Lançamentos · Música · Programação

Gram faz show em Fortaleza; confira entrevista com membros da banda

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O Gram retorna com novo trabalho, Outro Seu

O Gram foi aquela banda meteórica, surgida no início dos anos 2000, e que prometia entrar para a história da Música Popular Brasileira (MPB) com um disco de estreia recheado de bons hits. Quem não lembra de “Você pode ir na janela” e o clipe do pobre gatinho traído? Aquilo era de partir o coração, e a banda funcionou bem até o segundo disco de estúdio, Seu Minuto, Meu Segundo, quando logo em seguida, a banda acabou.

Mas, para felicidade geral de seus fãs, o grupo retomou as atividades no ano passado, com novo vocalista e um disco de inéditas, Outro Seu e uma grande gravadora que apostou no retorno deles. Muitos, de início, torceram o nariz, criticaram a escolha do menino Ferraz, mas aos poucos, o público foi percebendo que ainda havia gás para continuar seguindo em frente, e apostaram nessa nova formação. E é esse Gram que estará no dia 21 de agosto realizando uma primeira apresentação da nova formação em Fortaleza, no Let’s Go Rock Bar. O Ferraz e o Marco Loschiavo me concederam entrevista falando um pouco da história da banda e prometendo um mega show com músicas para saudosistas e novos admiradores.

Na época em que foi lançado, o clipe de Você Pode Ir na Janela viralizou..
Na época em que foi lançado, o clipe de Você Pode Ir na Janela viralizou..

 

O que essa nova formação traz de diferente daquele grupo de dez anos atrás?

Marco: Principalmente o vocalista, e em termos de arranjos, no nosso disco com o Ferraz, pesamos a mão mais para o lado denso do rock. O setlist fica dividido entre coisas novas e as antigas, que continuam com seus arranjos originais.

 

O GRAM foi a banda que surgiu em um momento em que todos necessitavam de uma válvula de escape para tudo o que estava sendo tocado por aí. De repente tudo desmoronou e banda se desfez. Agora, quase uma década depois do último álbum,  é mais difícil se situar no meio musical?

Marco: Depende muito do que o artista procura e, no meu caso a banda serve como diversão e prazer. Em termos de mercado, na minha ótica não mudou muita coisa. O principal motivo da banda ter parado no passado foi a falta de shows e o nível de amadorismo no cenário underground. Nós somos e sempre fomos do underground, as pessoas têm uma ideia errada de que por algum momento fomos do mainstream. Podemos dizer que em dado momento fomos “cult” mas nunca populares. Tivemos ajuda muito grande da MTV que gostava do nosso trabalho, mas em termos de “viver disso” sempre foi osso.

 

Dizem que o rock está tendo que brigar com sertanejo e forró por espaço, e estaria perdendo feio a quebra de braço. O momento é de inovar ou manter a coerência do som e a veia roqueira?

Ferraz: Cara, se ficarmos pensando com quem temos que brigar, acho que por principio já começamos errado. Em minha opinião, os músicos têm que pensar com quem eles querem se juntar para criar coisas boas. O momento é sempre de dizer a verdade e fazer o que você sabe de melhor, seja isso o estilo musical que for. No caso do Gram expressamos isso através do nosso disco “Outro Seu”. Assim como você mencionou anteriormente, isso foi a nossa válvula de escape para tudo, e o resultado foi um disco mais pesado do que o habitual, intenso e visceral.

Marco: O formato em termos de palco é parecido e a turma que ia aos shows do tipo Capital Inicial e Skank se identificam com as duplas. Uma vez batendo um papo com o Marcos Maynard ele me disse claramente que o sertanejo tomou a boca do rock, e para os empresários das grandes bandas de Rock isso é um problema. Para nós do underground, acredito que não influencia. Sim o rock perde essa quebra de braço.

 

Ferraz é o menino da turma? Cheio de gás e vontade, percebe-se nas apresentações ao vivo. O que ele trouxe de novo e bom para o som do Gram?

Ferraz: Acho que nós quatro somos meninos na essência. Apesar da diferença de idade a gente se dá muito bem e a convivência acaba sendo uma grande aventura entre amigos. Eu sou de outra geração do que eles e isso naturalmente acaba trazendo muitas coisas novas. O mundo se apresentou para mim de maneira diferente do que para eles, e isso muda bastante coisa. Apesar de parecer bastante difícil conciliar tudo isso num convívio de banda, conseguimos canalizar isso pra o bem do nosso trabalho, aproveitando o que cada um tem de melhor a oferecer.

