Cinema

Shape of Water não chega a ser original, mas é um belo conto de nosso tempo

A história de  The Shape of Water tem o foco em Elisa (Sally Hawkins), uma zeladora muda que trabalha em um laboratório onde um homem meio anfíbio (Doug Jones) é mantido em cativeiro. Quando ela acaba se apaixonando pela criatura, começa a fazer um plano para ajudá-lo a escapar com a ajuda de seu vizinho (Richard Jenkins). O mundo fora do laboratório, no entanto, pode se provar mais perigoso para o homem anfíbio do que Elisa poderia imaginar.

De início, não vi nada de tão extraordinário, de tão espetacular ou original em The Shape of Water que já não tenha visto em O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Okja ou A Dama da Água. Fiquei a primeira uma hora me perguntando por que ele tem levado todos os prêmios a que concorreu e os citados acima não? Não sou dos fandom do Guillermo del Toro, mas tem muita gente por aí se derretendo com esta produção, somente pela assinatura do mexicano mais querido da galerinha geek.

Apesar do protesto, venho através deste dizer que esta é uma bela fábula de nosso tempo, com todos os ingredientes para virar um verdadeiro clássico do cinema contemporâneo. Del Toro, enfim, se redime. Graças à história, à direção, mas, principalmente, ao elenco de peso que conduz a trama de forma excepcional. Como disse, na primeira uma hora nada de novo. Nada que já não tenha visto em Okja/Amelie Poulain/ A Dama da Água (até na trilha sonora).

Como Del Toro gosta de misturar a ideia da fábula com violência, é aí que o longa vai se diferenciando e passa a ter um tom mais original. Não me surpreenderia se levasse a estatueta do Oscar nas categorias roteiro original, direção, atriz, atriz coadjuvante e ator coadjuvante. Se levar de filme, vai ser porque o negócio não foi tão produtivo em Hollywood no último ano, como se fato não tem sido há um bom tempo.

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Cinema

Three Billboards Outside Ebbing Missouri é entretenimento de qualidade

Melhor filme visto no fim de semana.  Three Billboards Outside Ebbing Missouri é um filme policial de humor negro britânico-americano de 2017, escrito, produzido e dirigido por Martin McDonagh.

A história gira em torno de Mildred Hayes (Frances McDormand), que teve a filha brutalmente assassinada e o criminoso nunca foi encontrado pela polícia. Após perceber que o caso foi deixado de lado pela autoridade local, ela aluga três outdoors em uma estrada abandonada onde exige justiça ao xerife Bill Willoughby (Woody Harrelson).

Ponto alto é o ótimo elenco e o roteiro intrigante. Em determinado momento você acha tudo muito estranho e improvável, mas isso está longe de ser um ponto negativo. Filmão!

Cinema

A Bela e a Fera deixa a desejar, mas arrecadou horrores em bilheteria

A Bela e a Fera, lançado no início do ano passado, despontou como a maior bilheteria de 2017 até Star Wars – Os Últimos Jedi desbancar o longa da… Disney. No entanto, apesar do número impressionante do que foi arrecadado nas salas de cinema no mundo todo, o filme é um live action que consegue ser mais chato e sem graça do que a animação.

Aliás, isso tem sido uma regra desde sempre, as animações, geralmente, têm nos tocado bem mais além do que suas versões de carne e osso. Ainda assim, a ótima campanha publicitária da Disney rendeu mais de 1,2 bilhão de dólares em bilheteria no mundo todo, em 2017.

Sinopse:
Moradora de uma pequena aldeia francesa, Bela tem o pai capturado pela Fera e decide entregar sua vida ao estranho ser em troca da liberdade do progenitor. No castelo ela conhece objetos mágicos e descobre que a Fera é na verdade um príncipe que precisa de amor para voltar à forma humana.

Cinema

Moonlight é um filme sobre descobertas e aceitação

O filme está concorrendo a oito Oscar, incluindo de melhor filme, diretor e roteiro adaptado.
O filme está concorrendo a oito Oscar, incluindo de melhor filme, diretor e roteiro adaptado.

Você é aquilo que os outros pensam que é; você é o que acha que é; você é quem realmente é. Alguém deve ter dito isso num passado distante, mas como nunca encontrei patente para a frase, tomo ela como minha, pois a repito desde sempre.

