiveram a oportunidade de serem apresentadas ao grande público”, destaca Francisco Bandeira, também artista plástico e sobrinho de Antônio Bandeira. Ele assina a curadoria da exposição, ao lado de Carlos Macedo.

Além dos óleos sobre tela, a exposição conta com desenhos, guaches, aquarelas e objetos pessoais do cearense, reunidos pelos familiares do ateliê de Bandeira, em Paris, após a morte do pintor. Bandeira não resistiu a uma parada cardíaca enquanto era submetido a uma cirurgia de garganta, na capital francesa. Ele contava apenas 45 anos e uma carreira ainda promissora.

Reconhecimento e morte prematura
Nascido em Fortaleza, em 1922, Antônio Bandeira é um dos ícones do Tachismo, uma das vertentes do Abstracionismo, que prega a desconstrução da obra, do real através do irreal – muito ligada à escola francesa de artes plásticas. Iniciou a carreira na cidade natal, ainda na década de 1940, tendo exposto no 1º Salão de Abril, em 1942. Morou no Rio de Janeiro e, por três ocasiões, em Paris, entre 1946 e 1967. Frequentou a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts (Escola Nacional Superior de Belas Artes) e a Académie de la Grande Chaumière, no entanto, não concluiu os estudos por não querer se apegar a uma arte acadêmica. Expôs 19 mostras individuais, em mais de 50 coletivas e inúmeras póstumas.

Mesmo com o reconhecimento internacional, o sobrinho Francisco Bandeira destaca a simplicidade do artista. “Meus pais relatam que ele era muito ligado à família. Apesar de ser amigo de Carlos Drummond de Andrade, de Manuel Bandeira, de viver entre intelectuais, quando estava em Fortaleza ele era visto ajudando a tirar as jangadas do mar e tomando cachaça com caju junto com os pescadores”.

Pesquisador responsável por coletar o material em exposição, Carlos Feldman aponta que Antônio “trouxe o mundo” para as artes plásticas cearenses. “Ele usa o sol para dizer da onde ele vem. Mas a linguagem não está presa, não esta presa a uma ferramenta do Ceará, brasileira; é universal. O Bandeira traz o mundo para o Ceará”.

Curiosidades
– Antônio Bandeira foi um dos fundadores do Museu de Artes da UFC.

– O Governo do Ceará é o maior detentor da obra de Antônio Bandeira, com cerca de 1.200 peças do autor.

– O Instituto Antônio Bandeira possui o intuito de construir um museu para abrigar o acervo do pintor cearense.

– O documentário “O Fazedor de Crepúsculo”, de João Maria Siqueira, traz imagens raras de Bandeira, em 1960. Há projeto para que a produção vire um filme.

– A última exibição na Galeria do Palácio da Abolição foi a “8ª Exposição de Obras de Arte”, do projeto Amigos em Ação, em novembro do ano passado.

Serviço
Exposição “Do Crepúsculo ao Noturno”

Lançamento:

Data: 6/10/2017
Horário: 19 horas
Local: Galeria do Palácio da Abolição (Rua Silva Paulet, 400)

Visitação:

Data: 6/10/2017 a 6/11/2017
Horário: 8h às 17h, de segunda a sexta-feira
Local: Galeria do Palácio da Abolição (Rua Silva Paulet, 400)
* Visitação gratuita.

Cinema · Programação

Assembleia institui Dia do Cinema Cearense

Os deputados da Assembleia Legislativa do Ceará instituíram, em sessão deliberativa, na manhã desta quinta-feira (5), o Dia do Cinema Cearense, a ser comemorado no dia 5 de agosto.  De acordo com o autor da matéria, o deputado Heitor Férrer (PSB), a data tem por objetivo “resgatar a memória da Sétima Arte no Estado do Ceará, reverenciar as personalidades pioneiras e estimular estudiosos, pesquisadores e produtores contemporâneos da cinematografia cearense”.

Com a aprovação e publicação da proposta no Diário Oficial do Estado (DOE), a data alusiva ao Dia do Cinema Cearense passa a integrar o Calendário Oficial de Eventos do Estado do Ceará.  Na justificativa do projeto, o autor diz que o Cinema no Ceará tem longa e rica história que se inicia por volta de 1910, quando foi exibido o documentário “A Procissão dos Passos”, sendo este considerado o primeiro filme rodado no Estado.