 

O timbre de voz do vocal é muito diferente daquele que os fãs conheciam, isso tem sido uma dificuldade ou as pessoas têm recebido numa boa?

Ferraz: No começo sofri bastante com críticas. Muitas pessoas me julgaram simplesmente porque eu era eu, e não o antigo vocalista. Com o tempo as pessoas começaram a de fato escutar minha voz e sucessivamente a mudar de opinião. A cada show que fazemos as pessoas vem falar comigo e dizem coisas muito bacanas. Isso me faz muito feliz e confirma que estávamos no caminho certo desde o começo. Não teria sentido eu assumir o vocal da banda e ficar imitando outra pessoa. Talvez a aceitação inicial tivesse sido maior, porém a longo prazo seria um tiro no pé.

 

O que os fãs do Ceará e Nordeste podem esperar desse show que vai ser realizado agora em agosto?

Ferraz: Temos uma grande ligação com o Nordeste de forma geral. Toda vez que tocamos ai é uma comoção e saímos muito felizes das apresentações. As pessoas podem esperar o que sempre se espera do Gram: muita emoção, entrega no palco e uma pitada de nostalgia. Aguardamos ansiosamente por vocês! Grande beijo

Marco: Um lugar sempre especial e cheio de pessoas que admiram a boa música. Quem aparecer no show vai conferir uma banda entregue e cheia de emoção.

Gram voltou com Ferraz no vocal em 2014
Gram voltou com Ferraz no vocal em 2014

O quê?
Gram em Fortaleza
Bandas de abertura:
Caike Falcão
 Sulamericana
Quando?
Dia 21 de agosto (sexta-feira) as 21h
Onde?
Let’s Go Rock Bar
Rua Almirante Jaceguai, Dragão do Mar

Quanto?
Pista R$30,00 (1º Lote)
Camarote R$50,00 (1º Lote)
CENSURA: 16 ANOS
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Música · Programação

MIS do Ceará inicia minicurso sobre MPB nesta segunda-feira

artistas de MPB

Uma oportunidade de debater com um dos grandes estudiosos da música brasileira a história, o presente, a forma e o conteúdo, o texto e o contexto da canção popular e da produção musical nacional como um todo. É o que o Museu da Imagem e do Som do Ceará (MIS-CE) oferece a partir desta segunda-feira, 13/7, com o minicurso de férias “Análise e apreciação da Nossa Música Popular Brasileira – Do período Colonial à Contemporaneidade”, ministrado por Dilmar Miranda, diretor do museu, professor da UFC e um dos mais respeitados pesquisadores de todo o País quando o assunto é música popular. As inscrições já estão abertas.
O minicurso será ministrado nos dias 13, 15, 17, 20, 21 e 22, sempre das 17h às 19h30, facilitando também a participação de quem não está em férias neste mês de julho. São 40 vagas e as inscrições podem ser feitas pelo telefone do MIS, 3101-1206, ou presencialmente no Museu, que fica na Av. Barão de Studart, 410, Meireles.

De acordo com Dilmar Miranda, o minicurso tem entre seus objetivos promover a apreciação da Música Popular Brasileira (MPB), instrumental e vocal, examinando os aspectos técnicos e estéticos presentes nas criações de seus inventores e nas performances de seus intérpretes, articulando a análise ao seu entorno social expresso na história cultural do Brasil, centrada nos momentos marcantes da figuração de seus principais estilos e gêneros, desde a virada do século XX até a MPB da contemporaneidade.

“Será um percurso bem leve e diversificado, em uma dinâmica participativa, começando com os antecedentes da música brasileira no período colonial, seguindo pela fixação dos gêneros da música urbana na virada para o século XX, com o choro, o maxixe e o samba, e continuando pela era da fonografia a partir dos anos 30, pelo sucesso de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira no pós-guerra, pela bossa nova no final dos anos 50, pela era da Jovem Guarda e dos festivais na década de 60, entre muitos outros momentos da nossa música popular brasileira”, descortina Dilmar.
Os 100 anos desde o nascimento do compositor cearense Humberto Teixeira, comemorados em 2015, também terão espaço especial no minicurso, aberto à participação de todos os interessados, dentro do limite de vagas.
Mais sobre Dilmar Miranda