O longa Moonlight, um dos melhores filmes da temporada, é uma jornada em busca do “conhece a ti mesmo” (essa com dono) e em meio a tudo isso um drama cheio de intensidade, como quase todo filme sobre negros na sociedade americana. Little, Chiron e Black são três pessoas em uma em busca do automaticamente e auto aceitação.

 O filme é dividido em três capítulos iniciando pela história do “moleque” que sofre todo tipo de perseguição apenas por ser diferente, agir diferente, pensar diferente. Na adolescência, as perseguições se intensificam, mas da mesma forma, Black começa a entender quem é. Quando adulto, Chiron até tenta ser quem não é, mas o destino (ou desejo) o faz voltar para tentar se encontrar mais uma vez.

Sempre achei que os filmes que contam a história de personagens afro-americanos pesam a mão na hora do drama, e da comédia também. E isso acontece em Moonlight em alguns momentos, mas longe de tirar o mérito da produção. Existem duas cenas de muita intimidade feitas de forma pontual, que são das coisas mais encantadoras do cinema.

Acima de tudo um filme que fala sobre o amor. É como aquela outra famosa (?) frase que diz que “Você só pode amar a outro se amar a si”. E aqui eu emendo: para amar a si é preciso se conhecer muito bem. O filme está concorrendo a oito Oscar, incluindo de melhor filme, diretor e roteiro adaptado.

 

4/5

Sinopse

Black (Trevante Rhodes) trilha uma jornada de autoconhecimento enquanto tenta escapar da criminalidade e do mundo das drogas de Miami. Encontrando amor em locais surpreendentes, ele sonha com um futuro maravilhoso.

 

Cinema

A Cura tem muita informação e um tanto de confusão

A fotografia é o ponto alto filme. Imagens belíssimas por sinal, que não salvam a produção de um fracasso retumbante.

Depois de sair da sessão de  A Cura, novo filme do diretor  Gore Verbinski, você fica com algumas impressões, nem todas boas. Uma delas, talvez das principais, é a demora para conclusão de todo o suspense na tentativa errada de se criar um clássico de thriller psicológico.

São quase duas horas e meia de enrolação, referências, homenagens e quem sabe até plágio para chegar ao desfecho nem lá tão surpreendente. O filme cansa muito e, pelo menos na sala em que estava, com mais quatro pessoas (sim, na estreia e somente três casas na sessão) não teve muita animação.

Uma mistura de Drácula com Hitler,  com O Iluminado e outras homenagens (?) a Kubrick. São  tantas referências que te deixam muito entediado e não apresentam nada de novo  ou instigante para o estilo. Basicamente conta a história do mocinho (nem tão moço assim) que vai em busca de um dos acionistas de uma grande empresa que foi se aventurar em um spa nos Alpes Suíços.

Chegando lá coisas estranhas começam a acontecer, pessoas a desaparecer e o mocinho a enlouquecer (?). Nada de novo abaixo do sol. Depois de mais de duas horas acompanhando a coisa toda a impressão que tive foi de que se fosse uma série, dessas que todo adolescente (ou não) aplaude na Netflix, talvez seria uma das melhores produções.

É sério, tem coisas que funcionam muito bem como série, mas fossem para a telona, sei não. E vice-versa, claro. Ah, a fotografia é o ponto alto filme. Imagens belíssimas por sinal, que não salvam a produção de um fracasso retumbante.

 

2/5

 

 

 

 

Lançamentos · Programação

Mostra New Queer Cinema chega a Fortaleza

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A CAIXA Cultural Fortaleza apresenta, de 11 a 23 de agosto, a mostra de cinema New Queer Cinema (NQC) – Cinema, Sexualidade e Política. Os 27 filmes exibidos de língua inglesa abordam formas alternativas de sexualidade, além de quatro títulos nacionais lançados entre 2013 e 2014. Ao todo, 14 longas, quatro médias e nove curtas.

Filmes cearenses também integram a programação, como os longas Doce Amianto e O Animal Sonhado – esse último será exibido na pré-estreia do evento, no dia 11 de agosto (terça-feira), às 20h, com a presença dos diretores. Além de Fortaleza, a mostra já passou pelo Rio de Janeiro (junho), e também deve circular por Salvador, São Paulo e Curitiba.