“Daquela primeira apresentação cinematográfica aos dias atuais o cinema cearense tem observado um progresso digno de registro e louvor. Muitos foram premiados em mostras nacionais e internacionais. Produtores, diretores, atores, estudiosos e pesquisadores da Sétima Arte em nosso Estado têm merecido reconhecimento além fronteiras. A mostra cinematográfica CINE CEARÁ completa neste ano de 2017 sua 27ª edição plena de êxito, sendo louvada pelo público e crítica aqui e alhures”.

A data escolhida para homenagear o Cinema cearense se dá em face da instalação nesse dia da ACADEMIA CEARENSE DE CINEMA, idealizado pelo professor-doutor Francisco Régis Frota Araújo,e formada por um grupo de estudiosos, pesquisadores e realizadores da Arte Cinematográfica no Ceará.

 

A diretoria da ACC está assim formada:

PRESIDENTE – Francisco RÉGIS FROTA Araújo

VICE-PRESIDENTE – EDUARDO RENNÓ

1º SECRETÁRIO – MARCUS FERNANDES Oliveira

2º SECRETÁRIO – MESSIAS Rodrigues ADRIANO

1º TESOUREIRO- FERNANDO PESSOA de Andrade

2º TESOUREIRO – José Gilson Bezerra de Menezes (PLUTO)

DIRETOR DE RELAÇÕES PÚBLICAS – José WILSON BALTHAZAR

DIRETORA CULTURAL – FERNANDA Maria Romero QUINDERÉ

DIRETOR DE COMUNICAÇÃO E PUBLICAÇÕES – Francisco BARROS ALVES

 

 

Literatura

Especialista defende fim dos delinquentes no poder

Apesar de não aceitar que um delinquente que tenha roubado ou matado cuide de um bem pessoal, o cidadão comum permite que verdadeiros assaltantes dos cofres públicos permaneçam no poder, e os elegem e reelegem para outros mandatos. Para o especialista em Direito Eleitoral Djalma Pinto, a própria Constituição fornece diversos elementos para que a sociedade se livre desses predadores, sem a necessidade de qualquer Reforma Política ou nova legislação, apenas aplicando a Lei já existente. Cabe ao Supremo Tribunal Federal (STF), como guardião da Carta Magna, evitar que os poderes constituídos continuem sendo abrigo para os mais diversos delinquentes da República.

“Infratores no poder” é o título do mais novo trabalho de Djalma Pinto, que sonha um dia transformar o Brasil em uma Dinamarca, onde os direitos dos cidadãos sejam respeitados e a igualdade social passe a prevalecer. “A minha ideia é criar um ambiente onde o poder seja exercido para favorecer a sociedade. Vamos acabar com a ideia do uso do poder em benefício pessoal, e essa minha busca começa na escola, no Ensino Fundamental. O Estado é para servir à sociedade e o agente político para implementar políticas públicas do bom direcionamento do dinheiro público”, destacou.

De acordo com ele, a tradição brasileira da aplicabilidade das leis nunca atingia o poder econômico e político, o que começou a mudar com o início da Operação Lava-Jato. No entanto, os detentores do poder político ainda não foram alcançados pela legislação vigente. “Quando a lei penal não é aplicada, não desestimula o aumento da criminalidade no exercício do poder. A grande função do direito penal é desestimular novos infratores”.

Djalma Pinto lembra frase dita pelo então senador Pedro Simon, quando em 2000 ele disse que, para se ter uma noção da falta de aplicabilidade da Lei, bastava abrir as grades das cadeias brasileiras e constatar que lá não se encontrava nenhum parlamentar. Em 2010, por exemplo, quase 3 mil ações contra crimes de lavagem de dinheiro estavam prescritas e as pessoas acusadas por esses crimes se encontravam elegíveis.