O MIS-CE
O Museu da Imagem e do Som do Ceará é responsável, desde sua fundação, pela preservação, pela difusão e pela pesquisa da memória audiovisual do Estado. Inaugurado em 1980, foi inicialmente instalado no subsolo do prédio da Biblioteca Pública Governador Menezes Pimentel. Em agosto de 1996 foi reestruturado em sua atual sede, na avenida Barão de Studart, 410.
Atualmente o acervo do MIS-CE é estimado em 150 mil peças entre discos de música brasileira e internacional (de 78, 45 e 33 e ½ rotações), CD’s, fitas de áudio, de rolo, cassete e microcassete, um acervo de imagem (fotografias cópia papel e digital) com imagens de Fortaleza Antiga, de outros municípios cearenses, de personalidades, festas e folguedos populares, artistas populares (cordelistas, artesãos, escultores, etc) cromos e negativos, filmes de diretores cearenses e registros de danças e festas da cultura popular tradicional (em diversos formatos, como vídeos betacam, betamax, VHS e super VHS, DVD, H-8, películas de 16mm e 35mm etc.), depoimentos de personalidades da história do Ceará, cordéis, partituras e muitos outros objetos que contam a história registrados em suportes audiovisuais.
Além do acervo disponibilizado ao usuário, o MIS possui biblioteca especializada (em fase de reorganização), sala de projeção multimídia e espaços expositivos.
Programa do minicurso “Análise e Apreciação da Nossa Música Popular Brasileira
1) A abordagem inicia-se com os antecedentes da MPB no período colonial, cujo instante marcante se dá com a chegada da corte portuguesa no Brasil e suas ressonâncias na vida musical que se fazem sentir no curso do século XIX, com o aflorar das primeiras formas musicais (choro) que irão constituir a futura MPB.
2) Na viragem do séc. XX dá-se a instauração da nova ordem republicano-burguesa, quando se fixam os principais gêneros da moderna música popular urbana (o choro, maxixe e samba), no contexto do surgimento do sistema fonomecânico de gravação.
3) Nos anos 1910/20, dá-se a famosa polêmica do “1º samba” Pelo telefone, e a geração da “casa da Tia Ciata”, importante locar de encontro de artistas populares da época: momento de ruptura com as práticas musicais tradicionais e início da profissionalização do compositor popular.
4) Em fins dos anos 20, surge a geração da “Turma do Estácio”, responsável pela criação do moderno samba urbano e pela criação da 1ª Escola de Samba do Rio de Janeiro.
5) Na virada dos anos 30, dá-se a invenção do sistema fonoelétrico provocando mudanças técnicas e estéticas na forma de compor, interpretar e ouvir a MPB. Surge a era de ouro do rádio (anos 30/40), exercendo um grande papel na divulgação de vários compositores, maestros, instrumentistas e cantores.
6) No pós-guerra, além da invasão das músicas latino-americanas, divulga-se no país, com imenso sucesso, a música popular nordestina, a exemplo do baião, na performance do compositor pernambucano Luís Gonzaga
7) Em fins dos anos 50, verifica-se a renovação da moderna música popular brasileira, com a bossa nova, provocando grandes mudanças estilísticas na MPB.
8) Com a ditadura militar (golpe de 1964) a sociedade brasileira passa a viver tempos sombrios, com fortes ressonâncias na MPB, fazendo surgir a música de protesto (música de intervenção).
9) Do meio para o fim dos anos 60, surge a era dos festivais e o movimento tropicalista (tropicália), Segue a radicalização da vida política: a ditadura baixa o AI 5, instituindo a pena de morte contra adversários do regime.
10) Nos anos 70, dá-se a alegorização da canção de protesto e a retomada da música instrumental popular.
11) Nos anos 80, surge o rock nacional (brock), com forte influência do punk inglês. Intensifica-se a luta contra a ditadura com o movimento das (eleições) diretas-já! Muitos artistas se engajam no movimento.
12) A partir das últimas décadas do século XX, chegando à contemporaneidade, a MPB enfrenta um intenso desafio entre a forma estética e a fôrma comercial da indústria cultural. Nesse contexto, vários artistas (compositores e/ou intérpretes) expressam as formas tradicionais da MPB, pelo uso de linguagens contemporâneas bem como pela mediação das novas tecnologias, buscando sua renovação, a exemplo do movimento Manguebit e de outros grupos, ou trabalhos-solo, procurando compatibilizar a tradição com a contemporaneidade, a exemplo da música pop da atualidade. Chico Buarque e a morte da canção.

SERVIÇO:
Minicurso “Análise e apreciação da Nossa Música Popular Brasileira – Do período Colonial à Contemporaneidade”, ministrado por Dilmar Miranda, diretor do Museu da Imagem e do Som do Ceará, equipamento da Secretaria da Cultura do Governo do Estado. Dias 13, 15, 17, 20, 21 e 22, sempre das 17h às 19h30. 40 vagas. R$ 20,00. Inscrições abertas: 3101-1206 ou presencialmente no Museu, que fica na Av. Barão de Studart, 410, Meireles.