A mostra pretende apresentar ao público a produção do New Queer Cinema, um movimento de cineastas norte-americanos e britânicos que, na virada dos anos 1980 para os anos 1990, realizaram filmes de uma maneira política e ousada, que desafiavam normas politicamente corretas com as quais Hollywood e a televisão norte-americana passavam a tratar a homossexualidade.

Os artistas respondiam a falta de ações do governo e da sociedade durante a crise da AIDS criando filmes desafiadores que até hoje mantêm uma influência decisiva no cinema contemporâneo, incluindo nesse contexto o brasileiro.

Debates: Com curadoria de Denilson Lopes e Mateus Nagime, a mostra NQC também promove dois debates: dia 13 (quinta-feira), Um novo cinema queer brasileiro? e, dia 20, Performance e História. Além dos curadores, compõem as mesas o pesquisador André Antônio e o realizador Uirá dos Reis; e o pesquisador Chico Lacerda e o artista/pesquisador Pablo Assumpção, respectivamente.

“O objetivo da mostra é reavaliar esse intervalo de 25 anos, a relevância e o impacto do New Queer Cinema e o que ele representa na sociedade contemporânea, com novos debates e questões. Alguns filmes raros – especialmente curtas seminais da época – não tiveram sessões públicas no país. Também propomos pensar o que significa os poucos representados filmes queer brasileiros contemporâneos”, explica Nagime.

Durante a mostra, será lançado um livro-catálogo sobre o tema e seus antecedentes cinematográficos, políticos e acadêmicos. O material impresso contemplará traduções de textos relevantes sobre o NQC, fotos, sinopses e fichas técnicas dos filmes selecionados pela mostra, além de artigos inéditos de pesquisadores, críticos e artistas que trabalham com questões relacionadas a cinema e sexualidade.

“Rever os filmes é pensar como a questão das dissidências sexuais pode se colocar além das hetero e homonormatividades, ou seja, para além de padrões aceitáveis de sexualidades e afetos, tanto entre heterossexuais quanto homossexuais. Este é um momento particularmente especial em que a produção cinematográfica brasileira – especialmente por meio de uma nova geração – parece estar mais sensível a essa discussão, bem como a necessidade de criar pontes de diálogo ou acentuar os confrontos de forma criativa”, complementa Denilson Lopes.

O cearense O Animal Sonhado está entre os filmes que serão exibidos na Mostra.
O cearense O Animal Sonhado está entre os filmes que serão exibidos na Mostra.

 

Programação Fortaleza

 

Terça, 11/08

20h – Abertura

O Animal Sonhado (2015, 79min) de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima e Victor Costa Lopes

Classificação indicativa: 18 anos

*Com a presença dos diretores

 

Quarta, 12/08

16h

Urinal / Pissoir (1989, 100m) de John Greyson

Classificação indicativa: 18 anos

 

18h

Doctors, Liars & Woman / Doctors, Liars & Woman: Aids Activists Say No To Cosmo (1988, 23min) de Jean Carlomusto, Maria Maggenti

The Making of Monsters (1991, 35min) de John Greyson

Classificação indicativa: 12 anos

 

20h

Tatuagem (2013, 110min) de Hilton Lacerda

Classificação indicativa: 16 anos

 

Quinta, 13/08

16h

It’s a Sin (1987, 5min) de Derek Jarman

Eduardo II / Edward II (1991, 87 min) de Derek Jarman

Classificação indicativa: 16 anos

 

18h

The Dead Boys’ Club (1992, 26min) de Mark Christopher

Doce Amianto (2013, 70min) de Guto Parente, Uirá dos Reis

Classificação indicativa: 16 anos

 

20h

Debate 1

Um Novo Cinema Queer Brasileiro?

Mediação: Mateus Nagime

André Antonio (pesquisador)

Uirá dos Reis (realizador)

 

Sexta, 14/08

16h

Tongues Untied (1989, 55min) de Marlon Riggs

Seams (1993, 29min) de Karim Ainouz

Classificação indicativa: 14 anos

 

18h

The Queen is Dead (1986, 13min) de Derek Jarman

Batguano (2014, 74min) de Tavinho Teixeira

Classificação indicativa: 18 anos

 

20h

The Living End / The Living End (1992, 92min) de Gregg Araki

Classificação indicativa: 18 anos

 

Sábado, 15/08

16h

Fast Trip, Long Drop (1994, 54min) de Gregg Bordowitz

Looking for Langston (1989, 45min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 14 anos

 