“Eu proponho que haja uma mudança no sentido de dar interpretação à Constituição que atenda essa expectativa da população brasileira. Isso é muito difícil? Não. Precisa fazer Lei? Não. Basta dar efetividade ao artigo da Constituição que trata sobre a vida pregressa daqueles que desejam exercer cargo político”.

“Você não vai contratar para seu prédio uma pessoa que tenha sido acusada por assassinato ou estupro. Você diz que está defendendo o patrimônio do condomínio, que não pode permitir que a pessoa denunciada exerça essa função. O zelo com o privado tem que ser o mesmo para a coisa pública”, defendeu.

Para Djalma Pinto, a grande contribuição dada pelo Supremo Tribunal Federal neste momento desconfortável da vida nacional seria priorizar os julgamentos de deputados e senadores que estão com denúncias por anos. “A coisa mais deprimente que pode existir é a prescrição de ação penal em que vários deputados figuram como réus, porque isso vai estimular a criminalidade na sociedade” apontou.

Djalma Pinto compara tais “delinquentes do poder” aos traficantes presos em presídios de segurança máxima do País. No entanto, enquanto chefes do tráfico estão presos, os outros seguem legislando, criando leis. “Não existe Estado forte quando todos estão sob o comando de atos de infração. Pessoas envolvidas com criminalidade não têm preocupação com interesses coletivos”, salientou o estudioso.

Djalma Pinto aponta como maior problema do País o fato de boa parte dos membros do Senado e Câmara Federal estarem denunciados por prática dos mais variados crimes e ainda assim são elegíveis. “A Justiça Eleitoral invoca que não há condenação por órgão judicial colegiado para que eles se tornem inelegíveis”. Ele destaca, por exemplo, o paradoxo com aquele candidato que não apresenta prestação de contas de um pleito passado, que logo se torna inelegível pela mesma Justiça Eleitoral.

Ficha Limpa

Ele ressalta, por exemplo, pelo menos cinco dispositivos na Constituição que exigem o respeito ao princípio da moralidade e probidade administrativa que são desrespeitados pelos detentores do poder. “O que está em descompasso com a Legislação vigente no Brasil é garantir legibilidade a pessoas que estão denunciadas por diversos crimes no Supremo Tribunal Federal”. Uma das críticas do advogado eleitoral diz respeito ao que foi transformado a Lei da Ficha Limpa, que, em sua avaliação, foi “mutilada” quando da aprovação dos congressistas.

A inelegibilidade, conforme queria a sociedade civil organizada, dizia a partir do recebimento da denúncia por órgão colegiado. No entanto, os parlamentares apresentaram proposta que dizia que isso só poderia ocorrer a partir da condenação por órgão judicial colegiado. “Com isso, todo mundo ficou elegível, porque eles nunca são julgados”.

Uma das maiores preocupações do advogado eleitoral diz respeito ao fato de, mesmo desviando dinheiro, muitos homens públicos continuam falando em nome da Nação, como é o caso de Paulo Maluf, que, com mais de 80 anos, continua sem julgamento em diversos processos dos quais é acusado. Segundo ele, a juventude brasileira ao perceber esse tipo de situação, sem qualquer perspectiva de mudança, em uma sociedade marcada por pobreza e desigualdade social, ou desanda para o caminho da criminalidade ou fica à espera um “salvador da Pátria”, e nos dois casos há prejuízos para a construção de uma conscientização do bem comum da sociedade.

Participação popular

Ainda sobre a Lei Ficha Limpa, Djalma aponta que ela deva estar em consonância com a Constituição, e isso não ocorrendo, na espera de trânsito em julgado das diversas ações, determinados detentores do poder seguem atuando na política do País, mesmo com mais de 20 denúncias contra si. Além da aplicação da Lei, ele defende uma reformulação da cultura brasileira, a partir da escola.

“Quando a escola não oferece os meios adequados tem que se aplicar as sanções aos infratores da Lei”, disse. No entanto, ressalta que o País jamais vai sair der processo se o STF não dar prioridade para as ações contra as pessoas que têm foro de prerrogativa. “Se não modificarmos o perfil dos políticos, teremos consequências graves para a Democracia. Não precisa falar em Reforma, mas aplicar as leis”. Djalma Pinto cita ainda oito medidas, praticamente todas com participação popular, para mudança do quadro atual em que o Brasil se encontra. No entanto, boa parte da sociedade tem repulsa da vida política-partidária, principalmente, devido aos casos gritantes de corrupção. Para ele, porém, a democracia só existe com partidos políticos.