Lançamentos

Daniel Groove lança a dolorosa “Morrer de Novo”

daniel groove

O cantor cearense, Daniel Groove, disponibilizou, na tarde desta quinta-feira, em seu perfil no Youtube, a música “Morrer de Novo”, de seu próximo disco. Difícil é não ouvir umas cinco ou mais vezes a canção que tem um refrão cheio de dor e intenso. É clicar e se deixar levar.

“Tá fazendo falta, só você conhece o meu caminho,

sabe que o meu destino passa por você.

Tá fazendo falta, só você manda no meu domínio,

mas se quiser,  aprendo logo a te esquecer.”

Daniel Groove é uma das grandes promessas da música brasileira atual, e seu primeiro disco “Giramundo” foi sucesso de crítica, inclusive, ganhando um dos principais prêmios da música independente, o Prêmio Dynamite, em 2014.

Caiu na rede · Música

O forró estilo exportação do Forro In the Dark

Forro In the Dark em sua formação original. FOTO: DIVULGAÇÃO
Forro In the Dark em sua formação original. FOTO: DIVULGAÇÃO

Infelizmente, essa é a primeira vez que você ouve falar de Forro in the Dark, uma banda de wolrd music formada por brasileiros que tocam forró genuíno para plateias do outro lado do globo. Mas felizmente, essa não será a última vez, acredito eu. Formada em 2002, a banda é radicada nos Estados Unidos, e faz uma combinação do forró, como estilo principal, com algumas pitadas de rock, folk, jazz, country, dentre outros. O sonho deles? Tocar em uma festa de São João no Nordeste brasileiro.

Eu conversei com o Mauro Refosco, um dos idealizadores do grupo, que falou um pouquinho para o blog sobre a ideia de criar um grupo de forró tipo exportação, e as dificuldades que eles têm tido para tocar o um som genuinamente brasileiro lá fora, devido essa tal peculiaridade (a entrevista postarei em um segundo momento). O Forro In the Dark teve iniciou quando o Mauro convidou alguns amigos para tocarem um jam no estilo forró no Nublu, uma casa noturna em East Village, lá em  Nova Iorque.

Com o sucesso da festa, eles começaram a tocar no local semanalmente, e as apresentações chamaram a atenção de David Byrne,  que contribuiu para a banda no álbum de estreia deles,  o Bonfires of São João . Segunda-feira passada (23 de março), os caras do Forro in The Dark tocaram em um festival em homenagem ao  Byrne e os Talking Heads, no Carnegie Hall.

No ano de 2007, eles fizeram turnê pelos Estados Unidos, Canadá e Europa para promover o primeiro álbum, e gravaram a canção City Of Immigrants, do disco do Steve Earle, Washington Square, que foi vencedor do Grammy.

O segundo álbum deles é  intitulado Light a Candle, e dentre os convidados para tocar no disco estão Sabina Sciubba, do Brazilian Girls, e Jesse Harris. O álbum traz também cover de canções brasileiras de forró como Saudades de Manezinho Araujo, de Téo Azevedo, e Forró de Dois Amigos, de Edmilson do Pífano. Em 2009, o Mauro foi anunciado como parte da banda Atoms for Peace, fundada por Thom Yorke e formada também por Flea (Red Hot Chili Peppers), Joey Waronker (Beck) e Nigel Godrich. Ele também é músico de apoio do Red Hot.

1260316740_coverO Mauro mandou um recado para os leitores do blog: “Procurem saber e escutar um pouco mais da nossa musica. Atualmente a informação é muito fácil de ser obtida através da internet, redes sociais. Um dos nossos sonhos como banda é poder fazer uma tour pelo nordeste nos festivais de São João, que pela magnitude das festas deve ser considerado um dos maiores festivais de música do nosso planeta”.

Asa Branca com David Byrne

 

Silence is Golden com Sabina Sciubba

 

Caiu na rede

Para os fãs do Siba download gratuito

fuloresta

Para quem gosta da música do virtuoso Siba, basta entrar no site dele e baixar toda a discografia solo deste pernambucano que faz um mix de música regional com toques de guitarra como poucos.  Avante, Fuloresta do Samba, Toda Vez que Eu Dou um Passo o Mundo Sai do Lugar e Siba e Barachinha – No Baque Solto Somente são os discos que estão disponíveis para download. Já baixei o meu, e você?

Baixe os discos do Siba aqui.