18h

Estudo em Vermelho (2013, 16min) de Chico Lacerda

Veneno / Poison (1991, 85min) de Todd Haynes

Classificação indicativa: 16 anos

 

20h

Nation (1992, 1min) de Tom Kalin

Swoon – Colapso do Desejo / Swoon (1992, 93min) de Tom Kalin

Classificação indicativa: 18 anos

 

Domingo, 16/08

15h

The Watermelon Woman (1991, 90min) de Cheryl Dunye

Classificação indicativa: 12 anos

 

17h

Paciência Zero / Zero Patience (1993, 97min) de John Greyson

Classificação indicativa: 14 anos

 

19h

Young Soul Rebels (1991, 105min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 16 anos

 

Terça, 18/08

16h

Garotos de Programa / My Own Private Idaho (1991, 104 min) de Gus Van Sant

Classificação indicativa: 18 anos

 

18h

Urinal / Pissoir (1989, 100m) de John Greyson

Classificação indicativa: 18 anos

 

20h

Tatuagem (2013, 110min) de Hilton Lacerda

Classificação indicativa: 16 anos

 

Quarta, 19/08

16h

Doctors, Liars & Woman / Doctors, Liars & Woman: Aids Activists Say No To Cosmo (1988, 23min) de Jean Carlomusto, Maria Maggenti

The Making of Monsters (1991, 35min) de John Greyson

Classificação indicativa: 12 anos

 

18h

The Dead Boys’ Club (1992, 26min) de Mark Christopher

Doce Amianto (2013, 70min) de Guto Parente, Uirá dos Reis

Classificação indicativa: 16 anos

 

20h

It’s a Sin (1987, 5min) de Derek Jarman

Eduardo II / Edward II (1991, 87 min) de Derek Jarman

Classificação indicativa: 16 anos

 

Quinta, 20/08

16h

Estudo em Vermelho (2013, 16min) de Chico Lacerda

Veneno / Poison (1991, 85min) de Todd Haynes

Classificação indicativa: 16 anos

 

18h

Nation (1992, 1min) de Tom Kalin

Swoon – Colapso do Desejo / Swoon (1992, 93min) de Tom Kalin

Classificação indicativa: 18 anos

 

20h

Debate 2

Performance e História

Mediação: Denilson Lopes

Chico Lacerda (pesquisador)

Pablo Assumpção (artista e pesquisador)

 

 

Sexta, 21/08

16h

The Living End / The Living End (1992, 92min) de Gregg Araki

Classificação indicativa: 18 anos

 

18h

The Watermelon Woman (1991, 90min) de Cheryl Dunye

Classificação indicativa: 12 anos

 

20h

The Queen is Dead (1986, 13min) de Derek Jarman

Batguano (2014, 74min) de Tavinho Teixeira

Classificação indicativa: 18 anos

 

Sábado, 22/08

16h

Tongues Untied (1989, 55min) de Marlon Riggs

Seams (1993, 29min) de Karim Ainouz

Classificação indicativa: 14 anos

 

18h

Fast Trip, Long Drop (1994, 54min) de Gregg Bordowitz

Looking for Langston (1989, 45min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 14 anos

 

20h

Na Sua Companhia (2012, 22min) de Marcelo Caetano

No Skin Off My Ass (1991, 73 min) de Bruce LaBruce

Classificação indicativa: 18 anos

 

Domingo, 23/08

15h

Paciência Zero / Zero Patience (1993, 97min) de John Greyson

Classificação indicativa: 14 anos

 

17h

Young Soul Rebels (1991, 105min) de Isaac Julien

Classificação indicativa: 16 anos

 

19h

This is Not an AIDS Advertisement (1987, 14min) de Isaac Julien

O Animal Sonhado (2015, 79min) de Breno Baptista, Luciana Vieira, Rodrigo Fernandes, Samuel Brasileiro, Ticiana Augusto Lima, Victor Costa Lopes

Classificação indicativa: 18 anos

 

Serviço

Cinema New Queer Cinema – Cinema, Sexualidade e Política

Local: CAIXA Cultural Fortaleza Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema Data: 11 a 23 de agosto de 2015

Abertura: 11 de agosto de 2015, às 19h (coquetel com presença dos diretores ao final do filme)

Entrada: R$ 4,00 (inteira) e R$2,00 (meia) Vendas uma hora antes de cada sessão