“Aplicadas as leis, aquelas pessoas que querem apenas maximizar seu poder econômico não vão mais participar da vida pública, e teremos mais competência e eleições com mais lisura. As ideias que proponho para o Brasil são no intuito de transformá-lo em uma Dinamarca, que assegure a igualdade para todos, além de qualidade de vida de toda a Nação”, concluiu.

do Diário do Nordeste

Sinopse

Lugar de delinquente é na penitenciária não é em Casa Legislativa. Essa particularidade, simples e de fácil constatação, deve ser captada pela atual e pelas futuras gerações. Busca-se, aqui, apenas comprovar que a Constituição fornece elementos para a nação se livrar de seus predadores pelos danos conhecidos e irreparáveis que causam à população.

O presente livro analisa a questão referente à presença de infratores na representação popular, propondo solução para tão grave problema. Com suporte em princípios contidos na própria Constituição, é possível demonstrar que a exigência da vida pregressa compatível com a magnitude da representação popular pode ser erigida como condição de elegibilidade, ou seja, como requisito intransponível para o credenciamento da pessoa para participar do certame eleitoral.

 

Literatura

Maior evento cultural do Estado, Bienal do Livro do Ceará acontece de 14 a 23 de abril

Maior evento cultural do Estado, a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará acontece de 14 a 23 de abril, e tem como tema “Cada Pessoa, um Livro;  o Mundo, a Biblioteca”. O evento deve reunir os principais nomes da produção literária do País, além de nomes de outros países, durante todos os dias no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza.

“A ideia é trabalhar com o conceito de acervo humano e planetário, mostrando a pessoa como livro, como uma história”, segundo informou o secretário de Cultura,  Fabiano dos Santos Piúba. O evento tem como curador geral o escritor cearense Lira Neto, que a partir do tema principal desenvolveu toda uma programação adulta, juvenil e infantil.

“Esse é o maior evento cultural voltado para a democratização do acesso ao livro, mas também para fomentar a cadeia do livro”, afirmou o gestor da pasta. Ele destacou que no Brasil como um todo o índice de leitura ainda é muito baixo, estando o País distante de países da Europa, mas próximo de outras nações da América Latina, como Colômbia, Venezuela e Bolívia. Argentina e Chile seguem com os melhores indicadores.

No entanto, o gestor da Cultura ressaltou que com as políticas públicas adotadas ao longo dos últimos anos pelos governos de Cid Gomes e agora de Camilo Santana, o nível de leitura do estudante cearense tem melhorado como mostram os resultados do Ideb. “O Ceará tem sido referência na Educação Básica em função da continuidade do PAIC (Programa de Alfabetização na Idade Certa), que não teve ruptura”, ressaltou.

Os números recentes mostram que das 100 escolas melhores avaliadas no Ideb, 77 são do Ceará, inclusive, as 15 primeiras. “A Bienal do Livro é uma vitrine para isso, para compartilhar e difundir para a sociedade cearense a importância da leitura, de chamar atenção da cidade, do Estado para algo que está se passando no Centro de Eventos”, destacou.

A produção cearense, segundo ele, tem evoluído desde o início da década de 2000, mas também sofreu com a crise econômica pela qual o País passa. No Ceará, sobretudo, a partir de 2002/2003 começaram a surgir diversas pequenas editoras, que hoje, inclusive, compõem a Câmara Cearense do Livro.

Eles iniciaram a publicar o escritor cearense, e a partir daí, um leque de editores e escritores foram se destacando no cenário local. O secretário destacou que o surgimento das editoras é importante para a cadeia produtiva e criativa da literatura no Ceará.  “Nosso Estado tem um catálogo substancial de literatura ou produção acadêmica. A crise tem afetado o mercado editorial brasileiro, e no Ceará não tem sido diferente”, ressaltou o secretário.

Acompanhe AQUI a programação completa da Bienal.